Tinha lido excertos, coisas dispersas, um ensaio ou outro, ou seja, muito pouco.
Leio agora este conjunto recolhido com o título "Nudez". Fico deslumbrada. Pensamento e literatura conjugados numa escrita que enuncia, questiona, provoca, desafia. Convida a reler cada frase/ideia e diz-me que o livro, assim, não é susceptível de ser fechado; a sua expansão é interminável. Escrita lúcida, inventiva, belíssima.
Da revisitação de Kafka, ou melhor de K., à "vida nua", toda a sabedoria converge numa visão perfurante do homem colocado no devir/ser.
Difícil a escolha do extracto, mas aí vai:
"Nada rende tantos pobres e tão pouco livres como este estranhamento da impotência. Aquele que é separado do que pode fazer, pode, todavia, resistir ainda, pode ainda não fazer. Aquele que é separado da sua impotência perde em contrapartida, antes de mais, a sua capacidade de resistir. E como é somente a calcinante consciência do que não podemos ser a garantir a verdade do que somos, assim também é somente a visão lúcida do que não podemos ou podemos não fazer a dar consistência ao nosso agir."
Não tenho dúvidas de que, se houvesse mais reflexão e menos comentário pobre sobre palavras vãs, a coisa sempre estaria um pouco menos feia (se calhar até a selecção não seria este desastre).
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)

0 comentários:
Enviar um comentário