Sábado, 8 de Outubro de 2011

o pombo paga portagem

Estás triste, diz o pombo. Estou, digo eu. Nem pergunto porquê, diz o pombo. Mas eu digo, digo eu. A peste existe. Bem sei, diz o pombo. Explode junto a nós quando a julgamos apenas diluída na porcaria geral, digo eu. Dizes bem, diz o pombo. Vá lá, voa. Voarei, digo eu. Se puder. Morreu-me um amigo que era pintor, escrevi para ele uns versos em 2001, salvo erro. Sorry, diz o pombo. Também me sinto entroviscado, tenho que pagar portagens em vários pontos do céu português. Como?!, digo eu. Ordens do governo e da troika, diz o pombo. E então?, digo eu. Conheço caminhos que eles nem sonham, diz o pombo. É chato, acredita. Offshores do espaço sideral, digo eu. Não, diz o pombo. Tudo in shore. Rizomas abscônditos, nenhum parvo do poder os apanha. Ho capito, digo eu. Vá lá, voa. Anda comigo, eu levo-te à borla, e voa contra a peste, diz o pombo. Contra todas as pestes. Ok, digo eu.
jmm

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