<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463</id><updated>2012-02-01T02:31:57.277Z</updated><title type='text'>artedosdias</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>166</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7583438981426500614</id><published>2011-12-29T19:09:00.000Z</published><updated>2011-12-29T20:34:05.015Z</updated><title type='text'>ninguém conta a história melhor do que nós</title><content type='html'>Comboio Cascais-Lisboa, 28 de Dezembro, uma da tarde. Um casal inglês, nos early forties, dois filhos, rapaz e rapariga, 7 a 9 anos. Funde-se o azul que vê com o que é admirado, deslumbramento recíproco.&lt;br /&gt;Queremos viver em Portugal, dizem as crianças em coro, pleeeeease.&lt;br /&gt;Os pais sorriem. Descem um degrau na escada do horizonte, sobem dois na escada do amor.&lt;br /&gt;Têm a certeza? Querem ir para uma escola nova, passear em jardins diferentes, fazer novos amigos?&lt;br /&gt;Yes, portuguese friends, yes, respondem os meninos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se concretizar esta paixão à primeira vista, a família será evacuada no plano de emergência traçado pelo governo britânico para a salvação dos seus cidadãos residentes em Portugal.&lt;br /&gt;Ou me engano muito ou, se esse dia vier, muitos de nós, portugueses, estarão dispostos a apurar um sotaque british para se fazerem passar por súbditos de sua majestade. Para fugirem desta praia rectangular que só fascina os inocentes que ainda acreditam em coisas simples e inexplicáveis, como a cor azul, as histórias, as magias; só encanta os pequenos habitantes de uma civilização antiga, que reagiam às forças ocultas com o poder de nomear e de construir a partir dos nomes narrados a sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atracção do impossível é tão forte que pode levar o desejo ao exagero. Com esta ressalva, e apesar da raiva que me daria fazer a vontade ao primeiro-ministro, sinto que se fosse mais nova e livre não ficaria na pátria nem mais um segundo. De bom grado iria passar já o ano à luz de outras estrelas, sem regresso próximo. A partida de que falo, contrária ao exílio interior desta conjuntura ruinosa, parece ser o único bálsamo na ferida que nos abriu a falta de inteligência e de virtude. Abalada feliz, o oposto da saudade.&lt;br /&gt;Sair daqui, não para fugir do azul que desdenhamos e que, pelos vistos, não merecemos. Apenas para respirar melhor e poder encará-lo sem que nos magoe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos meninos ingleses, Joan e Paul, vamos chamar-lhes assim, desejo que não cresçam. Que não estudem finanças ou, pelo menos, que não imponham a ninguém ideias e interesses malfazejos. Que conservem os olhos azuis, mas não se chamem Thompson.&lt;br /&gt;Aos meninos e aos crescidos portugueses desejo que não tenham paciência. Que celebrem o fado apenas como património imaterial, um luto imponderável em forma de música.&lt;br /&gt;Que não façam preparativos para mais 48 anos.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;Que falem falem falem para dizer o que querem, mesmo que a voz lhes doa.&lt;br /&gt;Que não fiquem quietos a ouvir uma história, ninguém a conta melhor do que nós. &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ooL8GiaYqzU/Tvy-3xddHnI/AAAAAAAAAD8/dq6IRgWKXZY/s1600/Fotografia1187.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-ooL8GiaYqzU/Tvy-3xddHnI/AAAAAAAAAD8/dq6IRgWKXZY/s320/Fotografia1187.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7583438981426500614?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7583438981426500614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7583438981426500614&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7583438981426500614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7583438981426500614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/12/ninguem-conta-historia-melhor-do-que.html' title='ninguém conta a história melhor do que nós'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ooL8GiaYqzU/Tvy-3xddHnI/AAAAAAAAAD8/dq6IRgWKXZY/s72-c/Fotografia1187.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2815382951398508008</id><published>2011-11-16T21:44:00.001Z</published><updated>2011-11-16T22:53:32.969Z</updated><title type='text'>não há direito</title><content type='html'>Lembram-se de quando, a propósito de situações que nos indignavam, dizíamos "não há direito"?&lt;br /&gt;Pois é, uma expressão popular, que hoje poderá entrar em ficções sobre o passado, mas que o presente esqueceu.&lt;br /&gt;Estranho, uma expressão tão comum ter desaparecido do falar quotidiano sem tir-te nem guar-te, sem dizer água vai, expressões estas igualmente em desuso mas por motivos compreensíveis.&lt;br /&gt;A eliminação desta expressão de desabafo produtivo, que assinala a injustiça identificando-lhe a causa, significa uma mudança drástica na maneira de encarar os acontecimentos que dantes mereceriam essa reacção de espanto reprovador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, já pouca coisa nos espanta. Habituámo-nos a aceder ao exótico, ao aberrante, ao violento, ao heróico, ao trágico, com tal excesso que tudo se nivela numa perplexidade permanentemente morna, salvo alguns sobressaltos que raras vezes alcançam o ponto de ebulição.&lt;br /&gt;Através deste revestimento de indiferença, espécie de segunda pele impermeável, as emoções são induzidas com uma facilidade pueril. Basta atribuirmos um nome e uma cara à realidade (mesmo se falsificada) para que o interruptor da lágrima ou do riso seja accionado. Durante dois segundos - diante de um post ou de uma imagem, antes da seguinte - somos genuína e aceleradamente compassivos, responsáveis, irados. Depois passa.&lt;br /&gt;Com curtos intervalos, andamos num estado de irritação contínua. Incomodados, desconfortáveis. Mas nada que um clique ou uma massagem não curem. Provisoriamente. Indefesos perante a realidade que nos massacra, isso sim. É isto a sobrevivência, que não costuma ser um bom indutor de liberdade ou de espírito crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se exclamava "não há direito", geralmente perante uma vigarice prepotente, como um simples "engano" no troco, uma balança trapaceira ou um despedimento sem motivo, estava-se implicitamente a atribuir um lugar central ao sistema de valores éticos que tínhamos interiorizado. Embora não tivéssemos em mente o "direito" enquanto conjunto de disposições legais que regulam as relações da sociedade, a absorção pela linguagem coloquial desse termo revelava que um sentimento sólido nos ligava a esse sentido próprio do sistema de justiça.&lt;br /&gt;Esta ligação já não existe. Perante situações idênticas é possível que a pessoa afectada, se não tiver sido engolida pelo medo, ainda afirme o "seu" direito. Os outros, os que assistem, se não encolherem os ombros, poderão até comover-se temporariamente, ajudar e intervir pontualmente, mas é raro integrarem o sucedido numa desordem mais vasta, a necessitar de reparação que implique os espectadores. E que o direito, enquanto sistema normativo, possa repor e reparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaremos a ficar mais indiferentes perante a injustiça, a prepotência, a iniquidade?&lt;br /&gt;Tenderemos a considerar normais situações que até há algum tempo nos pareciam intoleráveis e nos incitavam a agir?&lt;br /&gt;Creio que começamos a interiorizar como "normais" (ou seja, em última instância, conformes com a ética e com as regras jurídicas) um círculo cada vez mais vasto de situações aberrantes, integradas numa paisagem absurda e imoral. O que é muito mais perigoso que o mero conformismo.&lt;br /&gt;Com culpas repartidas, mas sobretudo atribuíveis à supremacia dos poderes não instituídos sobre os restantes, tornados difusos ou residuais (o modo quase paradoxal como se processou a mudança de governo em Itália, transformando um mau governo eleito num tecnocrático governo não sufragado sem o mínimo sobressalto democrático é o exemplo mais recente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7TEKN7effOc/TsQ-qtNQgyI/AAAAAAAAADk/dPKNHRwBLzc/s1600/Fotografia0936.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-7TEKN7effOc/TsQ-qtNQgyI/AAAAAAAAADk/dPKNHRwBLzc/s320/Fotografia0936.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Se o direito fosse ainda um sistema confiável, não confiscado por poderes mais altos, se não nos faltasse &amp;nbsp; uma real referência ao direito na breve indignação, se tivéssemos uma ligação sólida às instituições democráticas, andaríamos a exclamar a toda a hora "não há direito"! E a agir em conformidade. Recusando os poderes que impõem pela força um sistema iníquo. Devolvendo à democracia o seu lugar &amp;nbsp; fundamental. Insusbtituível. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2815382951398508008?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2815382951398508008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2815382951398508008&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2815382951398508008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2815382951398508008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/11/nao-ha-direito.html' title='não há direito'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-7TEKN7effOc/TsQ-qtNQgyI/AAAAAAAAADk/dPKNHRwBLzc/s72-c/Fotografia0936.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-5080097487097615193</id><published>2011-11-01T17:53:00.001Z</published><updated>2011-11-01T17:53:33.501Z</updated><title type='text'>o curto dia do longo terramoto</title><content type='html'>"No primeiro dia de Novembro de 1755 Lisboa foi arruinada pelas forças combinadas de um sismo violentíssimo e invulgarmente longo, um maremoto que lançou ondas gigantescas sobre a costa e diversos incêndios, um dos quais consumiu todo o centro da capital portuguesa".&lt;br /&gt;No primeiro dia de Novembro de 2011, o novo terramoto está em curso. Só agora começamos, assustados, a tentar abrigar-noa debaixo de abóbadas e portadas. A manter os filhos agachados ao pé de nós, protegendo-lhes a nuca com as mãos.&lt;br /&gt;Neste peculiar terramoto não é só a terra que treme debaixo dos nossos corpos. Toda a paisagem e o ar que respiramos se movem num vórtice sufocante. O movimento caricato que descrevemos ao cair não resulta apenas da falta de equilíbrio. Caímos como parafusos em parede movediça, sentindo-nos incapazes de furar ou esbracejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Terramoto ou Desastre de Lisboa, como foi chamado pelos contemporâneos estrangeiros, era certamente uma singularidade, uma ruptura violenta da ordem histórica. Se há candidatos sérios a "dia que mudou o mundo", o 1º de Novembro de 1755 é um deles".&lt;br /&gt;Desta vez o dia prolonga-se por muitíssimas horas penosas. Ignoramos qual foi a primeira (a falência do Lehmon Brothers? A birra de Merkel? As notações da Moody's?). Ignoramos quando será a última.&lt;br /&gt;Sabemos, sim, desta vez sabemos, que a culpa não cabe a Deus nem à Natureza.&lt;br /&gt;Nem a nós, pequenos parafusos.&lt;br /&gt;Quem nos pôs a sonhar com extensões de areia fina e betão, onde saltitámos imaginando-nos artistas, são os mesmos que nos roubam sonho, vida e paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para eles não merecemos nem um R.I.P. Querem-nos a expiar uma culpa alheia, mesmo depois de mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-nos a dignidade de não morrermos quietos. Somos muitos, não somos? Somos parafusos, não somos? Os parafusos sabem onde dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UPUJOh9Gnf4/TrAx9AEWe6I/AAAAAAAAADc/gzAfmwmoQ9Y/s1600/Fotografia0891.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-UPUJOh9Gnf4/TrAx9AEWe6I/AAAAAAAAADc/gzAfmwmoQ9Y/s320/Fotografia0891.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;(citações de "O Pequeno Livro do Grande Terramoto" - Rui Tavares) &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-5080097487097615193?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/5080097487097615193/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=5080097487097615193&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5080097487097615193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5080097487097615193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/11/o-curto-dia-do-longo-terramoto.html' title='o curto dia do longo terramoto'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-UPUJOh9Gnf4/TrAx9AEWe6I/AAAAAAAAADc/gzAfmwmoQ9Y/s72-c/Fotografia0891.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3315874616250000585</id><published>2011-10-08T18:34:00.000+01:00</published><updated>2011-10-08T18:34:10.159+01:00</updated><title type='text'>o pombo paga portagem</title><content type='html'>Estás triste, diz o pombo. Estou, digo eu. Nem pergunto porquê, diz o pombo. Mas eu digo, digo eu. A peste existe. Bem sei, diz o pombo. Explode junto a nós quando a julgamos apenas diluída na porcaria geral, digo eu. Dizes bem, diz o pombo. Vá lá, voa. Voarei, digo eu. Se puder. Morreu-me um amigo que era pintor, escrevi para ele uns versos em 2001, salvo erro. Sorry, diz o pombo. Também me sinto entroviscado, tenho que pagar portagens em vários pontos do céu português. Como?!, digo eu. Ordens do governo e da troika, diz o pombo. E então?, digo eu. Conheço caminhos que eles nem sonham, diz o pombo. É chato, acredita. Offshores do espaço sideral, digo eu. Não, diz o pombo. Tudo in shore. Rizomas abscônditos, nenhum parvo do poder os apanha. Ho capito, digo eu. Vá lá, voa. Anda comigo, eu levo-te à borla, e voa contra a peste, diz o pombo. Contra todas as pestes. Ok, digo eu.&lt;br /&gt;jmm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3315874616250000585?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3315874616250000585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3315874616250000585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3315874616250000585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3315874616250000585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/10/o-pombo-paga-portagem.html' title='o pombo paga portagem'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7875895999276835715</id><published>2011-08-22T21:36:00.002+01:00</published><updated>2011-08-22T22:37:13.572+01:00</updated><title type='text'>volta ao mundo em onze pontapés</title><content type='html'>Até aos vinte e tal anos a força é imparável. A partir da puberdade as hormonas ajudam. A testosterona sabe que ficar quieto a um canto não ajuda a actividade reprodutora. E que algum grau de destruição entre rivais é imprescindível para a construção de réplicas melhores. Os estrogéneos costumavam produzir um efeito moderador, criando um amniótico mar de tranquilidade, também ele essencial ao acolhimento da vida replicada. Mas parece que até os estrogéneos já não são o que eram. Desde que começaram a ser fintados pelos contraceptivos e pelo aumento da esperança de vida, diminuiu a sua fama de empecilhos, oferecendo às mulheres uma década extra de vida furiosa.&lt;br /&gt;Homens e mulheres entre os vinte e os trinta e tal estão aptos a despender energia no confronto com a realidade. (Os mais velhos também, se não esquecerem para que serve a energia). Não vale a pena apressar-lhes o tempo adaptativo, que vai ser longo e só termina com a despedida, em que a riqueza criativa se mantém na proporção directa dos estímulos passados.&lt;br /&gt;Mas chega da perspectiva biologista. Deixemos Darwin e Dawkins trabalhar em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos às outras perspectivas, as que nos distinguem uns dos outros - latitudes, culturas, sistemas de crenças e de valores. Ao pensarmos nas diversas formas que o confronto com a realidade tem assumido nos últimos meses, numa breve volta ao mundo, ocorrem-nos:&lt;br /&gt;- a Primavera Árabe e as suas alíneas, em particular Egipto e Líbia (duas vias opostas); Síria, onde a revolta ainda se paga com a vida&lt;br /&gt;- os fundamentalistas do terror&lt;br /&gt;- os guerrilheiros palestinianos&lt;br /&gt;- os indignados israelitas&lt;br /&gt;- os pilhadores britânicos&lt;br /&gt;- os indignados europeus, destacando-se os espanhóis&lt;br /&gt;- a lusa geração à rasca, que nasceu em Março e se assustou com a sua força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geografia da revolta atrai-nos e interpela-nos. Vamos lá percorrer o mapa-múndi, a uma distância confortável.&lt;br /&gt;- A América do Norte difunde a agressividade por vários pontos de conflito exterior, evitando o caseiro (enquanto combatem no Iraque e no Afeganistão os militares não estão desempregados nem se matam uns aos outros; se querem um povo pacificado encontrem-lhe um inimigo exterior e entreguem-lhe armas para o matar).&lt;br /&gt;- A América do Sul encontrou um precário equilíbrio entre o gangue traficante e o desejo de ocidentalização (bom sítio para passar férias em ressorts).&lt;br /&gt;- A África subsariana está devotada à fome, à mercê do arbítrio ditado pela força, seja ela das armas, do medo ou do dinheiro ou da mistura explosiva dos três (quem luta pela sobrevivência só tem essa lei para cumprir, não conhece a transgressão).&lt;br /&gt;- O mundo árabe está a derrubar Kadhafi, depois da Tunísia e do Egipto. Tão espantoso que por enquanto não é preciso dizer mais nada.&lt;br /&gt;- O Médio Oriente anda como se sabe. Israel também se move.&lt;br /&gt;- O Extremo Oriente é um gigante em transição de identidade. Quando conseguir ter uma visão completa da sua imagem, é provável que esbarre nas contradições (as fases de crescimento consomem toda a energia que puderem obter, só a instabilidade está pronta a explodir).&lt;br /&gt;- A Ásia é o exótico destino da efervescência. Gosta de ser fotografado, exposto, desobrigado da coerência. Quanto mais estritas as normas mais disponíveis para serem transgredidas através do martírio (quando não há princípio nem fins, inventá-los já é um acto de bravura).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de chegar à Europa notemos que o globo vai descrevendo um movimento de translação cultural por referência ao padrão acumulativo de bens substituíveis que o ocidente inventou para recriação dos povos e proveito de uns quantos. A este movimento, nascido da exposição global ao modelo exportado, corresponde um outro, em sentido contrário, que consiste na desagregação do espaço-força ocidental, na decadência do seu projecto identitário.&lt;br /&gt;De tanto se repartir pelos cantos do mundo, o ocidente vai caindo aos pedaços. Não é uma boa coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Europa Central respeita os horários de funcionamento: nos tempos livres a malta está autorizada a exceder os limites da consciência (não há fartura que não dê em paz).&lt;br /&gt;- A Inglaterra conseguiu criar a sociedade mais desigual do espaço europeu. Como é que se reage a isso? Partindo e pilhando os alvos da cobiça, sendo esta o instrumento principal (e primário) do poder baseado na aquisição. Aplausos para os sedutores e para os seduzidos, duas faces do mesmo vazio improdutivo.&lt;br /&gt;- A Europa do Sul. À rasca, pois, mas uns mais do que outros e enlevando-se nas mínimas diferenças entre si.&lt;br /&gt;Não falemos dos gregos. Deixemo-los em paz com a sua história e o seu enredo trágico (beco sem saída, extirpador à solta, ninguém se salva nem ao pontapé).&lt;br /&gt;Falemos de Espanha, um país dividido ao meio, que parece ter encontrado na simetria um equilíbrio sustentável. PP e PSOE, tradição e futuro, fé e laicidade. O confronto, em vez de desgastar a energia, renova-a e multiplica-a. Obriga à ousadia da lucidez e da realização. A inércia "é uma cena que a eles não lhes assiste". Por mais trambolhões que a europa dê, duvido que os espanhóis caiam derrotados. Torço por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o país que o mar não quer, a pátria de muita língua e pouco siso, a apagada tristeza e vil talento.&lt;br /&gt;Explodiremos, sim, depois de espoliados, expulsos de um paraíso terrestre que obviamente não merecemos, excedentário povo num território de areia fina e clima ameno.&lt;br /&gt;Explodiremos, sim, não colectivamente, mas em bandos improvisados, movidos por rastilhos menores, que os mesquinhos interesses e a esperteza saloia se encarregarão de fabricar.&lt;br /&gt;Até lá estamos condenados a vaguear como zombies num mau filme de terror.&lt;br /&gt;Não que alguém nos tenha condenado, simplesmente aproveitaram a aflitiva inépcia e as ancestrais trocas de favorzinhos, como quem recolhe os desperdícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento ter tido o impulso deste desabafo logo hoje, que ainda se vive a fase semi-eufórica do quase campeonato do mundo de futebol sub-vinte ("um pouco mais de sol...").&lt;br /&gt;Como é que poderia esquecer-me do futebol, esse vastíssimo campo de confronto, substituto verdadeiro da guerra e da revolta?&lt;br /&gt;Que seria do universo pensante dos portugueses sem as estratégias ofensivas? Da sua capacidade de argumentação sem os lances polémicos? Do seu sentimento de injustiça sem os penaltis roubados?&lt;br /&gt;Que seria do ânimo mobilizador dos portugueses se o jogo entre a pobreza e a opulência, entre a justiça e a caridade, se disputasse num campo de futebol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos às hormonas: sim, façam o futebol e não a guerra. Esmifrem-se no debate clubístico em vez de agonizarem.&lt;br /&gt;Mas que tal se encontrássemos um resto de força para criticar e reagir?&lt;br /&gt;Pensamento e mãos firmes: estas são as nossas armas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7875895999276835715?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7875895999276835715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7875895999276835715&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7875895999276835715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7875895999276835715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/08/volta-ao-mundo-em-onze-pontapes.html' title='volta ao mundo em onze pontapés'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7453269331620606123</id><published>2011-07-31T21:51:00.001+01:00</published><updated>2011-07-31T22:59:00.060+01:00</updated><title type='text'>diferentes maneiras de chegar</title><content type='html'>Já estava quase convencida de que o futuro seria o regresso à era das cavernas, ao tempo anterior àquele em que o homem mergulhou a mão na tinta para deixar na parede a marca da interrogação. Mas eis que dou com ele, sentado no bar das chegadas do aeroporto de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha casualmente assistido em directo através da CNN ao terror da deflagração em Oslo. Utoya era ainda uma ilha abstracta onde parecia ter ocorrido um incidente com armas de fogo. Como toda a gente, vociferei contra o fundamentalismo islâmico durante aquela primeira hora. Até arranjei maneira de encaixar a data: 22, o dobro de 11, bendita matemática.&lt;br /&gt;Depois foi o que se viu, para crer.&lt;br /&gt;Todos os extremismos enlouquecem. O próprio facto de acolhermos o discurso do ódio, de o absorvermos e integrarmos como se fosse natural, como se fosse democrático, significa que estamos dispostos a recuar ao tempo primitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então, algumas horas depois, que vi o compositor no bar do aeroporto. Loiro, olhos azuis, sentado frente ao portátil. Concentrado na música, o tronco marcando o compasso na cadeira, os pés marcando-o no chão. De vez em quando os braços formavam o andamento, um ou o outro, um ao outro, a mão ajudada pela outra mão.&lt;br /&gt;Não sei o que estudava, o que compunha. Ignoro se o tumulto de tantas vozes desassossegadas pela viagem, tão distintas maneiras de chegar, integravam o seu processo criativo. Não quero saber se a música a germinar na cabeça do compositor há-de um dia ser banda sonora de uma carnificina perpetrada pelo ódio.&lt;br /&gt;Sei, sim, que enquanto se mergulha a mão na tinta, enquanto se desenha a partitura, enquanto se interrogam as palavras, há um homem que cresce e se anuncia, sem vontade de retroceder. &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7453269331620606123?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7453269331620606123/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7453269331620606123&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7453269331620606123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7453269331620606123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/07/tao-distintas-maneiras-de-chegar.html' title='diferentes maneiras de chegar'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-5945622155802893312</id><published>2011-06-11T17:02:00.001+01:00</published><updated>2011-06-11T17:06:25.970+01:00</updated><title type='text'>a t-shirt do che guevara</title><content type='html'>Segunda-feira, 6 de Junho, de manhã. O casal à minha frente vinha regular as responsabilidades parentais da filha, depois da separação. Tudo amigável, tranquilo, para variar. O único problema era o da pensão. O homem, nos seus trintas envelhados, encardidos, humildes, não tinha como dar um cêntimo. Faz empreitadas para carteiros (encarrega-se de distribuir revistas, maçada que eles dispensam) e ganha à peça. No máximo 150 euros por mês. Os braços fraquitos, apesar de tatuados, não dão para mais. É a vida.&lt;br /&gt;E agora?&lt;br /&gt;Agora (dizia ele) talvez o Fundo de Garantia.&lt;br /&gt;Estava a pensar no Fundo de Garantia de Alimentos devidos a Menores, criado para substituir o devedor, quando este falha e o rendimento per capita do agregado da criança é inferior ao salário mínimo nacional (depois de um dos PEC a Lei da condição de recursos baralhou a fórmula, a criança passou a contar metade, muita gente perdeu o direito à intervenção do FGADM).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fundo de Garantia? Com o programa da troika??&lt;br /&gt;O senhor sabe em que país é que vive?&lt;br /&gt;Por acaso (olha para a ex-mulher, em busca de socorro) nem sei quem é que ganhou as eleições. Quem é que ganhou?&lt;br /&gt;Elucidado, o sorriso cabisbaixo deixa à mostra os dentes de tabaco e sabe-se lá mais o quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diligência ia chegando ao fim. O meu impulso de curiosidade foi irresistível&lt;br /&gt;O senhor foi votar?&lt;br /&gt;Fui, mas...&lt;br /&gt;Começou a levantar-se, molemente. A t-shirt do Che Guevara estava tão amarrotada como o sorriso, como os dentes, como ele.&lt;br /&gt;Mas o meu partido é dos pequeninos, nunca ganha. É o PNR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo esta história verdadeira, passada em Lisboa, à atenção da esquerda. Especialmente do socialismo democrático.&lt;br /&gt;Que tal irem conhecer a realidade? Irem por aí, em acções não de campanha mas de genuíno entendimento, perceber como vivem as pessoas, o que pensam as pessoas, o que são as pessoas?&lt;br /&gt;No mundo da crueldade económica as pessoas, incluindo o "precariado", votam em quem "pode fazer alguma coisinha pelos pobres". Em quem pode. Em quem manda. Ou então esperneiam ao deus-dará, sem alvo à vista. As armas que têm na mão são coloridos boomerangs envenenados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos territórios sinistrados o ânimo transformador costuma ficar de rastos. A ideia de transformação tem sido humilhada como fantasia extra-terrestre. É assim mesmo, ridícula e moribunda, que os poderosos a querem.&lt;br /&gt;Não precisamos de a tratar como espécie em vias de extinção. Precisamos, sim, de a reinventar, com conhecimento, imaginação e liberdade. Perguntas: quem somos "nós"? Quem podemos vir a ser? O que queremos? Lá mais para diante, então, como vamos fazer? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-5945622155802893312?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/5945622155802893312/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=5945622155802893312&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5945622155802893312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5945622155802893312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/06/t-shirt-do-che-guevara.html' title='a t-shirt do che guevara'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3985439332352362071</id><published>2011-06-04T17:36:00.001+01:00</published><updated>2011-06-04T17:38:55.210+01:00</updated><title type='text'>os pepinos espanhóis</title><content type='html'>A história dos pepinos espanhóis é o sonho de muitos criadores: uma só frase e de repente o mundo é outro. O mundo passa a girar à volta dessas palavras-choque, tão mortais como a bactéria.&lt;br /&gt;Bem podem duzentos estudos, ou o simples bom-senso, desmentir o estribilho inicial. Nada a fazer. O meteoro caiu, o medo - esse grande escultor - inibiu a reflexão, tão cedo ninguém come pepinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era assim com o slogan da "inevitabilidade", o massacre cujo efeito ainda vai no adro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o segundo rapto de Europa repete em tragédia o que era o encanto do primeiro.&lt;br /&gt;A filha de Argenor, ao que apregoa a nova lenda, continuava a divertir-se com as companheiras junto das águas azuis do Mediterrâneo. Mas agora já é avó de muitos netos a competirem pela herança. Já não atrai a atenção de Zeus, mas sim a de uma conhecida ave de rapina que lhe estende com perfídia o dorso dourado. Ela deixa-se ir, entregue à extraordinária aventura de cair aos pedaços. Já nem pergunta para onde vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós com isso?&lt;br /&gt;Nós tudo com isso. Nós, europeus, somos as mãos e o pensamento da princesa decadente. Ou interrompemos a viagem ou somos arrastados para uma ilha calcinada, antípoda de Creta.&lt;br /&gt;Nós, particularmente, criadores que abominamos a água suja e os clichés, por que não reflectimos sobre o que queremos e podemos?&lt;br /&gt;Acreditamos realmente que podemos lavar as mãos em água esteticamente pura?&lt;br /&gt;Preferimos assistir? Conformados? Horrorizados?&lt;br /&gt;Ou inventar viagens novas?&lt;br /&gt;Se ouvirmos e calarmos como os outros para que é que queremos voz?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3985439332352362071?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3985439332352362071/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3985439332352362071&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3985439332352362071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3985439332352362071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/06/os-pepinos-espanhois.html' title='os pepinos espanhóis'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2679502848224763227</id><published>2011-05-04T23:11:00.001+01:00</published><updated>2011-05-04T23:12:43.047+01:00</updated><title type='text'>mar em cascais</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qdZGI6f4q64/TcHOfXmncoI/AAAAAAAAADY/GBft6RQCbR8/s1600/DSC00111.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-qdZGI6f4q64/TcHOfXmncoI/AAAAAAAAADY/GBft6RQCbR8/s320/DSC00111.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qdZGI6f4q64/TcHOfXmncoI/AAAAAAAAADY/GBft6RQCbR8/s1600/DSC00111.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;isento de IVA e sem ameaça de despedimento&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2679502848224763227?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2679502848224763227/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2679502848224763227&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2679502848224763227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2679502848224763227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/05/mar-em-cascais.html' title='mar em cascais'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-qdZGI6f4q64/TcHOfXmncoI/AAAAAAAAADY/GBft6RQCbR8/s72-c/DSC00111.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2381652856841411171</id><published>2011-05-04T22:59:00.000+01:00</published><updated>2011-05-04T22:59:51.632+01:00</updated><title type='text'>lendas inarrativas - 2</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;2. A Filha do Monginho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Aos quatro anos a gaiata sentava-se a uma mesa do café Mina Velha, em Queluz, mastigando um queque bem tostado&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;(a passa de uva primeiro, depois as pontinhas em relevo) e preenchendo os quadradinhos das palavras cruzadas com as letras de um abecedário roubado ao nome das ruas. As mesas do café eram de granito e mesmo em dias de sol fazia escuro. Entretido a dar umas tacadas, a bola marcada sempre em mira, só de vez em quando olhava para o lugar onde o vultozinho compenetrado na invenção da escrita mordiscava o bolo. Mantinha-me tranquilo, sabendo muito bem que tanto empenhamento aniquilava eventuais tentações perturbadoras. Tudo o que nela agia eram os dedos vincados na caneta cor-de-rosa, os joelhos baloiçantes. Até que uma vez olhei e nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Nada. Esse escuro no escuro, a ausência das meinhas brancas a baloiçar. Terá fugido? Terá sido arrebatada por um anjo? Terá sido absorvida pelos quadradinhos ou pelas letras dentro deles? Raptada como a mãe dela temia nos pesadelos da madrugada? Onde está a minha filha? O taco deve ter caído ao chão. Uma bandeja com cariocas e bicas a escaldar deve ter caído ao chão. Toda a gente no café deve ter-se assustado com o meu grito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Onde está a minha filha?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Contaram-me depois que o meu grito se multiplicou num burburinho de vozes alarmadas porque ninguém tinha visto o momento. Toda a gente gritava, Onde está a filha do Monginho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify; text-indent: 26.9pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Mas o momento não tinha existido. Havia um par de meinhas brancas a baloiçar no escuro. Depois havia o escuro no escuro. Entretanto, nada. Corri para a rua e lembro-me de ter ficado quase cego ao olhar para a montra da tabacaria em frente, que era o espelho do sol ao meio dia e onde nem o Esteves me salvava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Onde está a minha filha?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Onde está a filha do Monginho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;A enxurrada de gente a sair do café e a concentrar-se no passeio era já uma turba em agitação. Muito perigoso naquela época. Estávamos em 62 e a Nação exigia aos seus filhos que se acomodassem a falar sozinhos porque até as paredes tinham ouvidos imunes à surdez. Mas ninguém se importava com isso porque era preciso salvar a miúda da caneta cor-de-rosa, a que não era filha da Nação mas sim&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;a filha do Monginho. À falta de outro agente mais habilitado nas imediações, o polícia sinaleiro desceu do pedestal e chegou pressuroso, apitando furiosamente, ao centro do ajuntamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;O que é que se passa aqui?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Dezenas de vozes atropelavam-se em explicações várias e um pânico só. Senti alguém amparar o meu braço enquanto virava e revirava esquinas e regressava ao mesmo escuro que era o espelho do sol. Até que de repente olhei de novo para a tabacaria e lá vinham as meinhas brancas a baloiçar em passinhos muito compenetrados. A minha filha&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;A filha do Monginho!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;saía da tabacaria comendo chocolate em forma de sombrinha, pela mão da Hermínia Silva. Por essa altura a Hermínia Silva era já entradota mas ainda dava brado como a grande cantadeira, o reverso da Amália. A voz pingada de ginginha e sol &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;versus&lt;/i&gt; a voz da tragédia revelada pela noite. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify; text-indent: 26.9pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Então lá vinham as duas, com o ar mais pimpão que imaginar se possa. Não me perguntem como é que a fadista teve a arte de entrar pelo Mina Velha dentro sem ser reconhecida, abeirar-se da menina escritora e levá-la a passear sem ser reconhecida e sem ninguém dar por isso. Os intróitos do episódio permaneceram um mistério, dado ninguém se importar com eles face ao espectáculo que se lhes seguiu. O pessoal ficou tão estupefacto com a cena que cada um, incluindo eu, estacou na exacta posição em que se encontrava antes de as duas aparecerem. A máquina de projectar tinha emperrado e pelo ecrã adentro fez aparição um par de miúdas atravessando a rua, ou seja, o mundo, gingando e comendo chocolates em forma de sombrinha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify; text-indent: 26.9pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Sim, porque a D. Hermínia também se amandava à guloseima, enquanto ia trauteando em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;lalaralalá&lt;/i&gt; um fadinho na berra. O próprio polícia sinaleiro, o único possível guardião da ordem, estacara com o braço esquerdo levantado, a mão fechada sabe-se lá por que carga de água – talvez tentando agarrar um colarinho fugitivo -, a mão direita segurando o apito e o apito segurando a boca para não cair de espanto. Mas pelos vistos continuava a inspirar e a expirar, sobretudo a expirar, porque o apito ia estridenciando numa cadência regular. De modo que, à falta de guitarra e viola, a voz da grande Hermínia era acompanhada por um apito de polícia sinaleiro, facto digno de ser perpetuado em registo fonográfico, infelizmente impossível de realizar com os recursos disponíveis. Pouco a pouco a voz foi-se elevando e o apito perdendo em vigor o que já em engenho lhe faltava. A certa altura a &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Tendinha&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;essa tasca humilde e terna&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;que mantém a tradição&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;era projectada num raio de pelo menos quinhentos metros e, tal como o tinha paralisado, desparalisava agora o pessoal, que acompanhou o refrão num coro cheio de pundonor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;da boémia ou do pimpão&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;até à apoteose da salva de palmas final. Um quadro que merecia ter entrado num filme do Leitão de Barros, esse da multidão entoando a &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Tendinha&lt;/i&gt; à porta do café Mina Velha, enquanto a cantadeira, depois de uma vénia e de um aceno, se desvanecia no éter como dele surgira, para deixar o protagonismo à filha do Monginho. À minha filha, entrando no coro com uma voz tão afinada que sobressaía das outras todas. Não bastavam as letrinhas no jornal, também era preciso ter aquele ar de artista diplomada, mãozinha na anca, vozinha alevantada e aí vai disto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Sempre que vejo a fotografia, captada por uma máquina milagrosamente a postos nas imediações, e me vejo a mim espreitar, olhos de tartaruga míope que só os do Pacheco agigantavam, atrás das duas vedetas canoras, lembro-me da única coisa que o meu pai me ensinou sobre a vida. Aliás, lembro-me sempre disso quando vejo as minhas fotografias do passado oblíquo que vivi. Dizia-me ele&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt; &lt;/span&gt;Quando as mãos seguirem o tactear do coração saberás que é caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2381652856841411171?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2381652856841411171/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2381652856841411171&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2381652856841411171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2381652856841411171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/05/lendas-inarrativas-2.html' title='lendas inarrativas - 2'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7617999985563320071</id><published>2011-04-14T19:54:00.000+01:00</published><updated>2011-04-14T19:54:46.278+01:00</updated><title type='text'>lendas inarrativas - 1</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14.0pt; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;1. A MÃO ESQUERDA DE PENÉLOPE&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Sabiam que no dia em que a Penélope foi anunciado o milionésimo pretendente deu-lhe uma cãibra feia na mão direita? Pois era esta mão, escarninha e invejosa, quem guardava a fidelidade da possuidora. Enquanto a nocturna esquerda tecia o pano da esperança (que os tempos deturparam em elidida espera) a gémea diurna desmanchava prazeres, ou seja, a tecitura. (Esta troca entre noites e dias também é atribuível aos pontos desacrescentados que se transmitem nos contos valdevinos). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Os pretendentes anunciavam-se e tentavam espreitar, mas só uma cortina os recebia. De noite a escuridão, de dia não e não. Não, diziam as criadas. Não, diziam os criados. Não, diziam as portas fechadas e as janelas cerradas, não e não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Mas naquela lua cheia esplendorosa os olhos de Penélope estavam ébrios. Saltaram o muro da esperança e ousaram perder-se aquém do mar. Foi assim que encontraram os olhos do milionésimo pretendente. Gotas de orvalho azul, pareceram a Penélope esses olhos mudados pela luz enganadora. Orvalho azul nascido numa terra salva das leis da natureza. Orvalho azul que só os deuses podiam enviar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;O pretendente percebeu o que o erro da luz lhe permitia e avançou um passo. Senhora, ousou dizer. E quando o disse a voz confirmava a natureza encantada do olhar suplicante. E o porte a confirmava. O cabelo marejado em ouro, as sandálias reluzindo a areia da última maré.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Assim, embora os olhos de Penélope tivessem fugido para o canto resguardado e a cortina cerrada por multiplicados não e não, a luz de orvalho colara-se à retina com tal esmero que quanto mais o olhar se encaminhava para dentro de si mais nítido o outro olhar se lhe tornava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Para disfarçar a languidez, a mão esquerda de Penélope trabalhou nessa noite redobradamente. Ao ponto de concluir um pano magnífico, translúcido e dourado, como se o próprio mar tocado pela lua se estendesse pela casa e pela ilha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Quando a madrugada abriu o mundo à verdadeira luz, e a serva entrou para receber as ordens matutinas, não conseguiu conter o espanto. Senhora, disse, observando o pano com todos os dedos assombrados, quantas horas extraordinárias terá vossa formosa mão direita que fazer neste dia tão curto? Se descansardes mais do que uma hora escasso será o tempo para desfazer a obra a que só o debrum fica a faltar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Foi nessa altura que a cãibra se instalou na dextra mão que a esperança até esse momento guiara com perícia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Desfaz tu, serva minha, que eu não posso. Um estranho orvalho azul penetrou-me o olhar e foi descendo sobre a mão, não sei que tenho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Vou correndo pelo médico, então, ficai quieta que não demoro nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Não vás, não vás, gritou Penélope. Tu própria disseste que ainda falta o debrum, uma noite inteira de trabalho. Deixa-me descansar até que a lua nasça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Teria descansado, se o coração não teimasse em ficar ao pé dos olhos. Se contivesse um alvoroço que toldava a consciência, impedindo-a de vencer ou de ceder. Mantendo-a num limbo entre devaneio e vigilância. Pressa. De que o luar nascesse e dele rompessem os olhos pretendentes. Só a mão direita, adormecida, descansou sem remorsos nessas dobradas horas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;O erguer da lua, num declínio imperceptível que só da adolescência se afastava, não apanhou desprevenida a tecedeira, que do apogeu guardava igual distância. Ei-la que dispensa a refeição vespertina bem como a companhia dedicada. E recatadamente espreita pela fresta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Senhora, ouve ela, tal qual como na véspera. Senhora, ouso pedir-vos a graça de um olhar, nada mais quero.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Rosto velado, mas graça concedida, através dessa nesga que a arte e o tempo juntos construíram. Mas ó qual espanto, quanta decepção. O porte, o olhar, as sandálias e a voz do milionésimo pretendente persistiam orvalho azul, bálsamo verdadeiro. Mas o defeito que ostentava curou impiedosamente a mão direita pretendida, gelou o coração: um duplo queixo que mais parecia inchaço de maleita irreversível. A pele amarelada que a barba não escondia e a calvície que lhe lavrava o crânio até metade completavam o desastre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Com o susto Penélope deu um ai tão profundo que por pouco não lhe denunciava o desvario. Pensou em Ulisses. Pensou no tempo que decorrera desde o último dia. Pensou nas sucessivas noites, nas sucessivas madrugadas. Nos mares, nas areias, nas tâmaras, nos luares tantos e tantos. Imaginou-o ali, a irromper pela casa, a tomá-la nos braços. Viu-lhe distintamente o duplo queixo, a pele amarelada, a calvície inexorável. Nesse momento a cãibra abandonou a mão direita, sem saudade. Mas mudou-se, de armas e bagagens, para a mão esquerda. E ali permaneceu até a história poder voltar a ser contada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;&lt;br clear="ALL" style="mso-special-character: line-break; page-break-before: always;" /&gt; &lt;/span&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7617999985563320071?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7617999985563320071/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7617999985563320071&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7617999985563320071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7617999985563320071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/04/lendas-inarrativas-1.html' title='lendas inarrativas - 1'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3745899033431725159</id><published>2011-01-27T23:48:00.002Z</published><updated>2011-01-29T21:18:15.499Z</updated><title type='text'>povo que ralha não morde</title><content type='html'>Compreende-se a perplexidade. Como é possível não nos entenderem aqueles a quem amorosamente nos dirigimos?&lt;br /&gt;Queridos amigos, falem com eles demoradamente, aprendam a conhecê-los. Sem os conhecermos não vamos lá. Reparem:&lt;br /&gt;Hoje em dia o povo não resiste; cada plebeu é "resiliente", suporta tudo com estoicismo, resmunguice e auto-estima. Cultiva a auto-ajuda nos manuais da ilusão. O saber ocupa um lugar extravagante, a filosofia chega aos lares em pacotinhos de açúcar e forwards que cumprem três desejos.&lt;br /&gt;Hoje em dia o povo jamais se quer de pé. Para cada um há sua cama e seu sofá. Seu terminal de desespero e compaixão personalizados. Aliás ninguém anda: ou marcha, ou faz jogging ou desliza de avião, carro, skate, prancha de surf. Entretanto exercitam-se os dedos digitando as intenções e as confidências.&lt;br /&gt;Hoje em dia o povo não se move por vontades, muito menos por uma só, concertada e ampliada. O interesse de cada penitente conflitua com o do vizinho de forma irredutível. Têm tudo em comum, incluindo a certeza de que coisa nenhuma os pode unir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo não se vê ao espelho da desgraça. Cada cidadão passa o espelho para a frente do parceiro, como quem passa no jogo da bisca (ou do burro?). E tem razão. Ninguém precisa que lhe devolvam uma imagem que não pode retocar. O photoshop inventou-se para alguma coisa e a caridade precisamente para o mesmo.&lt;br /&gt;O povo não é índio nem cobói. Somos todos gregos. E troianos. Ninguém nos pode defender. Deixamo-nos representar mas com repulsa. Com desprezo por quem se atreve a sugerir o que é melhor para nós. Queremos sossego, sim, desde que nos deixem ralhar com quem nos quer em paz. Com quem quer ensinar o padre-nosso aos vigários que nos prezamos de ser.&lt;br /&gt;Povo que ralha não morde.&lt;br /&gt;Nós é que decidimos não querer decidir nada.&lt;br /&gt;E santos da casa não fazem farinha, quanto mais milagres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutarmo-nos, entendermo-nos com paciência, sem arrogância, sem ilusões. Reinventarmos as virtudes, as palavras e a acção. Repetir, serenamente, que o medo não guarda a vinha, não guarda a democracia, não guarda a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3745899033431725159?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3745899033431725159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3745899033431725159&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3745899033431725159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3745899033431725159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/01/povo-que-ralha-nao-morde.html' title='povo que ralha não morde'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4405943328102660323</id><published>2011-01-03T22:57:00.001Z</published><updated>2011-01-03T23:41:24.782Z</updated><title type='text'>dez anos depois</title><content type='html'>3-Jan-2001&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando saí do metro deviam faltar um ou dois minutos para o comboio partir (o relógio que usava é um primor de elegância mas não tem algarismos). Ainda é um esticão, entre o terminal do metro e a plataforma do Cais do Sodré, com muitas escadas pelo meio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3-Jan-2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saí do metro deviam faltar um ou dois minutos para o comboio partir (não olhei para o relógio, tanto me fazia apanhar aquele comboio ou o próximo). Ainda é um esticão, entre o terminal do metro e a plataforma do Cais do Sodré, com muitas escadas pelo meio.&lt;br /&gt;Resolvi esticar ainda mais o espaço, à medida do tempo. Entrei na tabacaria, passei os olhos pelos títulos dos jornais, pelas produções gráficas das revistas, pelos livros que atraem tanto mais quanto menos se distinguem do mesmo grafismo que berra aos nossos olhos. Depois entrei no supermercado, direita ao essencial: pão, fruta, legumes.&lt;br /&gt;A estação do Cais do Sodré está mais acolhedora. Tem uma loja de produtos dietéticos, um café-snack, uma lojinha de moda barata. Ampara-nos a espera.&lt;br /&gt;Em contrapartida o horizonte mirrou, a distracção foi proibida. Por todo o lado a imaginação vai sendo confiscada. A geometria das linhas do comboio na sua luminosidade ao fim da tarde, que me fascinara há dez anos, tornou-se invisível. Há uma escuridão que protege e confina. Como se a Europa central tivesse feito um raid e arrebatado a luz de Lisboa, sem trazer nada em troca. Deixando-nos a sós com a tristeza.&lt;br /&gt;Se calhar fui eu a assaltada. A Europa Central, ou então esta década estranha, foi distorcendo as proporções entre luz e pensamento. Acerca de espaço e liberdade, a meditação que me surgiu, como sempre em forma de imagem-relâmpago, enquanto subia as escadas do metro: uma parede; à direita um preso, entre a cela e o refeitório atravessando corredores ruidosos, o percurso da fúria; à esquerda alguém sentado no chão de uma cidade infinita, um copo com moedas aos pés. Curiosa amplidão do mundo, que se reduz perante os criminosos mas se reduz ainda mais à vista dos desapossados. Nem caminhos, nem atalhos nem sequer corredores para os que nascem no vazio.&lt;br /&gt;Estarei talvez demasiado perto do chão. Vejo pouco e perto. Baixita, mesmo de saltos altos.&lt;br /&gt;Ao longo da plataforma, buscando a carruagem da frente. Passo pela multidão em sentido contrário; de manhã tinha ido com ela, em busca da cidade. Alguma luz ficou, mais íntima. Vem da chuva, do rio. Da água. Nunca vai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4405943328102660323?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4405943328102660323/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4405943328102660323&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4405943328102660323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4405943328102660323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2011/01/dez-anos-depois.html' title='dez anos depois'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-5499898803771392247</id><published>2010-12-11T00:59:00.001Z</published><updated>2010-12-11T10:24:10.288Z</updated><title type='text'>as palavras vão ao ginásio</title><content type='html'>Tenho andado para aqui em intensivos exercícios de ginásio mental a ver se consigo acompanhar o ritmo a que as perplexidades me tolhem as palavras. É que quando vou para dizer "não é possível" a uma novidade logo outra, ainda mais nova, me faria dizer "não acredito". Não passam mais de 24 horas entre uma incredulidade e outra mais intensa. A vertigem do andamento do tempo às arrecuas também não ajuda nada. Em vez da palavra vem um riso estúpido, sucedâneo das lágrimas que o susto empurra para uma raiz crescendo em profundidade, incapaz de extravasar. Absortas no pavor, andam as pessoas por aí aparvalhadas, a chocar gastrites. Apartadas dos seus significados, andam as palavras aos soluços, evitando armadilhas de irreversibilidade.&lt;br /&gt;Imparável o arrojo do exército persa (usando a invocação de Salamina que Hélia Correia publicamente fez há alguns dias).&lt;br /&gt;Por exemplo: &lt;br /&gt;acho graça àquele argumento das regras a meio do jogo e outros clichés nesses arredores - creio que se referem aos princípios da segurança jurídica, da boa-fé e de outras regras obsoletas - a propósito da fuga fiscal, quando não há santo dia em que não mudem os modos de extorquir aos espoliados as básicas migalhas da sobrevivência.&lt;br /&gt;Contavam os empregados, já não digo com um emprego, mas pelo menos com o direito a indemnização quando postos porta fora sem motivo; pois bem, tirem daí o sentido, se alguma coisa levarem será o que pagarem previamente, que o bolso patronal necessita de assistência.&lt;br /&gt;Contavam os que recebem 475€ de salário mínimo receber mais 25€ no próximo ano. Pois contavam, mas não é possível, o ministro da economia explicou-nos que "é preciso empurrar a economia para a frente", ou seja, que as empresas amealhem e que os seus "colaboradores" poupem no leite.&lt;br /&gt;Contavam os funcionários públicos...adiante.&lt;br /&gt;Contavam os estudantes receber a bolsa a que têm direito no princípio do ano lectivo. Pois contavam. Mas deixaram de contar.&lt;br /&gt;Etc. etc. etc.&lt;br /&gt;E há aquela encantadora coincidência de se promover a miséria, por causa do austeritarismo TINA (There Is No Alternative) naquele que se nomeia ano mundial contra a pobreza. Não faz mal nenhum, substitui-se a busca da justiça pela caridade natalícia; a já de si eufemística "coesão social" pelo banco alimentar. O que levais no colo? São restos, meu senhor, sobras do restaurante, "todos os portugueses deviam sentir-se envergonhados" (todos, percebem? incluindo os que, por mau destino, caíram na miserável condição).&lt;br /&gt;E os impostos aumentam, sim, mas não para alimentar o monstro do estado&lt;br /&gt;aliás o que é um estado?&lt;br /&gt;talvez um estado de excepção. Uma excepção permanente, sem regra alguma que possa durar mais do que o momento de a impor. Era uma vez a democracia que se instalou na europa, langorosa, como se tivesse achado o seu lugar cativo. Um belo dia...&lt;br /&gt;o que é uma união de estados?&lt;br /&gt;que monstro alimenta este blood sweat and tears, ou é por ele alimentado?&lt;br /&gt;quem é que fala fardado de Angela Merkl?&lt;br /&gt;Aumentam, sim, os impostos, mas para salvar SALVAR salvar...&amp;nbsp;a economia a soberania os mercados alguém uma coisa qualquer. Pagam as pessoas para salvar os seus poderosos inimigos.&lt;br /&gt;Quanto nos vale a ironia? Coitada da ironia, tão sozinha, tão fora de moda. Coitados dos campos, que não são álvaros nem são capazes de emigrar nem de compreender o psi20. Permanecem, caeiros, impassíveis, desnavegantes, lusos, globalizadamente lusos.&lt;br /&gt;Adeus ó Esteves, adeusinho e até à próxima.&lt;br /&gt;As palavras regressam ao ginásio (IVA 23%). Hei, onde é que vocês vão? Esperem por mim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-5499898803771392247?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/5499898803771392247/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=5499898803771392247&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5499898803771392247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5499898803771392247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/12/as-palavras-vao-ao-ginasio.html' title='as palavras vão ao ginásio'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3980363972557931801</id><published>2010-10-24T19:49:00.000+01:00</published><updated>2010-10-24T19:49:05.964+01:00</updated><title type='text'>soberania etc.</title><content type='html'>Já toda a gente sabia e o tinha dito. Mas não é estimulante ver o Presidente da República reconhecê-lo no Expresso de ontem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E não vale a pena insultar os banqueiros internacionais, o FMI, que não nos ligam nada. Porque somos nós que precisamos de lhes pedir emprestado e são eles que decidem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este pragmatismo, quando está em causa a soberania nacional, assusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis os tempos que deixaremos por memória, desfundação da nacionalidade, erosão da identidade europeia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gainsbourg diria "contra os canhões etc."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3980363972557931801?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3980363972557931801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3980363972557931801&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3980363972557931801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3980363972557931801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/10/soberania-etc.html' title='soberania etc.'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2052527120028751129</id><published>2010-10-16T00:39:00.000+01:00</published><updated>2010-10-16T00:39:21.432+01:00</updated><title type='text'>escolhas</title><content type='html'>Quando nos impuseram a inevitabilidade e nos roubaram a palavra alternativa, ofereceram-nos um presente precioso: a interrogação do supérfluo.&lt;br /&gt;Sem querer desenharam-nos um cartaz no qual está escrita a palavra ESCOLHA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhemos, por exemplo, Sophia, prometendo regressar em busca dos momentos que passou longe do mar ou dizendo o desejo de lisura e branco&lt;br /&gt;"Um arco que se curve - até que o pranto&lt;br /&gt;De todas as palavras me liberte."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhemos Ruy Belo e o valor do vento, que entra nos seus versos de todas as maneiras&lt;br /&gt;"Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento&lt;br /&gt;O vento actualmente vale oitenta escudos&lt;br /&gt;Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhemos Óssip Mandelstam "contornando o sono e a morte _ ouvir&lt;br /&gt;o eixo da terra, o eixo da terra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou Paul Celan,&lt;br /&gt;"Fala também tu,&lt;br /&gt;fala em último lugar,&lt;br /&gt;diz a tua sentença."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apollinaire,&lt;br /&gt;vienne la nuit sonne l'heure&lt;br /&gt;Les jours s'en vont je demeure&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fica este céu, azul às vezes, outras de nuvens com formas esculpidas para imaginarmos outras formas, outro azul. Fica o mar, o longe que nos leva. Desconhecem o nome do país onde, generosamente, se demoram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhemos o olhar; a luz que vem, por exemplo, do fundo de uma mina chilena (a suspensão do egoísmo por um dia). Escolhemos, serenamente, o profundo movimento da terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2052527120028751129?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2052527120028751129/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2052527120028751129&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2052527120028751129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2052527120028751129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/10/escolhas.html' title='escolhas'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-564557783154413739</id><published>2010-09-11T15:18:00.001+01:00</published><updated>2010-09-11T15:22:53.449+01:00</updated><title type='text'>implosão social - a ideologia da excrescência</title><content type='html'>Título de Expresso de hoje: "O risco de uma explosão social".&lt;br /&gt;Não creio que o risco seja grande. Os pobres, humilhados, descrentes portugueses não tendem a explodir colectivamente. &amp;nbsp;Explode, cada um para seu lado, nos impropérios contra o árbitro, contra o outro condutor, contra o cônjuge ali à mão, contra o vizinho e contra "eles" em geral. Não contra o poder identificado, mas contra um conjunto informe dos que "estão no poleiro", "só querem tacho" e "são todos iguais".&lt;br /&gt;A realidade está bem descrita no artigo do semanário. Pecará por defeito, penso, olhando para os desamparados que se revezam nas cadeiras do tribunal onde trabalho. Mas o desamparo não os revolta contra o alvo, antes os indispõe contra quem pretenda ajudá-los. Não querem que se metam na sua vida. Têm razão. Não deviam precisar de ajuda. Deviam ver-lhes reconhecidos direitos. Mas quais direitos? Lá bem encadernados continuam eles, porém vislumbram-se na prática? Nem por isso.&lt;br /&gt;O poder, o poder que realmente decide, conhece esta ignorância e dela se aproveita. Precisamos, enquanto país, de cortar drasticamente a despesa? Claro, claríssimo. Mãos à obra. Reflictam, pensem, planeiem, decidam: cortar no excesso, na adiposidade, na excrescência. Aliás tiveram muitos anos para reflectir e planear, mas sem sucesso. Continuemos com a edição de hoje do "Expresso", Martim Avillez Figueiredo: "Um médico húngaro descobriu que bastava lavar as mãos e menos mães morreriam ao dar à luz. A despesa pública é como a falta de higiene desses velhos obstetras: basta limpá-la para que menos contribuintes morram estrangulados com o aumento de impostos". "43% dos impostos foram pagos por famílias com rendimentos entre 32 e 50 mil euros brutos por ano. São os pobres e os remediados quem financia esta despesa".&lt;br /&gt;E, claro, os paupérrimos, com os cortes nas prestações sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando começaram a fazer cortes cegos em tudo quanto é bolso (preservando, naturalmente, os que têm soberania sobre os bolsos alheios) pensei, credulamente, que era "apenas" insensibilidade social. Com este raid cirúrgico contra as prestações sociais percebi que não se trata de injustiça, mas sim de perversidade (ou de falta de coragem, o que, no contexto, vai dar ao mesmo).&lt;br /&gt;Sim, como diz o "Expresso", "os idosos e as crianças são os elos mais fracos". Curiosamente são também aqueles que não têm voz nem corpo para reagir. Nem sequer para marchar avenida abaixo quanto mais para agir livre e organizadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estado social na Constituição? Claro. É essencial que lá esteja para evitar a legalização da selva. Se houvesse uma Europa capaz, próxima dos cidadãos, também estaria nos Tratados. Talvez não assistíssemos a esta imposição do caminho único, a que ("Expresso" outra vez) Ricardo Costa chama "A revisão constitucional de Bruxelas".&lt;br /&gt;Mas não seria mais sério que o "Estado Social", ou seja, aquele que assegura aos cidadãos os serviços básicos de saúde, educação, justiça, cultura, saltasse da retórica para a vida?&lt;br /&gt;A vida nossa, a vida vidinha de cada um, idosos, crianças, desempregados, empregados a custo zero, precariado, mulheres com três empregos para sustentar os filhos abandonados no espaço escolar, homens em biscate permanente, 24 sobre 24 horas.&lt;br /&gt;Todos alvos a abater numa carreira de tiro.&lt;br /&gt;Todos excedentários, a verdadeira excrescência aos olhos do poder capitalista. A excrescência que o sustenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-564557783154413739?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/564557783154413739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=564557783154413739&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/564557783154413739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/564557783154413739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/09/implosao-social-ideologia-da.html' title='implosão social - a ideologia da excrescência'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4269562721632346329</id><published>2010-09-09T23:03:00.001+01:00</published><updated>2010-09-09T23:14:11.544+01:00</updated><title type='text'>Giorgio Agamben - sobre a reflexão</title><content type='html'>Tinha lido excertos, coisas dispersas, um ensaio ou outro, ou seja, muito pouco.&lt;br /&gt;Leio agora este conjunto recolhido com o título "Nudez". Fico deslumbrada. Pensamento e literatura conjugados numa escrita que enuncia, questiona, provoca, desafia. Convida a reler cada frase/ideia e diz-me que o livro, assim, não é susceptível de ser fechado; a sua expansão é interminável. Escrita lúcida, inventiva, belíssima.&lt;br /&gt;Da revisitação de Kafka, ou melhor de K., à "vida nua", toda a sabedoria converge numa visão perfurante do homem colocado no devir/ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Difícil a escolha do extracto, mas aí vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nada rende tantos pobres e tão pouco livres como este estranhamento da impotência. Aquele que é separado do que pode fazer, pode, todavia, resistir ainda, pode ainda não fazer. Aquele que é separado da sua impotência perde em contrapartida, antes de mais, a sua capacidade de resistir. E como é somente a calcinante consciência do que não podemos ser a garantir a verdade do que somos, assim também é somente a visão lúcida do que não podemos ou podemos não fazer a dar consistência ao nosso agir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvidas de que, se houvesse mais reflexão e menos comentário pobre sobre palavras vãs, a coisa sempre estaria um pouco menos feia (se calhar até a selecção não seria este desastre).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4269562721632346329?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4269562721632346329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4269562721632346329&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4269562721632346329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4269562721632346329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/09/giorgio-agamben-sobre-reflexao.html' title='Giorgio Agamben - sobre a reflexão'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-6539136323665056147</id><published>2010-09-01T23:57:00.000+01:00</published><updated>2010-09-01T23:57:28.552+01:00</updated><title type='text'>mãe, um ano depois</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Então houve o dia em que os pés esqueceram o ritmo da máquina de costura. As pernas esqueceram o caminho para o mercado. As vizinhas deixaram de coscuvilhar portas adentro. As paredes esconderam o horizonte. Como uma pedinte, mendigava até por um copo de água no cárcere do lar que fora meu. O bolor bichando a casa e o corpo amarrado, sem chegar nem a meio caminho dos olhos estarrecidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Quando perdia um movimento, um irmão, uma palavra, pensava que fora a perda última. Que as perdas estão contadas pelo poder superior, tão compassivo que encurtaria o número final. Com muito pensamento piedoso, de parte a parte, talvez pudesse mesmo oferecer-me em troca nova aquisição. Mas passavam-se os anos e as perdas continuavam a medrar, arruinando o tempo, roendo-o pior que bicho da madeira. Ou verme antecipado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Foi assim que me ocorreu o fim da história. Dias a fio medindo forças com as pernas, insultando-as. Noites em que as carregava às costas e deslizava pela casa toda, abria as janelas, batia os tapetes, esfregava os vidros, a limpeza geral da Primavera. As pernas moucas nunca me fizeram a vontade, como de resto ninguém fazia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; line-height: 150%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt;"&gt;Por isso fui fechando os olhos cada vez mais longamente, cada vez mais fundo. Até que alguma coisa cheia de dó mos fechou para sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 8.5pt; margin-right: 2.85pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Tenho uma filha e um neto, tenho uma casa na terra, outra no céu.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 11.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;&lt;br clear="ALL" style="mso-special-character: line-break; page-break-before: always;" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-6539136323665056147?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/6539136323665056147/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=6539136323665056147&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6539136323665056147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6539136323665056147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/09/mae-um-ano-depois.html' title='mãe, um ano depois'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2711695189768714317</id><published>2010-08-22T20:21:00.001+01:00</published><updated>2010-08-27T23:57:38.307+01:00</updated><title type='text'>autoretrato</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/THF4fczIn1I/AAAAAAAAADA/e_3BxQcKwUQ/s1600/Fotografia0081.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/THF4fczIn1I/AAAAAAAAADA/e_3BxQcKwUQ/s320/Fotografia0081.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2711695189768714317?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2711695189768714317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2711695189768714317&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2711695189768714317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2711695189768714317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/08/auto-retrato.html' title='autoretrato'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/THF4fczIn1I/AAAAAAAAADA/e_3BxQcKwUQ/s72-c/Fotografia0081.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8918718820393480005</id><published>2010-08-19T22:29:00.000+01:00</published><updated>2010-08-19T22:29:36.682+01:00</updated><title type='text'>benditos alfarrabistas</title><content type='html'>AMOR-PERFEITO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pus-me um dia a procurar,&lt;br /&gt;Por toda a parte, um amor-perfeito.&lt;br /&gt;Desceu uma estrela do céu,&lt;br /&gt;A mandado de Cupido,&lt;br /&gt;Que, devagar, em segredo,&lt;br /&gt;Me murmurou ao ouvido:&lt;br /&gt;"Não procures amor-perfeito,&lt;br /&gt;Porque não hás-de encontrar;&lt;br /&gt;Deus Cupido não consegue&lt;br /&gt;Amor perfeito moldar".&lt;br /&gt;E eu deixei de procurar,&lt;br /&gt;Até que um dia te vi!...&lt;br /&gt;E hoje sei, afinal,&lt;br /&gt;Que, ou a estrela me mentiu,&lt;br /&gt;No que me disse ao ouvido,&lt;br /&gt;Ou o teu amor não foi&lt;br /&gt;Obra desse deus Cupido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O LIVRO É BOM COMPANHEIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão lindo ter cultura,&lt;br /&gt;Saber ler e escrever,&lt;br /&gt;Também sabermos falar&lt;br /&gt;Tudo o que queremos dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tantos analfabetos,&lt;br /&gt;Tanta gente ignorante.&lt;br /&gt;Nunca tivemos cultura,&lt;br /&gt;Acho que é humilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses tempos já passados&lt;br /&gt;Pouca cultura existia,&lt;br /&gt;Pois havia quem dissesse&lt;br /&gt;Que falta lhe não fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é bom companheiro&lt;br /&gt;Para aqueles que sabem ler.&lt;br /&gt;Àqueles que nada sabem&lt;br /&gt;Nada lhes pode dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAIS MENTIRAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi dois ratos lavrando,&lt;br /&gt;A puxar pelo arado;&lt;br /&gt;Um grilo muito engraçado&lt;br /&gt;Ia atrás deles cantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um cão, um corridinho&lt;br /&gt;Vi uma cabra dançando.&lt;br /&gt;Vi um lobo a beber vinho,&lt;br /&gt;Uma ovelha namorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi um coelho fadista&lt;br /&gt;Tocando uma guitarra,&lt;br /&gt;Ouvi uma grande artista&lt;br /&gt;A que se chama cigarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi um morcego com pernas,&lt;br /&gt;Vi uma lebre fardada,&lt;br /&gt;Vi as rolas no cinema,&lt;br /&gt;Vi o tordo na tourada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma grande barriga&lt;br /&gt;Vi um leão bater sola.&lt;br /&gt;Nas costas de uma formiga&lt;br /&gt;Já vi um jogo de bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Poemetos achados no livro "Literatura Popular do Distrito de Beja", coordenado por Manuel Viegas Guerreiro e António Machado Guerreiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também me regalei com uma "Peregrinação" (1946) e uns "Quadros da Crónica de D. João I" (1951) ambos com notas de Rodrigues Lapa. E umas receitas de confeitaria de 1866. Espalhei tudo à minha volta e fui debicando ali e aqui. O paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No actual estado das "cousas" não vale a pena (salvo excepções raríssimas) comprar livros nas "livrarias".&lt;br /&gt;Valham-nos a prática Amazon e os santos alfarrabistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8918718820393480005?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8918718820393480005/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8918718820393480005&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8918718820393480005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8918718820393480005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/08/benditos-alfarrabistas.html' title='benditos alfarrabistas'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4769136382574526673</id><published>2010-07-30T22:28:00.001+01:00</published><updated>2010-07-30T22:32:30.085+01:00</updated><title type='text'>freeport: que vergonha</title><content type='html'>Desta vez não consigo calar a indignação, o desalento.&lt;br /&gt;Não andamos aqui a dar o litro, &amp;nbsp;tenteando por entre os carreiros sinuosos da "justiça", para chegarmos a isto. Esta coisa. Esta barraca total e, provavelmente, fatal.&lt;br /&gt;Não há volta a dar: nos últimos meses (já desconto os anos de paralisação) não houve tempo para ouvir o primeiro-ministro?? Incompreensível. Alguém impediu a audição?? Gravíssimo, devia ter sido denunciado publicamente em tempo próprio. Alguém impôs um prazo? Por escrito?? Muito grave. Porque é que não se reagiu pelos meios possíveis? Pôr isso no despacho de arquivamento? A que propósito??&lt;br /&gt;Escarrapachar num despacho de arquivamento as perguntas que deveriam ter sido feitas se? Para quê?? Qual foi o objectivo que se pretendeu alcançar??&lt;br /&gt;Então mas agora os despachos decisórios são enovelados em insinuações??&lt;br /&gt;Alguém está impedido de falar claro??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barraca total para a imagem do ministério público e fatal para a sua acção futura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vergonha. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4769136382574526673?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4769136382574526673/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4769136382574526673&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4769136382574526673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4769136382574526673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/07/freeport-que-vergonha.html' title='freeport: que vergonha'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-6127940917060820673</id><published>2010-07-30T00:25:00.002+01:00</published><updated>2010-07-30T22:51:16.360+01:00</updated><title type='text'>passos e espreitadelas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;Deixamos a avenida acontecer-nos. Não estamos na América. Pynchon está escondido do outro lado do mundo. Mas nem mimetizar seria suficiente. Nada chega à voracidade da avenida, capaz de absorver todos os excessos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;Os nossos passos são uma fórmula de cortesia. Intimidados pela exuberância, não se apressam nem se atrasam. Limitam-se a transportar os olhos e os ouvidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;A mão falará a seu tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; *&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;A morte e o matador podiam subir lado a lado os quatro lanços, elogiando a largueza e o encerado dos degraus.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;Quando tocassem à porta seriam um casal de circunstância, o aposento estaria pronto para o ménage &amp;nbsp;à trois.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; *&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;O ecrã impõe a ordem na barafunda do compartimento. Restos de praia, de pressas, de preguiça.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;As cores deambulam, misturam-se com vozes e pernas em vertigem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;Só o ecrã vigia, ordena.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;Como uma fotografia colada no movimento da paisagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; *&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;Tanto conhecimento intimida-nos, já nem sabemos o que perguntar. Se ele não estivesse ali o mundo não existia. Mais: sem a risquinha ao lado no cabelo nem deus saberia o que é a ordem, ao caos estaria o universo condenado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;Inventamos um nome e uma origem, a ver se pega. Não senhor. Ele tem os ecrãs, ele tem as folhas pautadas, ele tem a memória. Não nos dá abébias. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;Porém, amavelmente, concede-nos uma visita ao andar superior. Empresta-nos uma chave, para espreitarmos. Quando voltamos a descer, cinco minutos depois, devolvemos-lhe a chave humildemente. Gratos por nos deixar existir assim, de vez em quando. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;*&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;Não tarda nada teremos de voltar aqui. Por enquanto mãe e filha dispõem a tralha no espaço disponível, pouco mais de um metro entre a parede e a cama. O carrinho de bebé, empurrado avenida abaixo, transportou o televisor e a panela.&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;No meio do desalinho a miúda encontra lápis de cor e começa a desenhar uma janela na parede. A mãe ralha com ela. Só podes ver o mundo quando o mundo te quiser ver a ti.&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-6127940917060820673?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/6127940917060820673/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=6127940917060820673&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6127940917060820673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6127940917060820673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/07/passos-e-espreitadelas.html' title='passos e espreitadelas'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2998912740006504143</id><published>2010-07-21T21:25:00.000+01:00</published><updated>2010-07-21T21:25:40.144+01:00</updated><title type='text'>pelos olhos da justiça</title><content type='html'>A frase progride enquanto é escrita. O dia progride enquanto avançamos no desejo, até à meta. E o ano também progride até às férias: o natal, o sol. E enquanto o desejo &amp;nbsp;conduz o movimento em progressão, o tempo impõe o movimento inverso. Então para aqui andamos, acrescentando coisas à vontade, aflitos por chegar ao momento seguinte e aos distantes, sem repararmos que avançamos para o menos, que o desejo nos impele, na realidade, a recuar. Vivemos na doce ilusão ("ou o que quiserem") de um rumo, de um sentido. E afinal os dois contraditórios movimentos tornam paradoxal o nosso andar, ridículo o desejo de atingir a meta. Muitos dos grandes textos literários captam o centro deste movimento e o absurdo do impasse: Kafka, Borges, Shakespeare, Beckett, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no entanto, vamos supor: se pudéssemos inventar sentidos para a deambulação? Olhar de outra maneira antes de prosseguir? Algo criou os homens e os homens criaram a perspectiva. Podem mudá-la a qualquer passo, podem mudar muito através dessa mudança.&lt;br /&gt;Engenheiros navais ou guardadores de rebanhos? Quando damos por nós já escolhemos o destino, o que as estrelas escreveram foi o nosso olhar que o inventou. Prescindirmos do poder de experimentar as perspectivas, tão escasso, isso sim parece-me o grande desperdício, a espera eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mim, enquanto tento o sorriso sobre o movimento paradoxal, ensaio as várias perspectivas. Atrai-me a tranquilidade do pastor, incólume perante o susto das rezes a abater. Tão doce ver o mundo à mercê de uma força sobre-humana, apenas moldável pelo tempo. &amp;nbsp;Tão doce e tão injusto.&lt;br /&gt;Quando dei por mim já tinha escolhido o destino: desmentir as evidências, interpor entre mim e a natureza a construção da justiça. Não dá jeito nenhum. Bichinho da terra tão pequeno, vou por aí com mais um bando de estarolas, tentando atribuir sentido à viagem cujo início nos escapa e cujo fim ignoramos por inteiro. Tentando tornar menos ridículas as metas, mudando-as de local, fintando o tempo.&lt;br /&gt;Cá vamos pedalando contra o vento. O prémio da montanha de sísifo já é nosso. O resto sabe-se lá. O que interessa, querida Sophia, é que "a busca da justiça continua".&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2998912740006504143?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2998912740006504143/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2998912740006504143&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2998912740006504143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2998912740006504143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/07/pelos-olhos-da-justica.html' title='pelos olhos da justiça'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-6720337175344784976</id><published>2010-06-27T18:04:00.003+01:00</published><updated>2010-06-27T21:10:42.388+01:00</updated><title type='text'>o amor segundo saramago</title><content type='html'>"Que é feito do José Dinis?" E ela, sem mais palavras, respondeu: "O José Dinis morreu." Éramos assim, feridos por dentro, mas duros por fora. As coisas são o que são, agora se nasce, logo se vive, por fim se morre, não vale a pena dar-lhe mais voltas, o José Dinis veio e passou, choraram-se umas lágrimas na ocasião, mas o certo é que a gente não pode levar a vida a chorar os mortos."&lt;br /&gt;(José Saramago, "As Pequenas Memórias")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago ter-se-á precipitado no inferno ao peso da maçaroca que escondeu do outro José, como vaticinou? O que levou José, o Saramago, a evocar este episódio no fecho das suas "Pequenas Memórias"? E a encerrá-las com o segredo do homem e da mulher casada, nas ruínas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondo eu: o amor.&lt;br /&gt;Decomponha-se o sentimento, ou o impulso, nas suas vastas acepções. Ou escolha-se a que de chofre nos fulmine. Sabemos o que é, o amor.&lt;br /&gt;O amor aprendido na terra e no calor dos homens, replicado em todas as dimensões do ser e, plenamente então, no outro. Na palavra. Na mulher amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pecado - não mostrar ao José Dinis a maçaroca que, mostrada, lhe teria enchido a sacola - identifica-o este José, o que se fala escrevendo-nos, com qualquer delito contra o amor. Culpa sente-a por ter calado uma palavra que anularia o sofrimento de um homem semelhante a si. Por isso lhe repete agora o nome, José Dinis, o nome de todos os nomes, José, o do quarto elemento - o elemento humano - da santíssima trindade. Gratificação sente-a por ter calado a palavra que poria fim à felicidade dos que amam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus vê-o José como o mais grave dos delitos contra o amor. Daí nasce a imensa imprecação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Éramos assim, feridos por dentro, mas duros por fora", escreveu.&lt;br /&gt;Quem teve o privilégio de o ler e de o conhecer riscará o "mas" da frase e continuará sorrindo.&lt;br /&gt;O grande amor construiu esse sorriso.&lt;br /&gt;O grande amor construiu Pilar muito antes de se verem. Muito antes do Livro dos Conselhos.&lt;br /&gt;No encontro do amor não há fronteira entre personagem e vida atestada por competente certidão. Algum motivo houve para se terem reconhecido através de outro encontro: "Então bateram à porta. Ricardo Reis correu, foi abrir, já prontos os braços para recolher a lacrimosa mulher, afinal era Fernando Pessoa, Ah, é você, Esperava outra pessoa."&lt;br /&gt;Muito antes de se verem, por tê-lo querido a mulher. As mulheres, repetiu-o ele, vêem antes, vêem mais, vêem em vez de. "Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara."&lt;br /&gt;Pilar pôde tudo. Assim nasceu, com essa visão criada pelo grande amor. Assim a criou José, com o olhar que ama antes da primeira palavra, além da última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blimunda, Lídia, Pilar, Marcenda, A mulher do médico, Pilar, a mulher, a morte, Pilar. Nunca o modo feminino de enfrentar a crueldade - ferida por dentro, dura por fora; terna, determinada, condoída - foi melhor entendido por um homem. Nunca o poder transformador desse olhar presciente, substituto da inexistente compaixão de deus, foi melhor dito pela língua portuguesa.&lt;br /&gt;Nunca a mulher foi mais amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago não quis ver o rosto de Blimunda. O avô abraçara-se às árvores, despedindo-se de cada uma. A morte abraçara-se ao violoncelista.&lt;br /&gt;José abraçou Pilar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-6720337175344784976?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/6720337175344784976/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=6720337175344784976&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6720337175344784976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6720337175344784976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/06/saramago-o-amor.html' title='o amor segundo saramago'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-480978070296189762</id><published>2010-06-18T22:17:00.001+01:00</published><updated>2010-06-18T22:26:27.748+01:00</updated><title type='text'>Saramago, últimas palavras</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/TBvjzCQpg8I/AAAAAAAAAC4/4pL-zBCstBo/s1600/DSC00149.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/TBvjzCQpg8I/AAAAAAAAAC4/4pL-zBCstBo/s320/DSC00149.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://caderno.josesaramago.org/2010/06/18/pensar-pensar/"&gt;http://caderno.josesaramago.org/2010/06/18/pensar-pensar/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-480978070296189762?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/480978070296189762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=480978070296189762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/480978070296189762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/480978070296189762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/06/httpcaderno.html' title='Saramago, últimas palavras'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/TBvjzCQpg8I/AAAAAAAAAC4/4pL-zBCstBo/s72-c/DSC00149.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8610072081547767410</id><published>2010-06-16T22:24:00.001+01:00</published><updated>2010-06-16T22:33:28.011+01:00</updated><title type='text'>breve história do lixo</title><content type='html'>Um homem sozinho à mesa do pequeno-almoço de um hotel está em viagem de trabalho. Uma mulher sozinha sabe-se lá. Sapatos rasos, t-shirt e calças de algodão, está em passeio. Trôpega, gorducha e curvada, envelheceu.&lt;br /&gt;É uma velha a viajar sozinha.&lt;br /&gt;O cabelo cortado a direito, abaixo da nuca, a tira branca alastrando a partir do risco ao meio.&lt;br /&gt;Encontra-se a mulher à mesa do restaurante perto do hotel à hora do jantar. Lê a ementa e faz o pedido com sotaque italiano. No dia seguinte encontramo-la às mesmas horas. Uma velha italiana a viajar sozinha.&lt;br /&gt;Começa a construir-se a história.&lt;br /&gt;Com aquela idade podia contar de Mussolini a Berlusconi, de Fellini a Moretti e ao Belocchio de "Vencer", de Vittorini a Ammaniti. Da crise à guerra à europa a Moro à europa à crise. E os amores. E a beleza.&lt;br /&gt;Actriz? Guerrilheira? Porque não dona-de-casa? Viúva? Abandonada?&lt;br /&gt;Porquê sozinha?&lt;br /&gt;Com aquele ar tombado sobre o mundo e o saquinho na mão (o lanche? uma máquina fotográfica? um caderno?) porque não será ela a escritora? A que nos topa à mesa do pequeno-almoço e desata a escrever a nossa história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história constrói-se assim, nos seus múltiplos ramais, evoluindo do plúrimo para o uno. A unidade da escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, pensava eu, se iria construindo a história dos territórios culturais, enquanto identidades inscritas no tempo, expostos à vida e aos olhares.&lt;br /&gt;Mas, neste momento histórico a que atarantadamente assisto, não consigo reconhecer as possibilidades narrativas. Sem as possibilidades não há escolha.&lt;br /&gt;Sem escolha não há cosmos, não há história.&lt;br /&gt;Cosmos, ou seja, o espaço universal, palavra vinda do termo grego "kósmos".&lt;br /&gt;O conceito grego de universo.&lt;br /&gt;O conceito grego de "demokratía", composto pelos elementos "dêmos" - povo e "krátos" - poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conceitos agora classificados pela plutocracia ("ploutokratía") com um bb-, vulgarmente designado "lixo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8610072081547767410?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8610072081547767410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8610072081547767410&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8610072081547767410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8610072081547767410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/06/breve-historia-do-lixo.html' title='breve história do lixo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-136722649933290348</id><published>2010-06-06T22:24:00.002+01:00</published><updated>2010-06-08T21:52:22.852+01:00</updated><title type='text'>um ano depois da morte</title><content type='html'>O que se espreita, quando a terra nos cobre, é a irrelevância. A tontice da vida além do gesto inaugural. O gesto que escapa até ao verbo. Só isso não é vão. O movimento imparável, o navio infinito. Só isso é sério. O resto, um festim monstruoso. Ao pó hás-de voltar, sim, se ressuscitares dos mortos e quiseres viver em paz com os anjos da mentira. Olhem para eles, bailam sem norte, os anjos estropiados. Seguem o fogo de artifício, voam, vivem e não caem. O mercado, senhores, batei com a testa no chão.&lt;br /&gt;Onde fica o sonho, onde fica a arte, onde fica a justiça nesta tela gigante? Onde fica o amor? São meteoros sem lugar. Recordam o que aprenderam sobre a trajectória da luz? Lembram-se daquilo a que chamamos velocidade? Assim a distância desses atributos à tela desenrolada numa imagem sem tréguas. Nasceram muito antes ou nascerão depois, agora não é tempo. Vejo-os chamas fugidias, partículas errantes.&lt;br /&gt;Aqui, misturado com as raízes, ainda não percebo a crueldade. Nem a esqueço. Não me deixam esquecer. A verborreia acaba lá em cima, a palavra não acaba. A saudade fica lá em cima, os vestígios não. O castigo anda por lá, a verdade não.&lt;br /&gt;Os meus amigos brindam com chávenas de vidro. Eu vou atrás e parto a chávena. Mesmo assim ergo um viva! Não sei a quê, mas alguma coisa há-de merecer.&lt;br /&gt;Aqui, onde as viagens se confundem. E é preciso parar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-136722649933290348?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/136722649933290348/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=136722649933290348&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/136722649933290348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/136722649933290348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/06/um-ano-depois-da-morte.html' title='um ano depois da morte'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-5395173402115971319</id><published>2010-05-13T21:37:00.000+01:00</published><updated>2010-05-13T21:37:39.294+01:00</updated><title type='text'>eu também prefiro a coca-cola</title><content type='html'>No caminho entre Sintra e Cascais, um cartaz de publicidade à Pepsi, em jeito de propaganda eleitoral, fundo verde claro, a fotografia do produto em tons de azul. O slogan é "MUDAR". A visão do cartaz foi o golpe de um desgosto súbito - o requiem pelo sentido essencial da palavra "mudança". Talvez o canto do cisne tenha sido a campanha de Obama, de certo modo alguns êxitos da sua governação.&lt;br /&gt;Por estas europeias paragens o sentido de "mudar" foi erodido até se confundir com o de "mover" ou o de "trocar de posição" geométrica. A ambição de "transformar" já não mora aqui. O desejo de "tornar diferente" transferiu-se para o de "deslocar". Mudou. Esse, sim, mudou ("e afora este mudar-se cada dia outra mudança faz de mor espanto, que não se muda já como soía").&lt;br /&gt;Podemos, portanto, escolher entre um local e outro: mudar de posição na cama, virar o corpo para o lado esquerdo ou para o lado direito. Podemos escolher entre duas faces da mesma vã moeda, que se vigiam e sucedem continuamente. Escolher entre produtos rivais, entre a Pepsi e a Coca-cola.&lt;br /&gt;Invocar assim a desgastada palavra "mudar" é uma prova de que a Pepsi está sem argumentos, desistiu de vencer. Até o primeiro-ministro, quando deu o exemplo de um bem de consumo injustamente taxado com 5%, agora mais justamente taxado com 6%, se lembrou da Coca-cola e não da Pepsi. (Como &amp;nbsp;eu o acompanho, neste exemplo.)&lt;br /&gt;Desistiu, a Pepsi, tal como nós vamos desistindo. Viajando pelo mundo à falta de viajar na vida. Empreendendo deslocações em vez de demandas. Apoiando-nos ora na perna esquerda ora na direita, à medida do nosso cansaço sempre-em-pé. Mudar o cenário, transformar os percursos, já não é connosco.&lt;br /&gt;Na sociedade bulímica que nos construíram, entupindo-nos para logo a seguir nos fazerem vomitar, sentimo-nos como peixe na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo tem-se alimentado assim, incentivando os danos para depois nos cobrar a indemnização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não nos importamos. Só nos aborrecem os transtornos pontuais, as subidas de impostos, o paleio dos políticos, etc. Queixamo-nos e andamos. Ora pois. Temos o que merecemos. Muda-se o ser??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-5395173402115971319?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/5395173402115971319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=5395173402115971319&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5395173402115971319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5395173402115971319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/05/eu-tambem-prefiro-coca-cola.html' title='eu também prefiro a coca-cola'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3185477018368042740</id><published>2010-05-12T22:14:00.003+01:00</published><updated>2010-06-08T21:53:06.673+01:00</updated><title type='text'>a viagem de baltazar</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Naquela manhã, às 11h 32m em ponto, Baltazar fez um achado: no chão da biblioteca, caído atrás da estante do canto, estava o exemplar raro da primeira edição do «Corpus Dialogis» e, passeando metodicamente sobre a capa, a barata mais snob que algum dia conhecera. Matilde, assim se revelou a Baltazar (tão avesso a nomear os seres) o nome da barata, devia andar faminta de madeira, mas nada a distraía da viagem. Parecia fascinada pelo jardim aveludado que abrigava a obra. E Baltazar fascinado pela modo elegante do insecto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;De onde conhecia Matilde? Sentado no chão, Baltazar dava voltas à cabeça tentando recordar aquele porte, aquele deslizar, aquela ligeira tremura da asa esquerda, o castanho rugoso do movimento. Imaginou cenários variegados, quase todos descritos em livros que viajavam através do pó. Até que, de repente, o cenário mudou e se tornou recanto entre paredes, vértice branco com nódoas de bolor, cortinas às riscas carmesim já desbotado, um quadro representando uma caçada à raposa, muito mal reproduzido. Aquele hotel em Londres, claro, como é que se chamava? Matilde teria emigrado para os antípodas? A cavalo do «Corpus Dialoganti»? &amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Naquele recanto do quarto de hotel Matilde não parecia interessada em literatura. Estava ali quieta e um tanto mimética, evidentemente desenraizada. Talvez o seu interesse por histórias e vozes que se encontram tivesse nascido da sucessão de personagens que povoaram o quarto, com os seus enlaces e enredos, as suas tragédias portáteis, facilmente acondicionáveis num &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;nécessaire&lt;/i&gt; ou no bolso interior da gabardina. Podia até ter nascido do episódio do seu salvamento, exclusivamente devido à natureza sistemática da perplexidade interior de Baltazar (e à distracção da mulher dele). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Em todo o caso, o meio de transporte que achara para se deslocar não podia ser indiferente à raridade da sua natureza. O “Corpus Dialoganti” era tido como o precursor de todos os escritos heréticos, o livro escrito pelo primeiro homem que ousou afirmar a descrença. Nele as coisas falavam entre si com espanto, malícia, curiosidade. Mas sem medo algum, sem submissão. Tu cá-tu lá com o universo, alheias a intermediários. Tão vizinho de si, o texto, avesso dos profetas, que quando deu pela sua falta percebeu que já passara muito tempo sobre a perda e que, de facto, não a sentira assim, porque já em si próprio se tornara. Memória e ser o mesmo gosto de dar um passo atrás de um passo, ou de ouvir as ondas muito perto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Agora sorria Baltazar ao regresso do livro. E de Matilde, o insecto mais real de Londres e do mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Olá companheiros, saudou. Deixam-me entrar na vossa viagem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O silêncio displicente do bicho e do livro era uma clara manifestação de vontade e como tal foi entendido. Baltazar queria crescer em sabedoria, ou seja, viajar. Portanto pendurou-se, na esperança que lhe fosse mostrada virtude sem que os caminhos livres se tornassem interditos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Tentou muito. Releu o livro de uma ponta à outra, enquanto afagava Matilde, afeiçoando os dedos à aspereza da carapaça. Mas os trajectos nunca coincidiram. Mal devolveu o livro ao seu lugar privilegiado na estante, Baltazar viu Matilde saltar e no mesmo segundo sentiu-a enfiar-se-lhe por dentro da camisa. Que horror! Comichão repelente, desesperada, muito pouco virtuosa. Sacudindo a camisa, disse adeus à barata, outra vez sem nome.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;No dia seguinte o "Corpus Dialoganti" desaparecera sem deixar vestígio. Baltazar nunca mais o procurou. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-left: 8.5pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3185477018368042740?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3185477018368042740/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3185477018368042740&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3185477018368042740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3185477018368042740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/05/viagem-de-matilde.html' title='a viagem de baltazar'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-6625219670775959266</id><published>2010-04-30T22:44:00.001+01:00</published><updated>2010-04-30T23:07:00.650+01:00</updated><title type='text'>república criativa</title><content type='html'>por exemplo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- um Live Aid para salvar o país&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- um leilão das gravatas do primeiro-ministro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- um concurso de beleza entre o primeiro-ministro e o líder do maior partido da oposição com apostas a reverter para o fundo de salvação nacional&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o aluguer de salões da CGD para eventos ou mesmo para anexos de habitação de luxo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- um livro escrito pela plêiade dos nossos economistas/comentadores com a receita para a crise lançado à escala global virando best-seller em dois dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a operação "Salvar Portugal" tornada show televisivo, com peditório nas redes sociais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a nacionalização da colecção Berardo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- uma caixinha de esmolas à porta dos conselhos de administração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;etc. etc. etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tantas formas de financiamento da República!&lt;br /&gt;tantas formas para incentivar as indústrias criativas, elas mesmas fonte de futuro e de prosperidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com tantas tantas formas o Bloco Central sai com a menos criativa, mais estafada, mais paupérrima das ideias: saquear as prestações sociais.&lt;br /&gt;Também acho que devem ser fiscalizadas, arranjem-se fiscais (mesmo que a recibo verde) para esmiuçar as fraudes. Mas cortá-las a eito elegendo como inimigos os mais frágeis do sistema, eis uma forma repulsiva de cobardia política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a medida é anunciada por homens que usam gravatas várias vezes mais caras do que o subsídio de desemprego comum, os adjectivos apagam-se. Restam as imprecações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-6625219670775959266?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/6625219670775959266/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=6625219670775959266&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6625219670775959266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6625219670775959266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/04/republica-criativa.html' title='república criativa'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7821668869220457948</id><published>2010-03-05T23:25:00.001Z</published><updated>2010-03-05T23:36:06.857Z</updated><title type='text'>verdade, fé e guilhotina</title><content type='html'>A erosão da confiança nas instâncias de enunciação da verdade pode conduzir a três sentimentos, qual deles o menos lúcido, qual deles o menos são: a fé, a incapacidade de acreditar na mínima palavra e/ou o crescimento absurdo dos mecanismos de ilusão.&lt;br /&gt;Vivemos um cenário em que a política desacredita a justiça que por sua vez se desacredita a si própria e à política. Os media desacreditam todos, incluindo-se (percebendo-o ou não) neste circuito angustiante. No topo desta construção disforme estão sentados, como pequenos deuses invulneráveis, os senhores comentadores, que substituíram as ditas instâncias por directivas, já não enunciações mas imposições de verdades transaccionadas na bolsa de valores . Não por acaso, de um modo geral, os senhores comentadores veiculam as posições de quem mais manda nesta geringonça dos poderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me parece que se possa fazer grande coisa para mudar este cenário. Não é certamente um problema de pessoas concretas, espécie, aliás, em vias de extinção. As pessoas passam, os cargos e os encargos permanecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja uma boa época para rupturas, quem sabe se até no campo das "artes, letras e ideias". Um incentivo ao aparecimento de grandes obras essencialmente novas. No romance, por exemplo, esse género a precisar de novos fôlegos.&lt;br /&gt;E também de lógicas menos parecidas com a da Rainha de Copas a gritar OFF WITH HER HEAD quando o mercado impõe a guilhotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mude-se o ser, mude-se a confiança&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7821668869220457948?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7821668869220457948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7821668869220457948&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7821668869220457948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7821668869220457948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/03/verdade-fe-e-guilhotina.html' title='verdade, fé e guilhotina'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2956252786677625060</id><published>2010-02-04T22:35:00.000Z</published><updated>2010-02-04T22:35:39.023Z</updated><title type='text'>confiança ou um café muito bem tirado</title><content type='html'>- Apenas cerca de 12% dos portugueses têm um vencimento superior a 1200€.&lt;br /&gt;Os restantes 88% ou ganham menos ou não ganham nada. Ou ganham milhões. Invisíveis milhões.&lt;br /&gt;Entre o biscate desenrasca e os negócios manhosos, quase toda a actividade económica no território pátrio se desenrola em permanente ilusionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando os valores em euros passam da casa do milhar para a dos milhões, 80% dos portugueses fica baralhado e atarantado com o exagero, incapaz de fazer comparações, quanto mais de avaliar razões. Tudo os faz pender para acompanhar com mais rigor as partidas do futebol e emitir juízos sérios sobre a competência da arbitragem e a justiça dos resultados. E para ajustar a realidade inteira a este mundo restrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entre 30 países da OCDE Portugal ocupa o 3º lugar na escala da desigualdade. Logo a seguir ao México e à Turquia. Angola não entra na contagem. O nosso nível de desigualdade é de cerca de 48%.&lt;br /&gt;O da Dinamarca é de 18%. O da Espanha, aqui ao lado, 32%. O da nossa rival Grécia é de 33%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois daquela ideia da praia de Madrid alguém teve outros planos para o país?&lt;br /&gt;Isto não é só fazer as contas.&lt;br /&gt;Onde é que pára o ministro da economia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será estulto pensar que devíamos estar todos em debate cooperante para inventar um futuro plausível em vez de ocupados a rasteirar-nos uns aos outros a ver quem cai mais depressa? e com mais estrondo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &amp;nbsp;A confiança dos mercados internacionais. Pois, a confiança. Alguém confia num vagabundo a remexer &amp;nbsp;os trocos no fundo do bolso a ver se lhe dão para uma sandes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nos tempos que correm comovem-me os trabalhadores das obras (todos imigrantes), os caixas de supermercado (universitários ou licenciados), as mocinhas que me trazem um sumo ou tiram com brio um bom café. Ainda acreditam no trabalho. Inspiram-me confiança. Não é estranho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2956252786677625060?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2956252786677625060/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2956252786677625060&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2956252786677625060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2956252786677625060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/02/confianca-ou-um-cafe-muito-bem-tirado.html' title='confiança ou um café muito bem tirado'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-852780198415103677</id><published>2010-02-03T21:40:00.000Z</published><updated>2010-02-03T21:40:41.689Z</updated><title type='text'>o blogue de mestre gil</title><content type='html'>FIDALGO. &amp;nbsp;A estoutra barca me vou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Hou da barca!...Pera onde is?...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Ah barqueiros, não m'ouvis?...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Respondei-me!...Hou lá, hou!...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Pardeos, aviado estou!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; (cant'a isto é já pior)&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Que gericocins, salvanor!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Cuidam cá que sou eu grou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANJO. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Que mandais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIDALGO. &amp;nbsp;Que me digais,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; pois parti tam sem aviso,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; se a Barca do Paraíso&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; é esta em que navegais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANJO. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Esta é. Que lhe buscais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIDALGO. Que me leixeis embarcar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Sou fidalgo de solar:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;é bom que me recolhais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANJO. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Não s'embarca tirania&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; neste batel divinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIDALGO. Não sei porque haveis por mal&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;que entre Minha Senhoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANJO. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Pera vossa fantesia,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; mui pequena é esta barca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIDALGO. Pera senhor de tal marca&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;não há qui mais cortesia?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Venha a prancha e o atavio!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Levai-me desta ribeira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANJO. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Não vindes vós de maneira&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; pera entrar neste navio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Essoutro vai mais vazio:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; a cadeira entrará,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; e o rabo caberá,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; e todo vosso senhorio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Ireis lá mais espaçoso&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; - vós e Vossa Senhoria -,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; contando da tirania,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; de que éreis tam curioso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; E porque, de generoso&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; desprezastes os pequenos,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; achar-vos-eis tanto menos&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; quanto mais fostes famoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-852780198415103677?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/852780198415103677/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=852780198415103677&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/852780198415103677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/852780198415103677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/02/o-blogue-de-mestre-gil.html' title='o blogue de mestre gil'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3945314018523724236</id><published>2010-01-29T23:23:00.000Z</published><updated>2010-01-29T23:23:54.878Z</updated><title type='text'>os passos em évora</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/S2Ntko7p71I/AAAAAAAAACc/hvqulzowjP8/s1600-h/DSC00025.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/S2Ntko7p71I/AAAAAAAAACc/hvqulzowjP8/s320/DSC00025.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3945314018523724236?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3945314018523724236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3945314018523724236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3945314018523724236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3945314018523724236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/01/os-passos-em-evora.html' title='os passos em évora'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_7odPLthz46U/S2Ntko7p71I/AAAAAAAAACc/hvqulzowjP8/s72-c/DSC00025.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-6207598469563602308</id><published>2010-01-28T23:00:00.001Z</published><updated>2010-01-29T22:06:13.571Z</updated><title type='text'>alice no país das agências de rating</title><content type='html'>Qual Teixeira dos Santos, qual Sócrates, qual Belmiro, qual UE, qual império!&lt;br /&gt;quem congelou o meu vencimento e despediu os meus amigos foram as agências de rating.&lt;br /&gt;e mais hão-de congelar e despedir e ameaçar, assim se apresentem junto delas empenhados e de corda ao pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ajoelhemos, pois, e rezemos à Standard &amp; Poor's. De caminho peçamos-lhe já a extrema unção. a morte, meus irmãos, é uma agência de rating enfadada e farta de perdoar. A rainha de copas na sua máxima sentença. portugal uma alice apavorada: OFF WITH HER HEAD, clama a rainha, ou seja a morte, ou seja a agência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alice não acorda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-6207598469563602308?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/6207598469563602308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=6207598469563602308&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6207598469563602308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6207598469563602308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2010/01/alice-no-pais-das-agencias-de-rating.html' title='alice no país das agências de rating'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2759983476358693568</id><published>2009-12-10T22:10:00.005Z</published><updated>2009-12-10T23:32:22.954Z</updated><title type='text'>tribunal de grande instância televisiva</title><content type='html'>Solução para o défice, a adoptar já no próximo orçamento, rectificativo, redistributivo, whatever (ainda vamos a tempo!): EXTINGA- SE O SISTEMA DE JUSTIÇA, lento, atrapalhado, provinciano. Troquemo-lo por meia hora de bom espectáculo frente-a-frente. Em vez do desperdício do erário público nos tribunais de primeira e segunda instância, Supremos, etc, inscreva-se na Constituição a instância única - O Tribunal Especial da RTP (ou das outras, quando lhes convier). Sem instrução nem recursos e com milhões de testemunhas que ao mesmo tempo são jurados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perfeito?&lt;br /&gt;Quase. A instância especial não é para todos e assim, pelo caminho, lá vão caindo o princípio da igualdade e outras esquisitices do estado de direito democrático. Pormenores de dimensões tão ínfimas que qualquer microfone ofusca e derrota na maior das calmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os microfones ligam-se, desligam-se, amplificam, calam. Afinal qual é a mão que os segura e os comanda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2759983476358693568?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2759983476358693568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2759983476358693568&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2759983476358693568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2759983476358693568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/12/tribunal-de-grande-instancia-televisiva.html' title='tribunal de grande instância televisiva'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1568063061594471102</id><published>2009-11-26T00:23:00.001Z</published><updated>2009-11-26T00:27:08.129Z</updated><title type='text'>relógio atrasado ou hora de inverno?</title><content type='html'>ANTÓNIO VITORINO, em Conversas Soltas (RTP1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"CHEGOU A HORA DE DIZER A VERDADE"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1568063061594471102?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1568063061594471102/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1568063061594471102&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1568063061594471102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1568063061594471102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/11/relogio-atrasado-ou-hora-de-inverno.html' title='relógio atrasado ou hora de inverno?'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-705790456892148228</id><published>2009-11-25T23:36:00.002Z</published><updated>2009-11-26T00:23:22.225Z</updated><title type='text'>ana luísa amaral - como se fosse um intervalo</title><content type='html'>Lá fora buzinas, bátegas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(coisas que podiam entrar num texto, integrar o texto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a noite prematura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá dentro vozes e o sentido das palavras. Isabel Allegro, Ana Luísa, Luís Lucas. A limpidez e o grão nublado (uns quantos cigarros, vida tanta) debatem. Encontram-se muito dentro do tempo.  Podia ser assim sempre, como se (não) fosse um intervalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"1. As mais puras elites&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um plátano de frente&lt;br /&gt;à luz&lt;br /&gt;e o sol rompendo súbito,&lt;br /&gt;assinando de cruz&lt;br /&gt;sobre uma folha&lt;br /&gt;imprudente e tardia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analfabeto sol&lt;br /&gt;que explode,&lt;br /&gt;nu,&lt;br /&gt;sem que o critiquem&lt;br /&gt;por ortografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-705790456892148228?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/705790456892148228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=705790456892148228&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/705790456892148228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/705790456892148228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/11/ana-luisa-amaral-como-se-fosse-um.html' title='ana luísa amaral - como se fosse um intervalo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7156162634369416712</id><published>2009-11-17T22:05:00.003Z</published><updated>2009-11-18T00:04:36.632Z</updated><title type='text'>dezassete mil</title><content type='html'>Se cada número tivesse um nome, os nomes seriam infinitos.&lt;br /&gt;E não são?&lt;br /&gt;Se o número 17 se chamasse, por exemplo, João, talvez a sua presença, numa conta qualquer, nos sugerisse uns olhos verde-cinza ou uma forma bizarra de espirrar.&lt;br /&gt;Já o número 17 000 exige nome mais grandioso, por exemplo Constança, ou Constantino.&lt;br /&gt;Ou não.&lt;br /&gt;Talvez o número 17 000 se chame apenas Plim ou se chame apenas Fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vão morrer mais 17 000 crianças em todo o mundo", disse o secretário geral da ONU, Ban Kimoon, na abertura da cimeira da FAO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto EUA e China se entretêm a tecer tordesilhas elegantes, num pragmatismo histórico que comove qualquer um, as crianças morrem à fome. Os adultos também. &lt;br /&gt;O G-8 fez-se muito justamente representar na cimeira (na ninharia) pelo senhor Berlusconi, que, com essa abnegada presença, considerada "impedimento legítimo",  conseguiu adiar a primeira sessão do seu julgamento.&lt;br /&gt;De maneira que deixaram a Bento XVI a palavra certeira, denunciando a "especulação que põe a alimentação no mesmo plano que todas as outras mercadorias". Assinalando a necessidade de "amadurecer uma consciência solidária que considera a alimentação e o acesso à água como direitos universais de todos os seres humanos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo caminho os dois impérios, por enquanto partilhados, enquanto floreiam com diversas interpretações dos direitos humanos (ostentando as suas condenações à morte como exemplo para o mundo), deixaram morrer outra ninharia - a cimeira de Copenhaga sobre as alterações climáticas, adiando a aprovação de metas concretas para a redução de emissões poluentes.&lt;br /&gt;Bonito serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil esta luta contra a ocultação das pessoas pelos números em que as costumam traduzir. Nos processos que entulham os tribunais, nas estatísticas do desemprego, nas outras todas. E, curiosamente, se torço o nariz à atitude imperial, abro um sorriso à cultura que nomeia. Os americanos sabem nomear. Ninguém é melhor do que eles a transformar os números nas pessoas, reais ou ficcionadas (tão mais ténue ainda essa fronteira no american way of telling). O ritual da memória das vítimas do 11/9, os nomes todos, um a um. You, BO, Clint. Cada um dos nomes. Se vissem um bando de estorninhos experimentando os voos migratórios, seriam capazes de apontar a família, nomear cada um dos membros com diminutivos carinhosos. Ali vai o   Sid, olha a mamã Tess. Se um deles estivesse em perigo, ou o panda Miu-Miu em vias de extinção, nenhuma alma do planeta ficaria indiferente. A notícia e a imagem voariam na net e o panda seria salvo em menos de um fósforo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Então talvez se nomearmos cada um dos 17 000 que vão morrer amanhã. Comecemos: Linda, John, Cris, Angie, Clara, Fil, Carlos, Rui, Hu-jin, Bill, Sara, Sil, Ana, Hank, Aurelia, Luc, Felicity, Vivi, Liu, Bert, Ban, Natacha, Edson, Rod, Melinda, Joe, Leo, Bia, Duda, Lee, Paul, Dan, Giana, Perla, Rick,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7156162634369416712?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7156162634369416712/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7156162634369416712&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7156162634369416712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7156162634369416712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/11/dezassete-mil.html' title='dezassete mil'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-316609988276117904</id><published>2009-11-11T23:43:00.002Z</published><updated>2009-11-12T00:34:00.595Z</updated><title type='text'>o mundo na estação da alameda</title><content type='html'>O homem era um trangalhandanças como poucos se encontram. Trote gordalhufo entre as escadas e o tapete rolante na estação da Alameda. Veloz. Ultrapassou-me a meio das escadas e foi por ali acima, trepando e estrepitando ao telemóvel com a potência de um ciclope. Tento explicar-me porque é que o imaginei assim, com um só olho na testa. Não lhe vi mais do que as costas, voz e ouvido estavam ligados tao directamente através de um telemóvel que talvez me tivesse parecido que aquele circuito humano necessitava de um só olho. Gigante, claro, como a criatura que o utilizaria como canal suplementar de interacção.&lt;br /&gt;Tanta conversa para nada. A verdade é que o que me impressionou a sério naquele conjunto foi a qualidade (o poder, a eficácia, a liberdade) da comunicação telefónica. O interlocutor do gigante não era ninguém concreto de um outro lado qualquer, o seu interlocutor era o mundo.&lt;br /&gt;Foi quando o compreendi que me bateu a ideia, o ovo colombiano: com um telemóvel encostado ao ouvido pode interpelar-se o mundo sem que ninguém nos interpele. Doce liberdade. Sem que ninguém me chame doida e me queira levar a julgamento por ofensa à ordem pública ou, condoído, me queira internar num hospício compulsivamente.&lt;br /&gt;Se bem o pensou melhor o fez, como dizem os contos. Melhor o fiz. Saquei do telemóvel desligado, ali mesmo na estação de metro, e só me calei quando a voz me faltou. O meu local de desabafo não foi um canavial mas sim o percurso entre a Alameda e uma terra qualquer na linha de Cascais, ou seja, o mundo.&lt;br /&gt;Não senhor, não vim todo o tempo a gritar "o príncipe tem orelhas de burro". Não consta que seja o caso e, se o fosse, já não seria segredo para ninguém. Aliás não sou portadora de nenhum segredo que me pese e me exija revelação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o que é que eu tinha para desabafar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá, deu para muito tempo. Terei começado pelo desejo de nadar num rio limpo, ou de deambular pelo Pantanal, em todo o caso de me livrar para sempre da imundície que se cola à pele na forma de óleos, gasóleos, sucatas várias, dinheiros cuspidos, notas amarrotadas, metais fundidos em vozes sem densidade, sem sentido nem de ética de beleza nem de nada. E a civilização dos engenhos motorizados que se sobrepõe ao movimento da vida com regras próprias, encrencações, destroços próprios, ódios próprios, mortes próprias, Crash, Cronemberg e o Festival de cinema do Estoril, sem tempo para ver os filmes todos, sem tempo para as coisas únicas, essenciais, a arte como refúgio da sujidade, a arte contra o medo, o passo decidido contra o medo, contra a maledicência, a mesquinhez tão humana, tão débil, tão tocante. A história dos impulsos imediatos, solitários, o papel do impulso na história, a história enquanto trama, quase inocente, do impulso primário, da distorsão colectiva. A guerra no Afeganistão, o dilema de Obama, o dilema nosso chamado Obama,os trabalhos de quem não tolera submeter-se à barbárie, o fluxo de consciência, o tormento da torrente. A poesia que não sei ler, cada verso um universo à espera de decifração, a ignorância, o que há em comum entre as palavras verso e universo? Os pais, atentos, mortos, como gerir a memória? Quando assumir com gosto as alucinações, como acolhê-las enquanto entidades benfazejas? &lt;br /&gt;Acho que até o futuro de Portugal - eu que nunca fiz da pátria nem zanga nem paz nem sequer tema - entrou no desabafo.&lt;br /&gt;O caso, sem qualificativos, das certidões, não foi para ali chamado. São coisas do sistema judicial, só entram nos pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-316609988276117904?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/316609988276117904/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=316609988276117904&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/316609988276117904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/316609988276117904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/11/o-mundo-na-estacao-da-alameda.html' title='o mundo na estação da alameda'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-975481685429732791</id><published>2009-11-04T23:45:00.005Z</published><updated>2009-11-05T12:21:18.317Z</updated><title type='text'>extravaganzas</title><content type='html'>mãe e filha encostadas uma à outra&lt;br /&gt;sentadas nas cadeiras azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fala-se do menino filho&lt;br /&gt;neto&lt;br /&gt;ausente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a criança escapara da tela.&lt;br /&gt;mesmo assim continua a fugir&lt;br /&gt;abriga-se cada vez mais fundo&lt;br /&gt;mais longe das cadeiras&lt;br /&gt;azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mãe e filha estão presas no abismo&lt;br /&gt;bidimensional.&lt;br /&gt;pernas atadas&lt;br /&gt;bocas mortas&lt;br /&gt;ventres ligados pelo cordão umbilical que a criança&lt;br /&gt;mordeu&lt;br /&gt;rasgou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a criança continua a fugir porta fora&lt;br /&gt;a correr&lt;br /&gt;livre&lt;br /&gt;assustada.&lt;br /&gt;salpica de sangue&lt;br /&gt;o chão&lt;br /&gt;a manhã&lt;br /&gt;todos os dias a seguir.&lt;br /&gt;                                   *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senta-se&lt;br /&gt;o puto chefe do gangue.&lt;br /&gt;nem se consegue olhar para ele, só se vê a velhinha na noite&lt;br /&gt;de janeiro&lt;br /&gt;o pânico gelado&lt;br /&gt;a mala castanha&lt;br /&gt;a asa descosida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senta-se o puto.&lt;br /&gt;começa a falar.&lt;br /&gt;não a responder, a falar&lt;br /&gt;a arrancar-me o olhar como&lt;br /&gt;terá feito&lt;br /&gt;(ou não terá?)&lt;br /&gt;à mala da velhinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a boca vai sorrindo e negando&lt;br /&gt;as mãos brincam e negam&lt;br /&gt;os olhos são azuis&lt;br /&gt;negam em azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não fala, conversa.&lt;br /&gt;divaga sobre o sol&lt;br /&gt;o mês de julho.&lt;br /&gt;leva-me à praia.&lt;br /&gt;pronuncia&lt;br /&gt;sol&lt;br /&gt;como só um verdadeiro carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se lhe confiasse um violão tocaria um samba como o Chico&lt;br /&gt;ou fugiria com ele&lt;br /&gt;para o trocar por grana séria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;leva-me para longe da noite de janeiro.&lt;br /&gt;terá roubado a velhinha?&lt;br /&gt;penso que sim, mas prefiro permanecer na praia&lt;br /&gt;sol no céu&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;sol no violão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o puto continua a sorrir&lt;br /&gt;não precisa responder.&lt;br /&gt;                                     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David queria um parque infantil às escuras&lt;br /&gt;baloiços apavorados pelo fantasma do vento.&lt;br /&gt;John colocou as pedras nas mãos dos miúdos&lt;br /&gt;quatro miúdos lampspoting.&lt;br /&gt;Clint filmou os bastidores&lt;br /&gt;a mãe a medir distâncias com os filhos, dizendo que próximos&lt;br /&gt;chorando que distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os putos conformam-se com o arrependimento&lt;br /&gt;como se tinham conformado com a farinha no curso de panificação.&lt;br /&gt;para onde vão atirar as próximas pedras?&lt;br /&gt;como se hão-de distrair enquanto esperam pelo autocarro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se o lampspoting fosse elevado a modalidade olímpica?&lt;br /&gt;e se a lua nova&lt;br /&gt;o vento a rolar nos dedos&lt;br /&gt;o filme a cores nascentes&lt;br /&gt;as distâncias todas vastas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-975481685429732791?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/975481685429732791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=975481685429732791&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/975481685429732791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/975481685429732791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/11/extravaganzas.html' title='extravaganzas'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-812538921964477357</id><published>2009-10-28T22:38:00.004Z</published><updated>2009-10-29T22:53:34.652Z</updated><title type='text'>stig e roberto</title><content type='html'>ROBERTO BOLAÑO - n. 28 de Abril de 1953&lt;br /&gt;                                  - m. 15 de Julho de 2003&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   Nasceu em Santiago do Chile, disléxico, leitor, poeta e vagabundo. Ligado a um grupo trotskista na juventude, foi preso pelos militares da Junta que depôs e assassinou Salvador Allende, libertado algum tempo depois. Viajou pela Europa e acabou por radicar-se na Catalunha. &lt;br /&gt;                                   Morreu aos 50 anos, vítima de insuficiência hepática. Enquanto aguardava o transplante de fígado nunca concretizado, escreveu escreveu escreveu. A minha pátria são os meus dois filhos e os livros que trago dentro de mim, terá dito.&lt;br /&gt;                                   "2666" foi a grande obra a que dedicou os últimos anos. Publicada depois da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;STIG LARSSON -        n. 15 de Agosto de 1954&lt;br /&gt;                            -         m. 09 de Novembro de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   Nasceu na Suéca, onde foi jornalista e activista. Pertenceu à secção sueca da quarta internacional e foi, durante longo tempo, editor da Fjarde Internationalen.&lt;br /&gt;                                   Morreu aos 50 anos, vítima de enfarte de miocárdio. &lt;br /&gt;                                   A trilogia "Millenium" foi a grande obra a que dedicou os últimos anos. Publicada depois da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas  as coincidências biográficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidências bibliográficas:&lt;br /&gt;                                   Um dos temas centrais de "2666" é o das transformações das identidades masculina e feminina e dos respectivos papéis na transição do século xx para o XI. Em particular o da violência exercida sobre as mulheres. Um dos capítulos do livro: "A Parte dos Crimes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   O tema central da Trilogia "Millenium" é o do questionamento das identidades masculina e feminina e dos respectivos papéis na transição entre milénios. Em particular o da violência exercida sobre as mulheres. O primeiro livro da Trilogia: "Os Homens que Odeiam as Mulheres".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   Excerto de "La parte de los crímenes":&lt;br /&gt;                                   "A veces Juan de Dios Martínez se ponía a pensar en lo mucho que le gustaría saber más cosas de la vida de la directora. Por ejemplo, sus amistades. Quienes eran sus amigos? Él no conocía a ninguno, sólo a algunos empleados del centro psiquiátrico, a quienes la directora trataba con amabilidad pero también guardando las distancias. Tenía amigos? Él suponía que sí, aunque ella nunca hablaba de eso. Una noche, después de hacer el amor, le dijo que quería saber más cosas de su vida. La directora le dijo que ya sabía más que suficiente. Juan de Dios Martínez no insistió."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  Não consegui encontrar no meio daquelas seiscentas e tal páginas do 1º volume da "Millenium" a cena que tanto se assemelha (Blomkvist e Salander, a rapariga reafirmando o silêncio, guardando o segredo de si como o bem mais precioso), mas suponho que todos os leitores se lembram. Aliás basta ver o filme, ou a apresentação do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  Andei uns dias às voltas com estas coincidências. O que é que une estes dois autores destas duas grandes obras, tão diferentes do ponto de vista literário, tão semelhantes no objecto do pensamento que as concebeu e até no lugar que ocupam na vida dos autores, nos últimos dos 50 anos  2 meses e 3 semanas de vida de cada um deles? Porventura no lugar que lhes cabe na literatura deste perigoso início do milénio? E ainda, porquê a comum (e diversa) abordagem através do género policial reinventado, mais complexo e insusceptível de arrumação genológica no caso de Bolaño? &lt;br /&gt;                                  Não cheguei a conclusão alguma. Coincidências são mistérios que não ambicionam desvendar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  Pensei que seria um bom tema para Paul Auster.&lt;br /&gt;                                  Pensei que seria uma grande história para Borges.&lt;br /&gt;                                  Até pensei em "La Double Vie de Véronique".&lt;br /&gt;                                  Talvez Stig e Roberto andem por aí, a sorrir destas perplexidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-812538921964477357?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/812538921964477357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=812538921964477357&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/812538921964477357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/812538921964477357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/10/stig-e-roberto.html' title='stig e roberto'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2992971444897892866</id><published>2009-10-20T23:39:00.004+01:00</published><updated>2009-10-21T01:07:23.901+01:00</updated><title type='text'>vá lá, julgava que iam propor a diminuição do salário mínimo</title><content type='html'>Já anda por aí tudo preocupado com o aumento de 80 cêntimos no salário mínimo nacional, de 1 euro na função pública etc. etc. Ai que o país na falência, as empresas no colapso e sem as empresas não há emprego e sem os empresários o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima e o brecht é uma velharia radical em que as aranhas tecem rendilhados obsoletos e os bancos (porque não?) vão repercutir os custos da legislação que protege os consumidores nos próprios consumidores. Tudo quanto comenta economia e por isso sabe e por isso manda, raladíssimo com os custos de uma moeda a mais nos bolsos da gentinha. Moeda que, de resto, os pobrezinhos irão desperdiçar numa cerveja ou - PECADO-MOR - num maço de tabaco. Pedem contenção máxima; pedem, nada mais nada menos, que o congelamento do salário mínimo nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entretanto: Portugal campeão da desigualdade social na lista dos países da OCDE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto: Europa perde o combate de 10 anos contra a pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto uns espécimes paleolíticos ainda se indignam com estas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo eu, aflitíssima com a desvalorização do custo da "mão-de-obra", olhando para o estado actual do mercado de trabalho e nele vendo os tristes tempos do início da revolução industrial. Ainda por cima sem instrumentos de análise económica que me permitam distinguir os trabalhos forçados desses tempos do que se passa hoje na France Telecom e outras que tais. Por essa altura foi inventada a greve. Agora o que é que havemos de inventar?&lt;br /&gt;Cá para mim este período que andámos a desviver não foi uma crise, mas talvez uma purga, destinada a purificar o sistema e torná-lo mais pujante, a nós ainda mais fracos no fraco poder de o combater. A "crise" já passou. Os direitos socio-laborais é que, coitados, lá regrediram uns bons anitos. A "crise" já é apenas a depreciação das nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que havemos de inventar, para juntarmos às manifs? Espero que alguém esteja neste momento a congeminar estratégias comuns, pelo menos pela Europa fora. Qualquer coisa como a união europeia dos que fazem nascer o trigo de baixo para cima. O trigo não, as coisas que agora se produzem. &lt;br /&gt;(O que é que agora se produz?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2992971444897892866?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2992971444897892866/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2992971444897892866&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2992971444897892866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2992971444897892866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/10/va-la-julgava-que-iam-propor-diminuicao.html' title='vá lá, julgava que iam propor a diminuição do salário mínimo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-6814652798944239642</id><published>2009-10-14T23:16:00.005+01:00</published><updated>2009-10-21T01:07:49.908+01:00</updated><title type='text'>a última ceia</title><content type='html'>O guarda diz&lt;br /&gt;- o que é que queres para a tua última refeição?&lt;br /&gt;O guarda tinha encomendado a tuna-ham mas à terceira dentada foi convocado pelo chefe. "Dead Man 647 about to walk to the black hole." &lt;br /&gt;"Yes sir", responde o guarda. "Dammit", grita o guarda. Murmura insultos ao 647 e à mãe dele enquanto atravessa os corredores. As chaves são cada vez mais pesadas no bolso, à medida que progride. Mais pesadas na mão, obuses desnorteados, à medida que se aproxima do coração da treva.&lt;br /&gt;O prisioneiro teme agora a abertura da cela. A aproximação das chaves, dos obuses, desconcerta o seu sentido de liberdade. Anicha-se no canto e encolhe-se numa bola negra. É o insecto que sempre desdenhou. O bicho-de-conta nº 647 no corredor. Mesmo assim não cabe nos interstícios do chão. Não consegue transformar-se na pulga que deseja ser, no micróbio que deseja ser.&lt;br /&gt;-What do you want for your last supper sir? What do you want motherfucker?&lt;br /&gt;O bicho nº 647 desfaz-se em soluços e urima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Choravam e tremiam. Urinavam-se enquanto caminhavam. A minha cela ficava na esquina em que se virava para a sala (...) Na da direita estava um árabe, Akeem Muhamed, e na da esquerda, um cubano, Rigoberto Sánchez. Mas havia mais: do outro lado havia uma janela para o pátio e via os familiares dos condenados a chegarem. E a seguir, a partirem." (Joaquin José Martinez, condenado à morte nos EUA. Depois declarado inocente, vítima de erro judiciário).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Obama, parabéns pelo Nobel. E agora força para o Prémio da Dignidade Humana, CONTRA A PENA DE MORTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-6814652798944239642?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/6814652798944239642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=6814652798944239642&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6814652798944239642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6814652798944239642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/10/ultima-ceia.html' title='a última ceia'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4993321525330956289</id><published>2009-09-22T22:17:00.003+01:00</published><updated>2009-09-22T23:01:19.562+01:00</updated><title type='text'>queridos pai e mãe</title><content type='html'>Estou de pé, olho para os amigos sentados à minha frente. Estão curiosos. Quererão descobrir o que terá para dizer alguém que se aproxima das palavras como se estivessem guardadas numa gaveta sem fundo nem idade. Ou talvez queiram descobrir o epílogo da estória contada no livro que motivou este encontro. Chego a imaginar que têm o livro aberto na derradeira página escrita e lhe espreitam o verso, com a secreta esperança de que palavras novas apareçam escritas a tinta mágica. Ou nada disso, estarão apenas no regalo de quem se aninha para ouvir contar. Imenso o contraste entre o aconchego dos ouvintes e o meu desconforto, aqui colocada em subida posição, contrária à natureza.&lt;br /&gt;E no entanto, que honrosa posição. Sempre vi o Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLB como a referência dos prémios literários portugueses, pelo rigor e qualidade da composição dos júris e pelo distanciamento relativamente a critérios mercantis. Muitas vezes, como leitora, discordei do veredicto - afinal são cinco opiniões reunidas e três delas bastam - mas não deixei de ler o livro ganhador. Que o júri deste ano tenha prestado atenção a um romance que escrevi é para mim motivo de agradável perplexidade. Que ao número dos meus leitores se tenham acrescentado perspectivas diferentes, motivo de alegria.&lt;br /&gt;Aos ouvintes que imagino curiosos lamento desiludir. Não trago epílogos nem esclarecimentos. Despedi-me para sempre de Rosalina, a que olhava para o alto, onde estava o homem, e confiava na ausência; de Mena, a que fixava o olhar na decepção; de Joana, a que soube olhar o outro, seu igual, e aprendeu a fazer as distinções. Este livro separou-se de mim, em boa hora. Que as palavras me levem a novas aventuras. Não trago respostas.&lt;br /&gt;Em contrapartida perguntas não me faltam. Hipóteses. Penso: escritor - o que soletra; escritor - o que nomeia; escritor - o que recua até a parede se abater e a palavra ser asa precária, asa de cera. Quem pede à palavra que não desista, que busque e seja livre, que busque e seja vida. Como o biólogo perscruta a vida numa lâmina e o semeador a procura na terra.&lt;br /&gt;Escrever, ou escreviver, narrar - perdoem-me a impropriedade da equivalência - é também uma forma engenhosa, como tantas outras, de ludibriar o tempo, de se replicar no assombro da morte; Xerazade. Ulisses em viagem pelo mundo, em viagem por Dublin. Tristram Shandy, recusando-se a nascer por se recusar a morrer. Catherine ou Anna Karenina, trocando o decurso da vida pelo amor. Quixote, alheio aos movimentos da terra, enquanto Sancho se adequa ao chão e o cornaca ao elefante. Hans Castorp ou Gregor Samsa, atribuindo a estranhas mutações a degradação do próprio corpo. O Velho lutando contra o mar, Ahab contra o cachalote. Ou uma forma de conviver com a difícil duração dos dias: a avó que não queria ir para a Florida. Mrs. Dallway preparando a festa. Alice encontrando o Coelho Apressado. Aquela que diz "É sempre numa casa que estamos sós".&lt;br /&gt;Para mim escrever é também a continuação dos jogos da infância: uma pedra grande e três pequenas são um castelo e uma cidade à volta, quatro palavras a vida que os povoa. Se de duas pedras nasceu fogo, de duas palavras nasce um mundo, livre e vivo. O resto é a vertigem, as diversas maneiras, todas únicas, de perguntar quem és tu?&lt;br /&gt;Um romance será ainda o modo de organizar um novo caos sob a aparência de universo construído entre a primeira e a última página. Princípio e fim - a medida do humano - onde a inquietação permanece, onde o ponto final, sempre transitório, é ainda assim um alívio. Ou será simplesmente a intercepção entre o texto e a ignorância.&lt;br /&gt;Não peçam ao escritor que desvende o segredo, mas que sobre o desvendado erija outro e outros, para não sucumbir àqueles que são reais e sem saída. Podem pedir-lhe que seja exímio no jogo da macaca ou que more no jardim dos atalhos que se bifurcam, ou que vá pela estrada viajando no fio do horizonte. Ou não lhe peçam nada. Ele que se desenvencilhe sozinho e saiba que se quer oferecer palavras a alguém terá de percorrer o rude caminho do encontro. Não pode ficar à espera que os outros, extasiados, se rendam sem protesto. Mas que não se enrede em cálculos de transacções correntes. Não se afeiçoe aos tempos, se não quiser encolher-se às dimensões pequenas, ao sentido único.&lt;br /&gt;Agora calo-me. Para quem trazia mais perguntas que respostas já vai longo o monólogo. Agradeço a presença de todos. Ponto final na curiosidade. Como se vê, não há epílogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4993321525330956289?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4993321525330956289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4993321525330956289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4993321525330956289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4993321525330956289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/09/queridos-pai-e-mae.html' title='queridos pai e mãe'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1817156417513263329</id><published>2009-09-08T22:56:00.004+01:00</published><updated>2009-09-09T22:36:55.216+01:00</updated><title type='text'>migas de leite</title><content type='html'>Aquela que sai do supermercado com um saquito e dentro dele: uma cabeça de alhos, um molhinho de coentros, três bolinhas de pão. O problema é a qualidade do pão, mas isso aquela ainda não sabe. Não são carcaças, nem mafrinhas, nem mistura. Têm um nome qualquer em que não repara, pesquisando o aspecto, antecipando a consistência. Seria mais fácil se comercializassem bolinhas alentejanas, mas com esse nome só vendem grandes pães traidores, o aroma de um fermento vulgar, a textura desenxabida de uma fraude. &lt;br /&gt;Grandes pães não amassados pela avó. Não amassados pela mãe. &lt;br /&gt;As bolinhas guardadas no saco têm aspecto apetitoso, enfunadinhas e tostadas a preceito, uma perfeição.&lt;br /&gt;Chega a casa da mãe, mãezinha querida, minguada no seu cantinho para anular o espaço que ocupa no mundo, embaraçada de viver, de «dar trabalho aos outros».&lt;br /&gt;Depois do grande abraço vai para a cozinha preparar migas de leite. Quer fazer uma surpresa à mãe, mãezinha querida, demonstrar-lhe que aprendeu com ela a arte do sabor, retribuir-lhe um niquinho do que ela lhe ofereceu.&lt;br /&gt;Põe-se ao trabalho. Escolhe a sertã, entorna um fio de azeite, descasca um dentito de alho, liga o fogão, segue os gestos minuciosamente até misturar o ovo. As migas estão prontas. Sopra um bocadinho e prova, toda lampeira como quando brincava aos jantarinhos com cascas de batatas e linhas de feijão verde. As migas estão uma porcaria. O pão, afinal, era adocicado e etéreo como espuma, não prestava para nada. &lt;br /&gt;Em desespero, ainda tenta. Acrescenta um tudo-nada de sal, umas gotinhas de leite. Só piora a argamassa. Este paladar não é digno da mãe, mãezinha querida, estas não são as migas que tu mereces.&lt;br /&gt;Desiste. Derrotada, despeja o conteúdo da sertã para o saco do lixo.&lt;br /&gt;Escolhi o pão errado mãe, mãezinha querida.&lt;br /&gt;A culpa foi do pão, é minha que o escolhi.&lt;br /&gt;Deixa lá, amanhã compro outro. Amanhã faço as miguinhas para ti.&lt;br /&gt;Para não ser sempre o mesmo iogurte ao lanche.&lt;br /&gt;Para te recordares do sabor do alhinho no azeite.&lt;br /&gt;Para voltarmos as duas à casa onde a grande família, a sertã imensa, o pão guardado no armário ao pé das azeitonas e bastava um jeitinho do teu dedo mínimo,o manjar pronto, os rebanhos a regressar do pasto, os homens a cantar na venda em frente, a luz que nascia das paredes.  &lt;br /&gt;Para veres como a tua filha só erra de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela que no dia seguinte não tem tempo para cozinhar e na noite seguinte, atenuado o sobressalto com o teu neto, o manda falar contigo, dizer-te que está bem, que o susto já passou. E que em vez de te fazer as miguinhas de leite se limita, aquela, a dizer-te mãe, mãezinha querida já ouviste o teu neto, agora vais dormir descansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquela já só resta memória e sonho. Continuar a escolher o pão errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RECEITA DE MIGAS DE LEITE&lt;br /&gt;ingredientes para uma pessoa só: dois pãezinhos certos, um dentinho de alho, um fiozinho de azeite, uma pitada de sal, uma canequinha de leite, um ovinho, dois pezinhos de coentros (facultativo).&lt;br /&gt;preparação: leva-se ao lume numa sertã o dentinho de alho cortado em lâminas finas, juntamente com o fio de azeite. Entala-se o alho sem deixar escurecer. Esfarelam-se os pãezinhos certos e envolvem-se no preparado, mexendo sempre. Junta-se pouco a pouco o leite previamente aquecido e deixa-se ferver ligeiramente. Podem adicionar-se os pezinhos de coentros bem picadinhos. Apaga-se o lume e mistura-se o ovo inteiro, mexendo vigorosamente até obter uma papa homogénea.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A mãe, mãezinha querida, prova e diz está uma delícia. A filha sorri, dá-lhe a segunda colherada. A história não tem fim. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1817156417513263329?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1817156417513263329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1817156417513263329&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1817156417513263329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1817156417513263329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/09/migas-de-leite-aquela-que-escolheu-o.html' title='migas de leite'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8788834294762058087</id><published>2009-07-31T21:31:00.004+01:00</published><updated>2009-07-31T22:26:50.175+01:00</updated><title type='text'>da natureza dos terramotos</title><content type='html'>No breve período em que foi de bom tom execrar a «ganância» do sistema bancário até parecia que o terramoto, por uma vez, tinha o seu quê de democrático: não poupava fracos nem fortes, nem inocentes nem corruptos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas ilusões destas já vivemos ao longo dos séculos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos meses depois, arranhados dois ou três bodes expiatórios, escolhidos de entre os mais clamorosos (não casualmente entre aqueles cujo trajecto do berço de palha para os palácios repugnava transversalmente aos pobres e aos ricos encartados), buisness as usual, o sistema voltou ao ritmo cardíaco normal.&lt;br /&gt;A crise acabou? As réplicas cessaram? Que ideia! O terramoto fez feridos, mortos e danos irreparáveis. Mas...só para os de sempre.&lt;br /&gt;Os de sempre, habituados às migalhas, digladiam-se agora pelas que restam: RSI, salário mínimo, recibo verde, subsídio de desemprego, pensão de reforma, complemento solidário, todas as prestações quase se equivalem na miséria.&lt;br /&gt;Os que escaparam ao lugar mínimo da escala não escapam às taxas, às sobretaxas, às comissões, aos spreads, às extorsões legalizadas. Seguram-se bem aos seus lugares, apertam os cintos de segurança, para não caírem dos degraus nesta viagem de comboio fantasma.&lt;br /&gt;Chega a campanha eleitoral e não queremos acreditar na desfaçatez: há quem espere de nós que estendamos a língua para recebermos gota a gota promessas grandiosas: os mais elementares direitos, e ainda muito aquém do que é devido, são apregoados como extraordinárias medidas generosas. E ainda há pior, aqueles que já nem se maçam a fazer promessa alguma, conhecida de cor a mercadoria que têm para nos impingir: passado, passado, passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas ilusões destas já vivemos ao longo dos séculos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não foi desta que o terramoto agiu segundo princípios mínimos de equidade.&lt;br /&gt;Afinal, vai-se a ver, Manuela Ferreira Leite tinha razão: foi só um abanãozinho. Para aqueles cujos interesses as andanças da senhora visam proteger (a única realidade por ela conhecida) foi, de facto, um pequenino abalo.&lt;br /&gt;Só para os outros a escala de Richter funcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada disto espanta. É da natureza dos terramotos (como dos escorpiões) atacarem os que andam ao rés da terra de pés desprotegidos. Deixarem os outros em paz, lá bem no alto.&lt;br /&gt;A natureza deste impulso destrutivo chama-se capitalismo. Contra ele teremos de inventar novos e nossos terramotos. Ou não seremos capazes de inventar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8788834294762058087?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8788834294762058087/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8788834294762058087&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8788834294762058087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8788834294762058087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/07/da-natureza-dos-terramotos.html' title='da natureza dos terramotos'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1459561518924360857</id><published>2009-07-10T19:22:00.006+01:00</published><updated>2009-07-10T19:48:55.268+01:00</updated><title type='text'>myra, a arte da fuga</title><content type='html'>(texto escrito em Novembro de 2008 para a revista «Justiça e Democracia»)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis a espantosa ordem das coincidências que na minha semana se tenham conjugado o I Congresso Internacional da Adopção e o fim da leitura de «Myra», o último romance de Maria Velho da Costa. Não, Myra não é uma menina adoptada, nem judicialmente adoptável, apenas uma rapariga que tem a sua primeira menstruação no começo do livro e anda em fuga, ou seja em busca de laços afectivos, na companhia de Rambo, o cão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Foi então que Myra pensou que se tinha urinado de medo. As pernas estavam pegajosas, molhadas por dentro. Apalpou-se e viu pela mancha escura nos dedos que era sangue vivo. Logo havia de ser hoje, a primeira vez, Rambo, disse sem medo para o cão. O sangue puxa o sangue».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude ir ao Congresso, mas acabei a leitura deste livro belíssimo. Ambos, ausência e livro, mais algumas perplexidades suscitadas durante a minha ainda breve experiência no Tribunal de Família e Menores, levam-me o pensamento para os miúdos apanhados na encruzilhada dos projectos, no beco das insoluções. Refiro-me aos pré-adolescentes ou adolescentes que falharam o momento, condenados a permanecer em acolhimento institucional até ao fim da linha, porque a família biológica foi um perigo que demorou séculos a diagnosticar e a família de afecto não funcioinou ou inexistiu. Grande parte deles, campeões de uma longuíssima prova de obstáculos, conseguiu que lhes fosse aplicada a medida de acolhimento com vista à adopção. Porém tardiamente, quando já ninguém os quer e eles já aprenderam que querer não é poder. &lt;br /&gt;Os números, pelo contrário, têm um poder descomunal. Todos os números que nos impõem são traidores, prepotentes, inimigos. Os números das idades sucessivas, os do relógio, os da estatística (a matemática elementar do mérito imediato), os dos processos empilhados em permanente instabilidade, ainda que no recato electrónico, como se não fossem vidas próprias o que está empilhado nas nossas secretárias. Os números implacáveis, os estudos, os rankings. &lt;br /&gt;Os miúdos, esses, só muito raramente aparecem (puxam-nos pela gola do casaco, batem-nos à porta do ombro, perguntam está aí alguém?). Aparecem, claro está, para nos incomodar, que mais podem fazer? Aparecem em situações limite: a arte da fuga permanente &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(«Nem sol de dia, nem as Ursas da noite, a Maior e a Menor. Myra caminha debaixo de um céu cego, opaco e descido, mais branco que negro. Nem o halo de lua, que é forma que o sol toma, quando o céu branqueia. Myra não sabe onde está e o cão, solto à frente, não pode farejar o seu destino de Sul.»)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;circunscrita ao âmbito da Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo; a arte da ameaça aos valores socialmente aceites e legalmente protegidos, no âmbito da Lei Tutelar Educativa. Aliás raramente se repartem por uma ou outra em alternativa, quase sempre as duas leis – as duas artes - se entrelaçam e confundem no mesmo desabrigo.  &lt;br /&gt;Quando o incómodo perturba, proliferam as reportagens nos jornais, os artigos de fundo nas revistas, o falatório bloguista, verdadeiras imagens em prime time. De repente até, tresmalhada do discurso, uma frase essencial: «A partir de certa idade ficam incontroláveis e ameaçadores. Mas, por vezes, basta um pouco de atenção para ficarem tranquilos. O problema é que ninguém lhes liga...» &lt;br /&gt;Então eles desatam a ligar-se uns aos outros e a desligar-se do exterior, do mundo que consideramos real, do mundo nosso. Todos os dias deambulam um pouco mais para longe, cada dia perdem mais um ano. Passos de caranguejo, empurrões, pontapés no nevoeiro, julgando destruir pequenos muros de berlim. Ou talvez de berlim só conheçam as bolas e cobicem o creme (sim, o creme é essencial, sem creme não têm estilo nenhum). Empurram, ligam-se, riem, resumem o orgulho do caçador furtivo, do bandido encartado, do poder único de maçar, amedrontar quem os despreza.&lt;br /&gt;Agora é fácil serem apanhados numa teia qualquer: possuem alcunhas e nicknames, um degrau fixo na escala identitária, não se confundem na multidão embora ecoem vozes que são só uma. Fácil apanhá-los porque são inúmeras as vias ditas protectoras, resta saber quem protegemos nós e de que medos.&lt;br /&gt;A primeira das vias – porque a princípio era o verbo e a palavra transforma o pensamento – é a supressão dos rótulos fatais e do conceito de marginalidade: tratamo-los por JOVENS. Num país onde os nomes valem nada se desantecedidos das fórmulas sociais de qualificação - senhor doutor, senhor engenheiro, senhor arquitecto, por quem é -  o Pedro é o Jovem Pedro e a Cátia a Jovem Cátia. Talvez fosse ainda mais correcto tratá-los por Senhor Jovem Pedro ou então Menina Jovem Cátia. Assim o nome (o epíteto, o invólucro) é um aparente elemento de inclusão, mas muito insuficiente; ei-los convocados ao centro do mundo por deferência e simplificação. A margem, essa origem, desapareceu na arca trespassada pelos punhais do prestidigitador, ou seja continua lá, assusta-nos os olhos e cega-os, complacente.&lt;br /&gt;As outras vias são enumeradas em alíneas, aplicadas por audazes voluntários da decepção. A Cátia significa trinta minutos em tempo, vinte linhas em espaço, o Pedro outro tanto. Muito pouco para vidas tão precoces, já cansadas, tão aptas a destruir-se e a destruir.&lt;br /&gt;Por isso às vezes escrevem bilhetinhos aos processos. Com erros ortográficos: senhor doutor juiz eu queria pedir se me deixava ir passar uns dias com a minha família de quando eu era pequeno. Senhor tribunal eu ouvi dizer que a minha mãe já não consome e eu tenho tantas saudades agora ela já não me batia se pudesse voltar para casa. Senhores eu só queria no fim de semana ou quando desse jeito ver o meu primo André.&lt;br /&gt;Consulta-se o processo de uma ponta à outra: família biológica maltratante, proibidos os contactos; família de acolhimento inexistente; acolhimento institucional de longa duração – fim da linha; acolhimento institucional com vista à adopção a partir dos dez (ou menos) anos de idade, com ou sem processos de adopção falhados – fim da linha. Nenhum projecto alternativo, nenhuma resposta fora da instituição. Folheia-se a agenda, inventa-se um furo para chamar o Jovem e explicar-lhe que não há resposta (ou então aguarda-se até ser apanhado na rede tutelar). &lt;br /&gt;O relógio não pára. O relógio nunca parou na vida do miúdo à nossa frente, não pára nos desabafos, não pára nas lágrimas, não pára nos fins de semana sem cinema nem ninguém que o procure, não pára na espera do miúdo que se segue, ou seja na esperança e na fuga que se segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Eles sabem de onde vem, minha boa menina. Para onde vai, só Deus. A necessidade é a mãe do engenho, e não há coisa mais pulcra que a necessidade que Deus tem de nós, coitadinho. Eu penso, menina. E só estou aqui por um pouco de estímulo intelectual. Perceber os marginais, percebe, Miss Myra?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não percebo grande coisa, sonho mais. Sonho poder ter tempo para ouvir os miúdos sem horas marcadas, sem limites de tempo. Como conseguia fazer o meu formador vinte e tal anos atrás – tantas saudades, doutor Rui Epifânio – não porque esse tempo fosse melhor (os mecanismos protectores eram infinitamente menos) mas porque, ainda assim, havia melhor equilíbrio entre o número de casos (cada um diferente dos demais, não há receitas) e o número de magistrados encarregados de os tratar.&lt;br /&gt;Sonho que a verificação da inexistência de vinculação afectiva, irreversível, entre a criança e os progenitores ou a família biológica alargada, possa ocorrer cada vez mais precocemente. Que nenhum menino complete três anos sem ter ninguém a quem possa chamar mãe, pai, avô e que o adormeça ao colo, ou o repreenda meigamente, como só se faz a um filho.&lt;br /&gt;Sonho que os candidatos a adoptantes não idealizem os seus futuros filhos como substituos daqueles que não puderam conceber, que os aceitem dispostos a enfrentar a condição mais altruísta que a vida nos oferece, a do exercício da parentalidade.&lt;br /&gt;Não sonho, mas prometo reflectir sobre novas opções que a lei possa vir a estabelecer para os miúdos que o actual sistema encerra no beco da institucionalização (ainda assim, note-se, preferível a qualquer reatamento de laços com a família negligente ou maltratante). O caminho de um outro modelo, mais flexível, mais qualificado, mais ajustado à idade adolescente das famílias de acolhimento, ou mesmo das «famílias amigas» parece-me interessante.&lt;br /&gt;Sonho que os miúdos que me enlevam e desafiam não se reduzam a números estatísticos num power point qualquer, publicitado por seja qual for a instância de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Marcha, Myra, um pé atrás do outro, não penses. Voa. Um pé atrás do outro. Como reses que ninguém abate, nem mortas.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1459561518924360857?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1459561518924360857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1459561518924360857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1459561518924360857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1459561518924360857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/07/myra.html' title='myra, a arte da fuga'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2485656757658336835</id><published>2009-07-02T22:32:00.002+01:00</published><updated>2009-07-02T23:05:47.616+01:00</updated><title type='text'>deus aprende a cair</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.pablogt.com/uploads/2008/07/pb.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 397px; height: 490px;" src="http://www.pablogt.com/uploads/2008/07/pb.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Algum caminho deus, ou quem por esse nome um dia há-de responder, terá vontade de calcorrear. Certo é que decidiu interromper o infinito e experimentar percurso, num sentido qualquer. Mas só tinha a ideia e o impulso, faltava-lhe o conhecimento da arte de mover-se. Foi então que decidiu chamá-la. Pina Bausch, que aprendera a vida no movimento mudo dos precários habitantes da estalagem, que aprendera a cair suspendendo a gravidade para que doesse mais a queda e em nós doesse a visão e chamássemos à dor deslumbramento.&lt;br /&gt;Pouco antes, porém, convocara deus a forma de deslizar no abismo como um camaleão. This is it. Deste modo terá deus iniciado, por estes dias, as suas aulas de movimento inesperado. Se for um bom aluno em breve nos dará sinais de si, na rota dos astros em conflito. Se a paralisia for irreversível, a queda continuará a ser a mesma e a nossa queda: abrupta, permanente, irrelevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2485656757658336835?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2485656757658336835/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2485656757658336835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2485656757658336835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2485656757658336835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/07/deus-aprende-cair.html' title='deus aprende a cair'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-9160947659936509573</id><published>2009-06-26T20:02:00.002+01:00</published><updated>2009-06-26T23:19:34.908+01:00</updated><title type='text'>história do muitacoisa do poucacoisa e do coisa nenhuma</title><content type='html'>Era uma vez o Muitacoisa que andava pelo mundo todo ufano à velocidade do seu avião particular. Quando passava, as pessoas transformavam-se em tapetes vermelhos, as pedras ganhavam almofadas, as palavras convertiam-se numa língua só, agradecida. Um dia o Muitacoisa encontrou o Poucacoisa. Lá ia ele, a atravessar uma zebra com um olho no semáforo e outro nos carros que arrancavam, ao seu lado direito. Apiedado pelo medo que via tolher-lhe o corpo todo, dele se aproximou o Muitacoisa e disse-lhe:&lt;br /&gt;- Bons olhos te vejam Poucacoisa, o que é que te traz a este caminho?&lt;br /&gt;Respondeu-lhe o Poucacoisa, ofegante, mas já a salvo na outra margem:&lt;br /&gt;- Então, o que é que havia de ser, não te lembras que sou funcionário do banco ali da esquina?&lt;br /&gt;Recordou-se subitamente o Muitacoisa de onde conhecia o subordinado. E, sentindo a nostalgia de uma tarde passada na lentidão do deve-haver, acudiu-lhe uma proposta:&lt;br /&gt;- Olha lá, e se trocássemos de posto por um dia?&lt;br /&gt;Surpreso e grato pela generosidade, aceitou Poucacoisa a proposta, logo selada por vigoroso aperto de mão. E assim passaram as vinte e quatro horas seguintes, o Poucacoisa dando uma volta inteira ao mundo insano, o Muitacoisa descansando a majestade num balcão a meio metro dos bichos rastejantes. Ao fim da tarde encontraram-se à mesma esquina, conforme combinado. &lt;br /&gt;- Que tal te correu o dia?&lt;br /&gt;Perguntou o Poucacoisa, esperançado que o outro lhe devolvesse uma imagem  que salvasse a aparência dos seus sucessivos dias e noites poucochinhos.&lt;br /&gt;- O dia não foi mal, mas fiquei com uma pontada nas costas e uma comichão tenaz no tornozelo que deveras me apoquentam.&lt;br /&gt;- Pois, o ar condicionado e os ácaros do tapete – reconheceu o Poucacoisa. Bem vistas as coisas, quero dizer, bem visto o mundo, de onde ontem eu o vi, as vertigens não compensam a comichão. Por mim, com proveito mas sem pena, declaro finda a experiência  Mas olha, vai ali o Coisanenhuma, não lhe queres fazer proposta semelhante?&lt;br /&gt;O Coisanenhuma não ia, aninhava-se no seu canto térreo, expondo as feridas ao pó, que a caridade se ia pelo esgoto derramando. Interpelado, pôs-se o Coisanenhuma  em lamúrias a resmungar palavras tão miúdas que nem sábio entenderia.&lt;br /&gt;- O que é que estás para aí a zurnear, Coisanenhuma? &lt;br /&gt;Perguntou o Muitacoisa, sentindo-se ofendido no seu generoso propósito.&lt;br /&gt;- Sim, que bicho te mordeu, criatura, não vês que te estamos convocando para experiência meritória durante um dia inteiro? Inteirinho, vinte e quatro horas do lado alto do mundo – ajuntou, impaciente, o Poucacoisa.&lt;br /&gt;Eis senão quando se levantou o Coisanenhuma e na própria elevação as feridas lhe sararam e lhe sarou a fala. Foi em voz clara e ampliada que afirmou:&lt;br /&gt;- Um dia inteiro é nada e a vida toda. Ao repararem em mim, dando os meus ouvidos por úteis receptores, a minha vontade por discernimento, vocês transformaram irreversivelmente a minha natureza. Já não sou Coisanehuma, nem a tal condição posso regressar, mesmo que o desejasse, porque de mim fizeram língua e espanto. Outros que tomem o meu lugar de antigamente. &lt;br /&gt;Entreolharam-se o Muitacoisa e o Poucacoisa, atarantados com o comum e involuntário gesto criador e emabaraçados com a nova companhia. &lt;br /&gt;- E que nome agora lhe há-de caber em sorte? – interrogaram em uníssono, ainda como se não fosse presente aquele que nascera ali ao lado.&lt;br /&gt;Foi nessa altura que, vinda do céu, apareceu uma criatura transparente, como fada ou anjo luminoso e anunciou:&lt;br /&gt;- Bora lá, malta, já estamos atrasados. Toca a mexer as asas e andor lá para o fim do horizonte, o Qualquercoisinha está farto de esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-9160947659936509573?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/9160947659936509573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=9160947659936509573&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/9160947659936509573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/9160947659936509573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/06/historia-do-muitacoisa-do-poucacoisa-e.html' title='história do muitacoisa do poucacoisa e do coisa nenhuma'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7440660258197967883</id><published>2009-06-17T22:27:00.001+01:00</published><updated>2009-06-18T22:08:03.766+01:00</updated><title type='text'>elegia para antónio monginho</title><content type='html'>ÚLTIMOS ANOS EM SINTRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez houvesse barcos naquele rito pelas ruas da Portela. Barcos partindo, barcos chegando. E pássaros de exílio, trissos flutuando à margem do bosque. Versos como planetas, como rémoras. Eram eles que faziam e refaziam o tempo, a memória, a voz emoldurada no silêncio. Por exemplo assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedra&lt;br /&gt;barro&lt;br /&gt;arame&lt;br /&gt;tudo amassado &lt;br /&gt;com sangue&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou assim, recolhendo nas palmas a aragem da Pena, o grasnido da via férrea, as malvas abertas ao sol entre molduras de outras digressões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peregrino nas cidades sou&lt;br /&gt;corpo em ascensão melancólica&lt;br /&gt;- prometido à morte e sem&lt;br /&gt;esperança de regresso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E  tu&lt;br /&gt;ó bela Sintra&lt;br /&gt;perdoa se puderes&lt;br /&gt;este tão frágil modo&lt;br /&gt;de habitar-te&lt;br /&gt;Este tão frágil modo. Tão frágil e intemerato. Homem atravessando o envelhecer e a aflição do ocaso com uma canadiana e cigarrilhas no meio dos sonhos esfacelados ou ainda reconstituintes, os passos cada vez mais curtos, a cegueira maior. Com que obstinação lia os títulos do jornal, o JN, cortado às tiras, calculam como seja?,  e nenhuma lupa lhe restitui os olhos, foi necessário que outros olhos fossem os seus olhos, sobretudo nas crónicas e nos poemas que o ervar dos acasos trouxesse à página das tardes.&lt;br /&gt;Antes, porém, tanta errância, tanta estória, décadas fundindo-se na brevidade de toda a síntese, nesse jeito multímodo de contar. Do Alentejo a Lisboa, do Algarve ao Barreiro ou à vila onde lhe gelou o coração, exausto na madrugada, apenas harpejo derradeiro, cristal de fluidos ao rés do incognoscível. E, num enlace de factos, imagens, textos, rumores, emoções, o regresso aos momentos da amenidade, cafés de Évora, Barreiro e Lisboa, o Gelo, as aventuras surrealistas, Herberto, Cesariny, Forte, Pacheco, os autores e artistas de diferentes estéticas, Kira, Zé Gomes, Ramos Rosa, luz e circunstância, quem tira a foto em que Augusto Cabrita lhe procura contornos de voo e angústia no sorrir, verbo, dissonância, imponderabilidade?&lt;br /&gt;O homem que acedeu, depois, pelos Correios, à Rua Álvaro Vasconcelos levava boina e resmoneios que eram insurgência e liberdade, radicais de uma vida, raramente se detinha, ia à bolina dos pensamentos, e de repente fantasmas sobre a paisagem dos barcos / das pedras, que importam?, contrapunha, “A todo o momento me nascem as raízes”, “ganhei e perdi a estação / propícia”, gostava da bica no Neto, gostava do bitoque com ovo estrelado que lá lhe faziam para almoçar, gostava do marulho das árvores, e de repente ramagens de trigo, “voaram plumas vermelhas na esteira / dos sapatos”, “Alguma coisa vivi. Tenho cinquenta / e oito anos”, “ Tu e eu / e a noite”, “Os rapazes do meu tempo morreram / todos”.Iria sentar-se no meiple da sala, prosseguir o diálogo com eles e os sítios e as derrocadas e as utopias e os trajectos da eternidade precária, ele o incêndio de uma solidão povoada dos que pereceram, daqueles que restavam, ali a dois metros da janela, dois da televisão, e tocava no centro a ferida da ternura, conhecia-lhe os nomes poro a poro, Maria, “basta um pequeno nada / um assobio”, Julieta, “amamos a justiça nos rostos / dos nossos filhos”, “nascemos para durar”.&lt;br /&gt;Deixara para a manhã seguinte farmácia e tabacaria (à embocadura do Jardim, garotos, cicio de fonte, gente nas imediações do supermercado) e os companheiros de lérias leves e casmurrices. Queria primeiro que o Sporting ganhasse a partida na Mata Real, seguindo com os da frente até ao título. E que esses desastres da humanidade aviltada pelos poderosos, abutres no capitalismo, amainassem , mesmo que somente um punhado de areia a expandir-se, não sabia quando tinha principiado o futuro mas o futuro apodrecera muito, demasiado, tanto que nem se imagina, Que um novo futuro comece, dizia, até à equanimidade por que me bati de cerviz inteira.&lt;br /&gt;Talvez barcos, talvez pássaros de exílio.&lt;br /&gt;O homem com uma canadiana e cigarrilha no canto da boca era poeta, precioso vos afirmo eu. Poeta “Das Sete Cidades”. Ninguém espere dele mutismo sob terra e mármore. Retomará viagem a qualquer instante. E um canto branco ouvirão, um canto de suor e fogo, generoso e irresignado, nos locais em que agora (só na aparência, é certo) o vazio cresce como musgo pelas faldas do mês de Junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Manuel Mendes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7440660258197967883?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7440660258197967883/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7440660258197967883&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7440660258197967883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7440660258197967883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/06/elegia-para-antonio-monginho.html' title='elegia para antónio monginho'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3191369081841522520</id><published>2009-06-11T22:34:00.003+01:00</published><updated>2009-06-12T00:07:31.420+01:00</updated><title type='text'>pai</title><content type='html'>TRÊS POEMAS DE ANTÓNIO MONGINHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao alto a haste. Por&lt;br /&gt;baixo a folha seca&lt;br /&gt;                 a flor&lt;br /&gt;concreta e a agonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cinza e o metal&lt;br /&gt;                 as placas&lt;br /&gt;acesas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mão suspensa da panela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o lume sustentado&lt;br /&gt;sobre a brasa&lt;br /&gt;                 O avanço&lt;br /&gt;do lume entre a lenha e&lt;br /&gt;o chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ronronando no sofá&lt;br /&gt;eu sou o gato&lt;br /&gt;que atravessa a estampa&lt;br /&gt;na parede&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo todos os animais como a mim&lt;br /&gt;mesmo. Com todos sou solidário&lt;br /&gt;e não mereço melhor destino do que&lt;br /&gt;este&lt;br /&gt;- viver entre os iguais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmão das aves sou. Mas de asas&lt;br /&gt;rasas. Sustento mal meus voos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém&lt;br /&gt;de pés estou bem garantido&lt;br /&gt;Atravesso todo o terreno.&lt;br /&gt;E nestas terras ninguém dá&lt;br /&gt;passos mais seguros do que&lt;br /&gt;os meus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os pés na terra vejo passar&lt;br /&gt;as aves. Seguro-me e não tenho&lt;br /&gt;inveja de ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem grandes nem pequenas&lt;br /&gt;significações. Não&lt;br /&gt;digiro nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou só sombra e desejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada me é simples. Nada&lt;br /&gt;simplifico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo entre o sonho e a&lt;br /&gt;vigília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou e ausento-me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquela que toma fôlego e abre a porta. Respira (será um acto voluntário?). A morte escorre pelas paredes da casa, neve no mês de junho. Aquela e a casa. Terra abandonada à volta, o quarto do fundo. Aquela chegou e chamou pai. Pai Pai Pai Pai, sempre no mesmo tom, pancadas no vazio. Nada. O mar que a alimenta (lhe traz peixes ao parapeito, viagem ao sentido), o mar esconde tudo debaixo das suas saias de renda. O mar vela pela míngua, desbarata os seus pertences com a arrogância de uma fera. &lt;br /&gt;O momento chegou. Aquela está inchada de dor, pronta a rebentar todas as chagas. Agarra a mão e tenta salvar a sua arma, a sua jóia. Em vão. &lt;br /&gt;Mergulhada no mar, aquela guia pássaros e sombras na rota da deriva.&lt;br /&gt;Na urna, um arbusto. Um arbusto de sangue, ainda balbuciando palavras, corrigindo-as. De sangue, como outrora a harpa.&lt;br /&gt;À terra descerá, terra carregada de pavor. &lt;br /&gt;Descerá, sem cair, sem vacilar (já não cai, já não vacila).&lt;br /&gt;Os navios abandonam agora os poemas, com a paciência própria dos navios. Aquela é alguém que deseja confundir-se com uma vírgula. Deseja, mas não sabe.&lt;br /&gt;Tu sabes, pai. Fica sempre tanta coisa por ensinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3191369081841522520?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3191369081841522520/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3191369081841522520&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3191369081841522520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3191369081841522520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/06/pai.html' title='pai'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8842273527769020075</id><published>2009-05-09T23:24:00.006+01:00</published><updated>2009-05-11T22:40:56.481+01:00</updated><title type='text'>meninos de ninguém- ana cristina pereira</title><content type='html'>«Os polícias são como os ladrões: nunca pensam que vão ser roubados».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem faz esta afirmação é o «Siga», um dos «Meninos de Ninguém» desocultados por Ana Cristina Pereira no seu recente livro com o mesmo título (Ulisseia). É uma sentença que iguala polícias e ladrões numa mesma minoria social, a dos cidadãos imunes ao medo e desprevenidos contra o crime.&lt;br /&gt;O «Siga» dá esta resposta à seguinte pergunta da Ana Cristina:&lt;br /&gt;- Como é que se rouba uma moto de polícia?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repare-se: a pergunta não foi:&lt;br /&gt;- como é que tu roubaste a moto? - que seria a pergunta do investigador, ou seja, a do procurador no Ttribunal de Família e Menores&lt;br /&gt;nem foi:&lt;br /&gt;- porque é que roubaste a moto? - pergunta ingénua, que só poderia ser feita por um juiz a quem cabe o dever de perscrutar a motivação do jovem sob julgamento.&lt;br /&gt;Também não foi:&lt;br /&gt;- como é que se rouba um polícia? - espécie de pergunta-armadilha, própria de jornalismo show-off para vastas audiências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta de ACP revela a curiosidade própria de uma jornalista inteligente, rigorosa e apostada em criar mecanismos de aproximação entre o leitor e as personagens/pessoas destas estórias, ou seja, estes meninos que são de ninguém porque não criam laços de pertença excepto a um grupo de pares (outros meninos como eles) que funcionam num movimento circular: nascem da pouca coisa e ao nada estão (quase sempre) condenados a voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construído a partir de peças jornalísticas escritas para o «Público», este livro transcende esse espaço e constitui-se como uma obra autónoma e nova.&lt;br /&gt;Trata-se de um conjunto de estórias que compõem uma estória mais vasta, com um sentido de regeneração. A estória que vislumbra uma saída, ainda que estreita. Repare-se que um dos miúdos que aparecem na primeira estória, um dos que foram condenados pela brutalidade inflingida a Gisberta, é o protagonista da última estória cujo título, não por acaso, é «Uma Flor no Deserto».&lt;br /&gt;Esta estória envolvente, com este sentido, refere-se por sua vez a uma História enquanto narração do tempo - a história da exclusão social ao longo das gerações, de como a exclusão se vai reproduzindo.&lt;br /&gt;De como se passa da geração do bairro da lata, analfabeta, que subsistia do trabalho mouro ou da mendicidade para a geração do realojamento carcerário,da inactividade, da dependência das drogas e do RSI, e desta para a geração dos miúdos de hoje, a do abandono, da iliteracia e da ausência de futuro. Esta geração que estamos a tentar, com pouco sucesso, redimir através dos cursos substitutivos do sistema escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes cursos são um belo exercício de prestidigitação estatística e uma ilusão de duas faces: se é ecerto que estão delineados para «obter qualificação», por outro lado servem de pretexto, assumido por eles próprios e pelos pais, para o absentismo escolar, surgindo como «abre-te sésamo» para lugar nenhum. &lt;br /&gt;Porque a maioria dos cursos não tem o mínimo interesse nem saída para estes gaiatos: marcenaria, reparação automóvel e pastelaria para os rapazes; para as raparigas, reproduzindo a desigualdade de género, está reservado o curso de cabeleireira. E pronto.&lt;br /&gt;Em suma, nas palavras de Ana Cristina Pereira, «era um daqueles cursos que só servem para dizer que.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando às estórias deste livro, nelas encontro semelhanças com muitas obras de grandes autores (e não restritas ao tema da infância/adolescência, nem ao da marginalidade), mas fizeram-me lembrar especialmente as de Flannery O'Connor. De facto, em muitas das estórias de «Meninos...» ocorrem cenas pacatas e familiares: o rapazito Sérgio a tentar adormecer, a menina sentada num sofá de uma pensão barata, uma mãe a cozinhar. E de repente a violência irrompe, uma violência atroz, interior e anterior a tudo o que se vai passando porque nasce da grande ferida da desigualdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há a estória da Ana - a insubordinada, que está «deserta para ir para um colégio», aquela que saltou do pai para uma irmã e desta para outra irmã, «como se não interessasse onde ficava melhor, como se só interessasse onde incomodava menos, onde podia ajudar mais.»&lt;br /&gt;A estória dos jovens da comunidade terapêutica do Outeiro, especialmente Carolina, a fugitiva.&lt;br /&gt;A de Paninho, aquele que «fugiu para a rua, fechou-se nela.»&lt;br /&gt;A estória intitulada «Os príncipes, as princesas e as nódoas negras», que nos envia para o imaginário sombrio de Hans Christian Andersen.&lt;br /&gt;A de Celso, o menino imigrante, que não percebia português e acabou por encontrar a sua vocação de chefe de cozinha.        &lt;br /&gt;A estória das duas mães da bebé raptada no Hospital Padre Américo.&lt;br /&gt;A do «Siga», o rei da Pasteleira, e do seu amor Joana, uma estória quase de encantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu gostava de propor uma troca à Ana Cristina, nem que fosse por um mês, nem que fosse por um dia: que tal trocarmos de papéis, quer dizer, de distâncias? Porque eu pertenço a uma estrutura impositiva, que não pode prescindir da distância para determinar as regras (a regra?). Uma daquelas estruturas de cujo falhanço este livro implicitamente também nos fala. E que, no entanto, se esforçam arduamente dia a dia, e continuam a falhar, dignamente, dia a dia.&lt;br /&gt;Sim, como eu gostava de trocar, nem que fosse por um dia, com a Ana Cristina. Porque ela diz, com todo o rigor: «É preciso tempo para ouvi-los, estar lá, mas sem julgar». E a mim compete dizer: não tenho tempo suficiente para ouvi-los, não posso estar lá e tenho de emitir juízos sobre os seus actos e sobre os seus destinos.&lt;br /&gt;Vou mais longe: gostaria de ver a Ana Cristina fazer a primeira audição de um miúdo num Inquérito Tutelar Educativo. Para mim essa audição constitui um momento decisivo de todo o processo, porque é nessa altura que o podemos ajudar a descobrir em que é que ele é (ou quer ser, ou pode ser) verdadeiramente bom para além de exercer a violência, tantas vezes sobre os ainda mais débeis e vulneráveis. Ajudá-lo a encontrar-lhe o seu «Alguém», desde logo o alguém de si, a sua identidade, e com certeza o «Alguém» capaz de oferecer-lhe e receber-lhe afecto. &lt;br /&gt;É também nesse momento que o sistema de justiça joga simultaneamente a sua legitimação e o seu sentido. &lt;br /&gt;O sentido legal da intervenção do Tribunal nesta área é o da «educação para o direito». &lt;br /&gt;Mas qual o conteúdo desta expressão?&lt;br /&gt;Não estarão os tribunais investidos de uma função com pendor excessivamente normalizador?.&lt;br /&gt;Deixo esta pergunta em jeito de desafio. Desafio que agradará à Ana Cristina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque este também não é um livro de respostas, mas sim um trabalho que revela o fascínio pela compreensão do que foge à regra, tema, aliás, dos grandes ficcionistas: a tensão entre a norma e a transgressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realço ainda uma outra qualidade essencial do trabalho de ACP em geral e neste livro em particular: o conhecimento profundo de todos os contextos subjacentes às estórias que conta e às personagens que as povoam:&lt;br /&gt;- o contexto legal - o domínio da legislação, na sua história, na sua aplicação actual e no seu impacto;&lt;br /&gt;- o contexto social - a descrição dos territórios, das paisagens periféricas (magníficos o retrato do Bairro do Aleixo e de Câmara de Lobos), onde viveu e conviveu (com meninos, dealers, grades e pulgas), repórter de guerrilhas entre dois bandos - ETA (Estado Terrorista do Aleixo) vs. PPR (Pasteleira Putos Rebekdes) - e desta guerra entre dois mundos;&lt;br /&gt;- o contexto psicológico - o saber do verdadeiro conteúdo do discurso verbal e não verbal destes miúdos: «sou mais forte do que o sentimento, a tristeza não me derruba, não sofro, sofro tanto que não sofro, sou imune à dor».&lt;br /&gt;- os mecanismos e estratégias dos processos de identificação e integração no grupo e na margem da sociedade. A maneira que eles têm de exercer o único poder que lhes resta e que se constitui numa forma de resistência: o poder de incomodar e de chocar os outros, aqueles que vivemos no centro, no condomínio fechado em que se tornou a sociedade integrada e que é tão bem descrito por Zygmunt Bauman no seu ensaio «Convívio Destruído» («Amor Líquido - Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos», Relógio´D'Àgua).&lt;br /&gt;Sim, como diz Luís Fernandes no posfácio de «Meninos de Ninguém», «a exibição da violência é uma forma de linguagem». Torna-se urgente entendê-la, se não quisermos ser todos arrastados por ela e pela cegueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das estórias Ana Cristina está frente a frente (ou lado a lado? Em todo o caso muito perto, porque «perto» é o lugar dela e o lugar onde ela nos coloca) com «Siga», o rei da Pasteleira. E diz, ela, repórter, ela, escritora:&lt;br /&gt;«Vejo-lhe as cicatrizes de fora, quase lhe vejo as de dentro».&lt;br /&gt;E este «quase» é o quase mais curto e mais próximo da perfeição que me foi dado ler nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8842273527769020075?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8842273527769020075/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8842273527769020075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8842273527769020075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8842273527769020075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/05/meninos-de-ninguem-ana-cristina-pereira.html' title='meninos de ninguém- ana cristina pereira'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3280910022013729571</id><published>2009-04-15T23:32:00.004+01:00</published><updated>2009-04-16T23:46:13.257+01:00</updated><title type='text'>está aí alguém?</title><content type='html'>Isso! Mandem-nos agora consumir! Como dantes, espicacem a nossa euforia aquisitiva. Mas, como depois, apregoem o «novo paradigma» parcimonioso. Aprofundem a nossa bipolaridade, não se acanhem. Publicitem extravagâncias para os nossos descendentes e simultaneamente ensinem-nos a habitar a instabilidade com o horizonte restrito à hora que passa. E atirem-nos aulas de avozinhas cibernautas sobre a poupança em tempos de guerra. O granni style, de resto, está de volta. Rewelcome!   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez nem fosse má ideia dotarem-nos de canas de pesca artesanais, para nos ensinarem a pescar douradinhos (nutritivos, baratinhos e sem espinhas), agora que (reverenciemos também Confúcio, reabilitado pelo regime chinês), não nos dão nem mais um peixinho para o aquário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então tentem decidir alguma coisa: o que é que querem de nós? Pomos a poupança no colchão ou esturramos tudo em férias transatlânticas? Esturramos tudo em seguros de saúde ou financiamos o declínio do SNS? Morremos por causa da poupança nos hospitais públicos ou por causa dos limites irrisórios dos seguros privados? Trabalhamos até aos 100 anos ou empobrecemos aos 70? É melhor morrer antes de chegar a decidir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém responde? HEY! Está aí alguém??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3280910022013729571?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3280910022013729571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3280910022013729571&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3280910022013729571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3280910022013729571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/04/esta-ai-alguem.html' title='está aí alguém?'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3732662812663727349</id><published>2009-04-02T23:35:00.001+01:00</published><updated>2009-04-02T23:36:36.776+01:00</updated><title type='text'>o seu de cada um</title><content type='html'>Telefona e eu ouço&lt;br /&gt;- Olá&lt;br /&gt;É a impressão digital da minha amiga Amélia. Enfim, não digital mas tão singular que bem podia identificá-la substituindo a do B.I. (um documento realmente único e sonoro, algo como a partitura de uma vida).&lt;br /&gt;Quando ouço a voz da Amélia imagino-a logo sentada no gabinete do quarto andar do Palácio da Justiça, ainda de beca no intervalo entre duas audiências. Ou então, já desfardada, com um elegante casaco azul marinho ou uma blusa de seda, em pausa mais repousada para almoço. Imagino-a e antecipo o pedido. Mas não me importo, gosto de lhe retribuir o sorriso e tenho pena de não poder retribuir-lhe os olhos azuis. Como não lhe posso retribuir a cor dos olhos nem os longos minutos de conversa cúmplice, acedo ao pedido. Digo que sim, que escreverei, começando logo mentalmente a fazer contas aos minutos que terei de acrescentar às 24 horas dos dias a seguir. E assim nasceram estas escreveduras na revista.&lt;br /&gt;Assim nasceu esta, precisamente esta que se está a escrever como quem segue um percurso inventado pelos próprios passos. Passos cuidadosos, um pouco assustados pela escuridão que acompanha o percurso, esta dificuldade em inteligir o que estará a tapar o sol. Talvez ramagens densas numa floresta, que ao mesmo tempo são palavras numa língua obscurecida pelo uso. Palavras cujo sentido apenas se encontrará num ponto muito fundo, coberto por camadas e camadas de reiterações inconsistentes, enfim, de tagarelice. E no entanto há um rio que corre, tranquilo, através da floresta. Tal como há o texto límpido que é possível descobrir se escutarmos o movimento imperceptível em vez de ensurdecermos com o estardalhaço da perturbação.&lt;br /&gt;Por exemplo a palavra Justiça (assim mesmo, com maiúscula e contra os meus hábitos de escrita, só para termos a certeza de que designamos o valor essencial e não a ideia vaga balbuciada por quem teme, nem o capricho vulgarizado por quem se quer fazer temer). Que maltratada tem sido esta palavra. Queixamo-nos amiúde do desgaste da imagem da justiça e não há humorista que não tenha representado a outrora respeitável senhora vestida com andrajos, cabelo em desalinho e venda esburacada. Mas nem nesta expressão - «imagem da justiça» - a palavra se salva da redução ao mero funcionamento do sistema judiciário, com todos os protagonistas a acotovelarem-se uns aos outros no espaço do ecrã (a ver quem fica pior na fotografia), sem que se apele à mínima complexidade nas implicações de sentidos que a palavra reclama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero eu perguntar na minha perplexidade: será que no meio deste ruído frenético, cada vez mais casuístico e tão pouco casual, perdemos de vista o princípio e os fins, a força prupulsora do percurso que deve atravessar a própria vida, a noção de rio profundo que só a busca do humano pode alimentar? Andamos para aqui aos tropeções, numa corrida de obstáculos, limitando-nos a contornar ou a empurrrar cada um deles, sem desejo de meta? Numa pergunta simples: andamos a perder a bússola do sentido de justiça? Ou alguém tratou de a esconder muito bem escondida para acabar de vez com as ilusões?&lt;br /&gt;Há aquela formulação clássica de Ulpiano: Justitia est constans et perpetua voluntas suum cuique tribuendi. É uma formulação bela. Que continua a ser bela, porque o grande desafio que a História nos propôs é o de decidir qual o seu de cada um. Infinito desafio, ainda mais difícil do que demonstrar um teorema matemático, ou não fosse proposto por seres em permanente movimento e em permanente hesitação, acossados pela finitude. Que continua a ser bela porque todos quantos se empenham neste desafio sabem que o receberam e devem transmiti-lo intacto. E nessa vontade persistente, portadora de uma ética que molda cada acto como o tempo, sem se dar por ele, esculpe a vida, reside o sentido da aplicação rigorosa do direito, que, ao chegar ao destinatário, deve traduzir-se no sentimento de justiça.&lt;br /&gt;Não falo aqui da mera transmissão de testemunho, muito menos de um automático espírito de missão. Não somos atletas do direito, e, certamente, não somos missionários. Trata-se, apenas, de reencontrar a bússola, ou, se preferirem, de reler a Constituição da República. De relembrar que nos cabe dirigirmos o esforço à realização de todos os imperativos do Estado de Direito Democrático, na sua vastidão, na sua plenitude.        &lt;br /&gt;Não pretendo fazer um sermão nem construir uma espécie de discurso insolente, esse sim inestético, contrariamente à máxima de Ulpiano. Mas é que me aflige todo este escarcéu inoperante, tanta triste peripécia à luz dos holofotes, tanto desatino. Parece termos chegado a um ponto em que não é só a informação-espectáculo que precisa do sistema de justiça, mas é já o sistema de justiça que precisa do espectáculo informativo. Que se vão alimentando um ao outro (e ambos alimentando quem?) num festim deprimente que ofende os cidadãos.&lt;br /&gt;Também não considero que se devem ignorar os microfones e demais instrumentos amplificadores da acção. O oposto do protagonismo superstar não é o silêncio. A vontade permanente e constante de prosseguir os desígnios da justiça implica, neste momento, a intervenção cívica dos operadores judiciários e não dispensa a transmissão de informação, de acordo com regras e parâmetros previamente estabelecidos pelas instâncias a quem, legalmente, compete fornecê-la. O que não admite, sob pena de esboroamento das funções exercidas, é que tantos tenham dificuldade em resistir aos holofotes apontados, enredando-se, por inépcia, na promiscuidade entre segredo e revelação, tornando-se presas de uma estratégia alheia.&lt;br /&gt;Por isso me reconforta assistir a intervenções públicas dirigidas ao aprofundamento dos direitos de cidadania e ao modo de pensar o sistema de justiça enquanto garante e propulsionador desse aprofundamento.&lt;br /&gt;E também me reconforta pensar nos que diariamente vão exercendo essa função de forma natural, simplesmente abordando cada caso com a vontade persistente de interromper a incerteza e construir o equilíbrio. Imaginar, por exemplo, a minha amiga Amélia a fechar o Código Civil ao fim da tarde (o sol a pôr-se atrás dos muros do EPL), ajeitar o cabelo com as mãos exaustas e pegar nas chaves do carro para ir buscar os filhos à escola. A mão que não carrega as chaves carrega a pasta com o processo da audiência preliminar do dia seguinte. Estudá-lo-á depois de adormecer a filha mais nova e antes de ela própria poder cair de sono.&lt;br /&gt;Os trabalhos da justiça não têm fim, nem são desmaterializáveis. Felizmente.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;(texto escrito para publicação na revista do movimento Justiça e Democracia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm    .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3732662812663727349?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3732662812663727349/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3732662812663727349&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3732662812663727349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3732662812663727349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/04/o-seu-de-cada-um.html' title='o seu de cada um'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2675540189642583085</id><published>2009-03-13T21:34:00.007Z</published><updated>2009-03-13T23:21:01.012Z</updated><title type='text'>crimes -  ruínas -  construções</title><content type='html'>Não se pode ser moderado nestes tempos.&lt;br /&gt;As pessoas estão a viver mal. O dia seguinte é pior que o anterior e não tem volta. A geração que nos sucede já nem se assusta, limita-se a aguentar.&lt;br /&gt;Esta degradação irreparável da vida não constitui, em sentido jurídico, uma lesão irreversível, um dano indemnizável? Não somos vítimas de uma larguíssima gama de crimes - crimes contra o património, contra a vida em sociedade, contra as pessoas  (a integridade física, a saúde, a dignidade)? Estamos à espera de quê para punir os criminosos e exigir indemnização?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos aquelas pessoas, expulsas dos empregos, do sistema de saúde, do sistema de segurança social (inexistente ou a ruir), em desespero globalizado. Algumas ainda conseguem protestar e por enquanto o poder tem a sorte de assistir a um protesto organizado, ordeiro, cumpridor (a sorte de ter uma grande central sindical). &lt;br /&gt;Vimos as tendas montadas - azuis, como se fosse um planeta novo, paupérrimo, sobreposto ao planeta original - porque a casa foi perdida, o emprego fugiu e já não há portas para fechar, quanto mais para abrir. Este bairro de nylon (já estamos no século XXI, são outros os materiais) vimo-lo montado nos EUA. E vimos no mesmo dia a prisão de Madoff. Simbólica? A primeira ou a única? A primeira ou a única a prisão de Oliveira e Costa?&lt;br /&gt;Algum dia será julgado o crime na sua exacta dimensão? Pelo seu verdadeiro poder devastador?&lt;br /&gt;Onde é que aumentou a criminalidade? Nos assaltos aos bancos? Claro. E nos assaltos DOS bancos, não aumentou?&lt;br /&gt;Onde é que está a violência? Como é que se formam gangues? Como é que se formam guetos?&lt;br /&gt;Será este sistema judiciário capaz de julgar tudo segundo o mesmo princípio de equidade? Será capaz de tamanho empreendimento?&lt;br /&gt;Ou teremos que refundá-lo com a refundação de todo o sistema económico, de todo o sistema de valores?&lt;br /&gt;O que vamos fazer com esta crise? Remendar ou criar novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode ser moderado nestes tempos.&lt;br /&gt;Eu sei que é atractiva a fila do meio, quando se vai na autoestrada com pressa de chegar a um destino. A fila do meio permite guinar para a da esquerda ou para a da direita consoante os caprichos do trânsito e deixa a doce impressão de se fintar o tempo. Mas nesta viagem essencial, que vai de geração em geração, a faixa do meio é uma distracção inofensiva, a melhor maneira de ficar preso ao percurso e ao destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez não nos cabe gerir nada. Cabe-nos dar forma ao que soubermos construir, entre as ruínas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2675540189642583085?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2675540189642583085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2675540189642583085&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2675540189642583085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2675540189642583085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/03/crimes-ruinas-construcoes.html' title='crimes -  ruínas -  construções'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1651831887172778734</id><published>2009-03-05T23:56:00.002Z</published><updated>2009-03-06T00:26:11.234Z</updated><title type='text'>quinta-feira à noite</title><content type='html'>(a quem me pediu um poema)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o amor, estúpido. Não valem citações. Não valem recordações. Só vale fazer batota. Que é como quem diz só vale brincar, não vale mentir. Durante um momento existe apenas o boné em cima do livro, essa maneira de a vida nos dizer estremece e deixa-te chorar. Se não encontras a razão é porque te habituaste à arte das toupeiras (e como os túneis podem ser velozes, que o digam os construtores, os inauguradores, os figurantes). A razão está sempre onde a erva cresce e a mão acrescenta superfície. Escolhes o teu caminho como o rio sabe onde regressa ao mar. Ou preferes ir coleccionando inevitabilidades e tudo se te perde, mesmo o pensamento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É o amor, a única extensão do corpo, a consciência esclarecida, o que nos livra do chão. Não somos capazes de contemplar o infinito, nisso estamos de acordo. Por isso o amor é a origem. De certo modo o tempo inconcebível, a porta que só abre. &lt;br /&gt;O amor e os números, improváveis aliados. A única voz que enfrenta o medo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Radical. Raiz imaginada, anterior à imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caderno mais ao fundo e o lápis, afiado cuidadosamente, as aparas discretas, cheirando sempre a promessas, às casas desenhadas rente ao sol.   &lt;br /&gt;Ou nunca dás a casa por desenhada ou se esvai a geometria. É paciente, a geometria, mas também tem limites. Só a multiplicação não tem limites.&lt;br /&gt;Só a razão. &lt;br /&gt;Só o amor, em dias como o de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Santo Agostinho:ama e faz o que quiseres) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1651831887172778734?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1651831887172778734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1651831887172778734&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1651831887172778734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1651831887172778734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/03/quinta-feira-noite.html' title='quinta-feira à noite'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4000280297376518941</id><published>2009-02-19T12:02:00.008Z</published><updated>2009-02-19T21:58:27.840Z</updated><title type='text'>inundação com vista Tejo</title><content type='html'>Ok. Mesmo agora voltou a água. Já se pode aceder à casa de banho, após dia e meio de sobe e desce ao 6º piso onde a inundação deixou a salvo um wc para toda a população de três tribunais inteiros enfiados num edifício: família e menores, juízos de execução e tribunal marítimo. &lt;br /&gt;«Toda a população» abrange funcionários (togados ou assim assim), advogados, pais, técnicos que vieram para (adiadas) audiências, filhos, jovens/crianças que vieram para diligências, empregados das inúmeras obras ainda em curso no edifício, designadamente - por causa da inundação - CANALIZADORES, LADRILHADORES (sim, o chão das salas de audiência desapareceu, levado na enxurrada)ELECTRICISTAS (sim, água e electricidade misturadas não são o melhor caminho para evitar curto-circuitos)TÉCNICOS DE INFORMÁTICA (sim, os sistemas crasharam, o nosso impositivo Citius fanicou; os processos em  suporte papel escaparam, quais Lusíadas resgatados ao naufrágio, mas como agora já não servem para nada, nós, camões submersos pela epopeia tecnológica, ficámos ainda mais irrelevantes do que já éramos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, sim, RATOS, autênticos roedores descendentes dos habitantes do Convento de Mafra e dos que abandonaram o navio em fuga do império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o sol bate de chapa nas janelas desprovidas de protecção, porque as persianas são demasiado caras, bem podiam ser evitadas se não fosse a esquisitice de alguns magistrados com mau feitio e dados a achaques. Aliás, senhores directores e demais chefes, V.s Exªas têm toda a razão, deviam correr dos tribunais e de todo o lado essa gentinha enfermiça que anda para aqui só a encalhar a geringonça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é apenas um vislumbre da insalubridade que vivemos nas novas instalações do CAMPUS JUDICIÁRIO, com vista para a torre vasco da gama.&lt;br /&gt;Podiam ter melhorado as condições antes de nos condenarem ao desterro?&lt;br /&gt;Podiam, mas seria um desperdício em ano de estatísticas prontas a ser proclamadas no balanço eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, se os técnicos de serviço social a quem pedimos relatórios sobre as condições de habitabilidade das crianças viessem fazer a vistoria a este sítio, concluiriam não se verificarem níveis mínimos aceitáveis e proporiam medida de acolhimento institucional para todos nós, por  causa da situação de perigo para a saúde e segurança a que nos abandonaram.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não vivemos já todos num hospício em forma de rectâgulo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4000280297376518941?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4000280297376518941/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4000280297376518941&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4000280297376518941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4000280297376518941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/02/ok.html' title='inundação com vista Tejo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7788010510538441129</id><published>2009-02-12T23:11:00.006Z</published><updated>2009-03-13T23:48:25.334Z</updated><title type='text'>Darwin, Homero, mistérios, movimento</title><content type='html'>Tantos anos vividos e os mistérios sempre os mesmos. Homero e Darwin, os grandes narradores, viajaram connosco, sem nos conhecerem. Nós, que os conhecemos, continuamos tontos com a viagem, sabemos lá como vai ser, se acabará ou não. &lt;br /&gt;Do que sabemos pouco nos entusiasma, só nos faz falta continuarmos a brincar. Assim como brincarmos em crianças assim brincaremos em adultos. Ou seja, segundo me parece, o padrão repetido tende a repetir-se exponencialmente (quem me dera poder embarcar num Beagle qualquer e ir por aí dedicando-me a investigar curiosidades). A maturidade não nos traz mais que a ilusão de sermos os melhores e as correspondentes decepções. Até os sustos se assemelham. De certo modo havia razão nas antigas representações da infância: adultos pequeninos. De certo modo há uma razão no modo arcaico de ver crianças grandes naqueles que nos estão mais próximos. Quanto mais próximos nos estamos mais regredimos na idade recíproca. E assim, pelo menos, evitamos ver-nos envelhecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas estas viagens inscritas em viagens maiores até àquilo que designámos infinito (e esta é uma bela palavra para dizer a ignorância, o segredo de todos os matemáticos) há uma harmonia terrível. Tudo é perfeito, inspirado, meticulosamente construído para a evolução. Até a tristeza, quando interrompemos o jogo e nos deparamos com a imagem inesperada, é muitas vezes  suportável. Aliás a crueldade que as pessoas aguentam e a que são capazes de inflingir ultrapassa o poder de imaginação dos mais serenos. O que vejo e o que detecto sem ver e sem ouvir, quando a realidade uiva, leva-me a concluir que a sobrevivência derrota a noção elementar de vida. Provavelmente é nestes desafios e na luta entre o conceito e o grão de pó real que reside o êxito das ficções de terror, tão desastrosamente levadas à prática em todos os tempos do mundo, mesmo no que podemos antecipar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe pois essa harmonia que inclui a dor, o antídoto e os momentos felizes. Existe também a melancólica imaginação do infinito. &lt;br /&gt;Existe a perfeição e existe a morte. Desta convivência nasce a terrível beleza da tragédia. Só ela nos atrai, só ela nos mantém entretidos enquanto nos dura a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincando e viajando assim (sonhando), desde a infância até à grande incógnita, vivemos (n)os mistérios. Sempre os mesmos, os que nos movem quando, encostando o ouvido à terra, ouvimos o sangue e a pergunta, &lt;br /&gt;somos o próprio movimento.         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7788010510538441129?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7788010510538441129/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7788010510538441129&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7788010510538441129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7788010510538441129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/02/darwin-homero-misterios-movimento.html' title='Darwin, Homero, mistérios, movimento'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1454592572244477473</id><published>2009-02-06T23:39:00.003Z</published><updated>2009-02-07T00:57:57.414Z</updated><title type='text'>intervalo</title><content type='html'>Como se pode verificar, este espaço está temporariamente encerrado.&lt;br /&gt;Não para obras, não por ordem superior, não por causa da crise, não (MESMO...) por falta de tema.&lt;br /&gt;É que o mundo mudou drasticamente mas os tempos nem por isso e as vontades ainda menos (do ser e da confiança nem falemos). O mundo mudou aos trambolhões e aos trambolhões me mudei eu, de bagagem sem armas, para um gabinete num prédio em remodelação, muito em conta, para os lados do oriente. E deste modo nada feito, tudo é viagem e trabalho, gasóleo, lama e cimento. CHUVA.FRIO.&lt;br /&gt;Ainda assim a minha queixa um insulto a quem sabe lá onde andará/desandará no dia seguinte. É melhor ganhar 200 euros do que nada, é melhor ter contrato a prazo que estar desempregado, é melhor receber por uma hora de trabalho do que por zero. É melhor estar de pé do que permanecer sentado (?) É melhor respirar do que não ter nascido. &lt;br /&gt;Portanto panglossiando e desistindo a vida se desfaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o mundo mudou drasticamente e não se muda já como soía. Mas o tempo, ai de nós, o tempo carangueja e anda a considerar seriamente apodrecer.&lt;br /&gt;Nunca pensei ver tão pouca força, desejo nenhum. A Justiça faz-me corar e assobiar para o lado, as vozes vociferantes do poder, de tão rasteiras, embaraçam-me; às outras peço mais, esforcem-se ainda mais, muito muito mais, respondam aos que não têm voz nenhuma.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;O tempo, vamos lá ser condescendentes à despedida, intervalou. Eu limito-me a intervalar também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e acabo de assistir no ecrã a uma visita guiada às obras de remodelação dos andares ali à Expo, muito em conta, onde colaram (já terão colado?) a etiqueta de tribunal de família e menores de lisboa. Não há fax nem fotocópias e as casas-de-banho são as do Alfa - obrigada pela imagem, Dr. Gonçalo, essa, de tão (à) justa, pegou mesmo - mas os magistrados já por lá andam, aos trambolhões descendo pelas escadas de emergência - obrigada também, Dra. Renata, pela ousadia. Não devia ser eu a corar de vergonha, não devia ser eu a sentir este embaraço)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a intervalar com ele, tempo, que ladra e morde ao mesmo tempo, pitbull de si próprio.&lt;br /&gt;Até ... quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1454592572244477473?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1454592572244477473/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1454592572244477473&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1454592572244477473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1454592572244477473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/02/intervalo.html' title='intervalo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3766275384549282174</id><published>2009-01-17T22:43:00.002Z</published><updated>2009-01-17T22:58:35.660Z</updated><title type='text'>primeira mão: ana luísa</title><content type='html'>AVALANCHES OU ANUNCIAÇÕES: SUGESTÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo pela manhã, em avalanche, entras-me por aí. &lt;br /&gt;Solenes, como reis, chegam contigo gatos, papagaios, &lt;br /&gt;algum astro pulsante à beira-mar e valsa, uma palavra &lt;br /&gt;verde ou de outra cor. Se chegasses na hora do calor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;correndo pela estrada nacional, e em velocidade tal, &lt;br /&gt;que conseguir parar junto à falésia: fantasia maior – &lt;br /&gt;não serias mais bela alegoria. E em alegria, vejo-te a cair, &lt;br /&gt;o risco de erosão a confirmar-se, uma pedra minúscula &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a bastar, para que o meu sossego assim se pulverize. &lt;br /&gt;Podia, se quisesse, ter desenhado ali, a meio do ar, de ti&lt;br /&gt;(em queda livre): arbusto de resgate…Ou uma equipa &lt;br /&gt;inteira de resgate: roldanas, capacetes, moderno material,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e lanternas com luz, último grito. Se o desejasse, podia, &lt;br /&gt;se quisesse – E em fio equilibrado para lá de normal,&lt;br /&gt;hesitar-me: alegria? A morte por ditongo iluminado, &lt;br /&gt;ou o grito ao meu lado, sobre mim, comigo? Faço &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do corpo em verso o mais puro colchão, e suave, &lt;br /&gt;e resistente, chamo o resto da gente que me habita&lt;br /&gt;e deitamo-nos rente ao final mais final desta falésia. &lt;br /&gt;Convoco: aqueles astros, os gatos que trouxeste atrás &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de ti, solenes, elegantes como valsa. Torno-me em pó &lt;br /&gt;contigo cá em baixo, ou não me torno nada e só a ti &lt;br /&gt;te faço estilhaçar, a ilha azul explodindo de mil cores,&lt;br /&gt;em tela de cinema. Agora podes vir, que o tema em perigo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;igual à dura terra que nos abençoa. E as penas tão &lt;br /&gt;brilhantes são motivo maior de pára-quedas. Vivem&lt;br /&gt;a sustentar essa avalanche toda da manhã. Feita de&lt;br /&gt;gelo e luz, e o calor morno dessa anunciação. Então,&lt;br /&gt;Faça-se em mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANA LUÍSA AMARAL (inédito)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada, Ana Luísa!&lt;br /&gt;Daqui (faixa de gaza em lua decrescente)te agradeço o poema e esta&lt;br /&gt;maneira de trocar de voz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3766275384549282174?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3766275384549282174/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3766275384549282174&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3766275384549282174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3766275384549282174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/01/primeira-mo-ana-lusa.html' title='primeira mão: ana luísa'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1889143858762204530</id><published>2009-01-04T18:46:00.005Z</published><updated>2009-02-07T01:09:11.770Z</updated><title type='text'>feliz ano novo</title><content type='html'>Devoradora de crónicas, costumo chegar ao final das tardes de domingo com esta plenitude, apenas mitigada pela aproximação dos utilíssimos dias de trabalho. &lt;br /&gt;O texto que se segue, porém, não o transcrevo pela elegância da escrita ou pelo ponto de vista singular ou pela capacidade de me agarrar na mão e levar-me a visitar os segredos guardados no fundo dos dias. Este texto de ALMUDENA GRANDES, publicado no número de hoje da revista do El Pais, tem essas qualidades e mais uma: a de sintetizar na perfeição as crónicas que desejaria escrever neste começo de 2009. Chama-se FELIZ AÑO NUEVO.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;«Coisas que não deveriam repetir-se:&lt;br /&gt;Os atentados terroristas com mortos. Os atentados terroristas com feridos. Os atentados terroristas com mortos, com feridos e até sem vítimas, de qualquer sinal, credo ou nacionalidade.&lt;br /&gt;A violência machista que mata. A violência machista que converte a vida numa tortura pouco preferível à morte. A violência machista, e a que é exercida sobre as crianças.&lt;br /&gt;A tragédia dos seres humanos que morrem afogados, depois de naufragarem no Estreito as embarcações nas quais tentaram escapar à pobreza. A tragédia dos seres humanos que morrem de fome ou de sede nas embarcações que não naufragam ao atravessar o Estreito, e nas traseiras dos camiões que os transportam clandestinamente através das estradas. A tragédia dos seres humanos que morrem devagar, de fome, de sede e de desespero, enquanto trabalham como escravos sob o controlo de máfias criminosas.&lt;br /&gt;Os acidentes de viação com mortos. Os acidentes de viação com feridos. Os acidentes laborais com mortos ou com feridos. Todos os acidentes que poderiam ter sido evitados.&lt;br /&gt;Os assassinos insanos que entram numa escola ou numa universidade com uma arma e o desejo de não saber o nome das pessoas que vão matar. Os adolescentes insanos que matam velhos e indigentes por curiosidade. Os arruaceiros e guarda-nocturnos que matam adolescentes por brincadeira, ou movidos por algum outro impulso que não sou capaz de conceber. Os assassinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A PENA DE MORTE. A TORTURA. A LAPIDAÇÃO. AS MUTILAÇÕES. As legislações que legitimam nalguns países as execuções sancionadas por um tribunal, a tortura aprovada por um tribunal, a lapidação ou a mutilação sentenciada por um tribunal. As instituições religiosas e civis que encorajam ou consentem o assassinato legal, com ou sem tortura prévia, de qualquer pessoa que tenha cometido, ou não, um delito. E os prisioneiros de consciência, independentemente da sentença que estejam a cumprir.&lt;br /&gt;A directiva do retorno que a União Europeia aprovou. Os campos de internamento para imigrantes ilegais. O racismo. A xenofobia utilizada como argumento político ou factor de coesão social. A insolidariedade entendida como sentido comum. O egoísmo entendido como sentido comum. A avareza entendida como sentido comum.&lt;br /&gt;O tráfico de mulheres. A tolerância social que ampara o tráfico de mulheres. O lucro económico gerado pelo tráfico de mulheres. A impunidade de que gozam os que enriquecem graças ao tráfico de mulheres. E o turismo sexual, a tolerância, os ganhos económicos, a impunidade de que gozam os que praticam o turismo sexual, com ou sem menores de idade.&lt;br /&gt;O tráfico de armas. A tolerância social que ampara as nações ocidentais que enriquecem vendendo armas a países subdesenvolvidos. Os chorudos lucros que as economias mais potentes do mundo obtêm fomentando a guerra e a destruição nos países mais pobres do planeta. A absoluta impunidade de que disfrutam os que se empanturram com este negócio sem que isso chegue sequer ao conhecimento da opinião pública dos respectivos países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A GUERRA. As guerras. As que se fazem ao teórico abrigo do humanitarismo e da democratização de um povo que nunca encomendou a ninguém a guerra que padece, e as que travam pequenos tiranos locais entre si, ou com os respectivos, pequenos opositores que aspiram a desalojá-los do poder para ocupar por sua vez o lugar deles e conseguir ser, pelo menos, tão tiranos como eles. As guerras que desolam, arrasam, matam e despedaçam cada vez mais a população civil, e menos os exércitos.&lt;br /&gt;A fome. O desepero dos pais e das mães de meio mundo que nada têm para dar de comer aos filhos. A fome das crianças, e a fome dos adultos, a fome que mata diariamente uma multidão de pessoas em África, e não só em África, enquanto os habitantes dos países ricos se queixam de que a economia vai mal, e de que este ano tiveram que reduzir o investimento nos seus banquetes natalícios.&lt;br /&gt;A sida, que no Ocidente é uma doença mortal que se pode combater com prevenção, mas ao sul do Sara se traduz numa epidemia de dimensões apocalípticas, mortal como uma peste medieval e capaz de despovoar regiões inteiras. A sida do subdesenvolvimento, da miséria, da pobreza. As mortes massivas de doentes com sida e outras epidemias.&lt;br /&gt;E para os privilegiados como eu, que escrevo este artigo, e como vocês, que o estão a ler, a crise económica.&lt;br /&gt;Oxalá 2009 seja um bom ano, um ano melhor que 2008. Para todos».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finda a crónica, um desejo mais: que no final deste ano de tormentas, e dos próximos, não estejamos a olhar em redor dos nossos próprios ocidentais e priveligiados espaços como se estivéssemos debruçados sobre os campos devastados do subdesenvolvimento que por ora só avistamos do ecrã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1889143858762204530?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1889143858762204530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1889143858762204530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1889143858762204530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1889143858762204530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2009/01/devoradora-de-crnicas-costumo-chegar-ao.html' title='feliz ano novo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3772513364983484113</id><published>2008-12-27T17:21:00.007Z</published><updated>2009-01-17T23:06:26.474Z</updated><title type='text'>do desassossego</title><content type='html'>Vêm os jornais cheios de balanços como se a vida fosse uma sociedade comercial, tipo «Vidinha Ldª» (se a denominação estiver disponível na lista da simplexíssima empresa na hora).&lt;br /&gt;Corre uma tarde chuvosa. A lareira consola. Na televisão, para variar, passa um filme decente, «O Castelo Andante», fantasia de animação, história da Bruxa do Nada contra a menina Sophia, que há-de ser salva pelo príncipe/feiticeiro Hull. Como já não é a primeira vez que vejo o filme posso segui-lo enquanto folheio os balanços e alguém me desafia a fazer o meu. Dizem-me que a memória, a memória, alicerce da Ideia a construir. Seja. &lt;br /&gt;Acontece que nada deixa saudades neste ano em agonia. Não me sinto inclinada a enfrentar a memória da repentina escuridão que antevê a treva, não uma treva particular mas a do tempo incerto.&lt;br /&gt;Não me sinto inclinada a fazer enumerações, para quê escurecer ainda mais a mancha que alastra muito bem sozinha?&lt;br /&gt;Mas ficou alguma coisa destes balanços misturados: o impulso de correr para a estante e resgatar o «Livro do Desassossego», que no ano que passa conheceu nova edição. E este impulso sim, devolve-me em dobro o que me atreveria a ambicionar da memória enumerativa: devolve-me o ano de 1983, uma praia no inverno, noites que são manhãs onde a luz adormece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ó noite onde as estrellas mentem luz, ó noite, única cousa do tamanho do Universo, torna-me, corpo e alma, psrte do teu corpo, que eu me perca em ser mera treva e me torne noite também, sem sonhos que sejam estrellas em mim, nem sol esperado que illumine do futuro».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de mandar encadernar este livro. A lombada esgarçou-se, as folhas fogem umas das outras e das minhas mãos. Resistem à unidade, ao todo, ao corpo coerente. Tenho quase a certeza de que resistiriam aos balanços, se pudessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreveu assim Pessoa, em carta a Armando Cortes Rodrigues (1914):&lt;br /&gt;«O meu estado de espírito obriga-me agora a trabalhar bastante, sem querer, no Livro do Desassossêgo. Mas tudo fragmentos, fragmentos, fragmentos.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fragmentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3772513364983484113?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3772513364983484113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3772513364983484113&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3772513364983484113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3772513364983484113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/12/do-desassossego.html' title='do desassossego'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-495881616326446561</id><published>2008-12-26T21:26:00.008Z</published><updated>2008-12-27T18:19:21.766Z</updated><title type='text'>as empresas e as famílias</title><content type='html'>As palavras não mentem.&lt;br /&gt;Quero dizer, não são elas que mentem. As palavras são criaturas infinitas, em número, em sentido, em desamparo.&lt;br /&gt;Infinitas mais que os números porque não embaraçam na contagem nem há calculadora que as defina. Os dicionários são a escultura (comovente na ambição falhada) da incompletude, uma espécie de vénus de milo a que faltasse o braço, a perna, a outra metade; uma vénus cujo corpo se vislumbrasse com os dedos, todos os dez dedos e todos os mil olhos cegos. As bibliotecas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Rex é autista e cego, mas ouve muito, ouve tudo, reproduz a música que lhe chega do exterior e a que nasce dele com precisão total. Aparenta catorze/quinze anos e está ali no ecrã, a compor, a tocar. Rex é um ouvidor. Perguntamo-nos o que sucedeu primeiro, qual a sequência do prodígio que lhe oferece 15 minutos no «Sixty Minutes». Com tantas explicações, algumas seguras outras cientes da incerteza, ficamos atordoados; não sei quando parar de reflectir, quando desligar a atenção).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as bibliotecas são monumentos soberbos e gentis como constelações, árvores milenares ou um só romance de Stendhal. Só os poetas sabem que não podem parar. Não se pode parar, não se pára o infinito. Os outros limitam-se a tentar ser mais fortes (é isso uma história, a perturbação do infinito; arrancar ao infinito um pedaço de pele, acrescentar-lhe um grão de pó, alterar-lhe a doce paz). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infinitas em sentido, as palavras. Sobre isso já se escreveu e meditou o suficiente para ocupar todas as bibliotecas imaginárias que as memórias consentem. Agora mesmo, olhem esta: OBÂMICO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBAMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tonight is your answer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disse ELE no dia 4 de Novembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;This crisis is your question&lt;br /&gt;disseram-lhe o subprime, a Lehmon Brothers, a pirâmide Madoff.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mundo é a tua pergunta&lt;br /&gt;A nossa vida é o teu desafio&lt;br /&gt;dizem-lhe os esquecidos do mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBAMA&lt;br /&gt;OBÂMICO, o adjectivo mesmo agora usado pelo Nuno Rogeiro, desta vez a propósito do malabarismo que antevê para o apaziguamento do conflito israelo-palestiniano. E todos percebemos do que fala. Não queremos ser messiânicos, aliás não somos mesmo, mas percebemos logo o que obâmico quer dizer. É este o infinito modo das palavras.&lt;br /&gt;A guerra a estalar entre a Índia e o Paquistão, o convite a revermos Gandhi, o filme. A lembrarmos Gandhi, sem nenhum adjectivo que o defina porque também não é preciso. É esta a grandeza dos homens, tão diminuta, tão parcimoniosa nas escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras infinitas no desamparo. Todas as línguas se constroem contra a solidão essencial; quando a exaltam renegam a origem, celebram a contradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pronto, por aqui andamos, sem saber como lidar com a morte quanto mais com o ano de 2009.&lt;br /&gt;Falo no plural porque, presumo eu, sou abarcada pela expressão EMPRESAS E FAMÍLIAS (em ambas as categorias, unipessoal e nuclear), que susbtituiu no léxico económicopolítico a renegada COMPETITIVIDADE como ícone no altar do sacrifício onde as nossas cabeças aguardam o golpe fatal. De resto foi essa expressão maliciosa que motivou esta crónica. Não são, de facto, as palavras que mentem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, comamos chocolates, pequenos, comamos chocolates. De preferência uma tabeletezinha da Regina, recheada de morango. Já não há no mercado? Óptimo, poupa-se nas calorias e na carteira, ganha-se na memória e nas saudades. Embebedemo-nos todos, escutemos Baudelaire. De cerveja, de poesia, de virtude, de amor de amor de amor. À votre guise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-495881616326446561?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/495881616326446561/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=495881616326446561&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/495881616326446561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/495881616326446561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/12/as-palavras-no-mentem.html' title='as empresas e as famílias'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4838968710344002137</id><published>2008-10-05T21:55:00.003+01:00</published><updated>2008-10-05T22:47:49.547+01:00</updated><title type='text'>o fim do capitalismo ou o fim das palavras?</title><content type='html'>Depois de tanto tempo sem escrever fiquei sem palavras. Parece que a maior parte do que andei para aqui a resmungar durante um ano, e o que milhares de excêntricos radicais moralistas extremistas etc. andaram a rezingar ao longo de décadas de mau feitio afinal era verdade. Afinal o deboche do capital financeiro. Afinal a corrupção em Wall Sreet. Afinal a intervenção do Estado e os pára-quedas dourados. Finalmente as pessoas! Até os paraísos fiscais! Vai-se a ver a taxa Tóbin demasiado recuada, finalmente o discurso prepotente de João Salgueiro execrado por toda a gente. Se não o fim do capitalismo (a implosão, a revolução) o neo-liberalismo tornado pecado capital, executado em pelourinho público por todos quantos o mimaram, lambuzaram e, cinicamente, resguardaram da justa fúria popular. Sim, porque quem é que vamos escolher para evitar que o desastre vire catástrofe e pelo menos nos poupe o pão para a boca? Os que se esmifraram a antever e a tentar prevenir o caos? Qual quê! Adivinharam: os mesmos, os escolhidos, os tais, os únicos que podem, os pragmáticos, os que sabem descrever na perfeição, e com palavras (aquelas que me faltam), lindíssimos ângulos de 180 graus.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;THE RISING começará na AMÉRICA?&lt;br /&gt;Assim o desejou Bruce, hoje, em Filadélfia. Assim o desejamos nós. Até ao dia 4 de Novembro todos somos american democrats.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4838968710344002137?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4838968710344002137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4838968710344002137&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4838968710344002137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4838968710344002137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/10/o-fim-do-capitalismo-ou-o-fim-das.html' title='o fim do capitalismo ou o fim das palavras?'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4693489360228340571</id><published>2008-09-02T22:05:00.002+01:00</published><updated>2008-09-03T00:03:54.840+01:00</updated><title type='text'>o prestígio de uma decisão</title><content type='html'>A não pronúncia de Paulo Pedroso, confirmada pela Relação de Lisboa, foi, perante os factos e a apreciação que estes mereceram, um primeiro momento reparador. Mas não bastante. Não há, de resto, forma bastante de ressarcir um homem sobre quem se abateu o desmando, a incompetência e a cegueira messiânico-populista de uns quantos membros do círculo judiciário. Por isso, sem surpresa, soube-se que ele, esse homem, moveu uma acção contra o Estado com base na ilegalidade da prisão preventiva suportada ao longo de quatro meses. O pedido de indemnização cível, relevando embora, tinha objectivos instrumentais: fundamental era que se reconhecesse, também para benefício de outros cidadãos, que há condutas impróprias de um magistrado, escrutináveis eticamente tanto como no plano jurídico-procedimental. &lt;br /&gt;Não faltou, contudo, quem admitisse que os tropismos corporativos ou a pusilanimidade viessem a opacizar o caminho da decisão. Certo país de vozeario e folhetim, cacete miguelista e ignorância como estandarte, erigira o juíz Rui Teixeira e o procurador João Guerra em figuras imaculadas na intrepidez da luta contra o mal. E esse ícone saloio poderia tolher, emascular, impedir a medida da independência e do rigor na hora de decidir. &lt;br /&gt;Tal não ocorreu. Como não acontecera quando a Drª Ana Teixeira e Silva interveio no processo, numa fase sensível. Ou seja (e isto importa sublinhar), é inquestionável que o sistema dispõe de mecanismos de correcção, reequilíbrio e sanidade a não minimizar. Aí está a sentença da juíza Drª Amélia Lopo, que não li, a honrar a verdade e o direito. Ousadia? Não creio que deva sobrelevá-la, se existiu. Serenidade sim, lucidez, recta consciência, sentido de realização dos fins primeiros e últimos da Justiça. E não vimos a magistrada em voláteis aparições de telejornal, entrevistada à saída do gabinete ou (num qualquer lance de herói das películas da série B) deslocando-se à Assembleia da República ou a outro órgão de soberania a desafiar o ridículo. &lt;br /&gt;Em que me fundo para escrever o que escrevo? Na circunstância elementar de não esquecer que a dupla Rui Teixeira/João Guerra perdeu todos os recursos desde as ladinices perpetradas nesse tempo escuro em que foram os protagonistas da hora. Havia, portanto, um prognóstico sustentado. Erro grosseiro, concluíu a juíza. E nós concluíramos com ela. Nós, os que pensam estas matérias sem pasionalizações, à luz de uma axiologia que não cede às conjunturas, sejam elas quais forem, e tangem a esfera do normativo numa dinâmica não subjugada por ranços que persistem: os positivismos, a tagarelice e o vezo antigarantísticos, a ausência de uma estruturante liberdade no respeito da regra legal. &lt;br /&gt;Não quero agora extrapolar para universos de controvérsia na opinião pública, as alterações aos Códigos Penal e Processual Penal desde logo. Não obstante a pertinência, desviar-me-ia do que pretendi averbar. Fica, todavia, uma nota: magistrados de mérito, responsáveis, pertencentes a uma linhagem de saber e honorabilidade, não temem que sejam assegurados aos arguidos, àqueles que são sujeitos ao veredicto dos tribunais, todos os meios de defesa que uma civilização aberta e democrática exige. Pelo contrário. A notícia de hoje o comprova. E como prestigia quem lhe fica para sempre na origem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Manuel Mendes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4693489360228340571?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4693489360228340571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4693489360228340571&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4693489360228340571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4693489360228340571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/09/o-prestgio-de-uma-deciso.html' title='o prestígio de uma decisão'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8698208765181772620</id><published>2008-09-01T22:19:00.004+01:00</published><updated>2008-09-01T23:45:59.235+01:00</updated><title type='text'>impérios e peões</title><content type='html'>«A Europa tomou uma posição de força em relação à Rússia na cimeira dos 27 que hoje decorreu». Assim mesmo, juro que foi esta a frase que ouvi há pouco num noticiário da TSF. A gargalhada com que reagi foi tão espontânea que por segundos me julguei a assistir a um bom programa humorístico. &lt;br /&gt;Estes 27 pedacinhos, uns mais pedaços do que outros, aglomerados por um território ameno e um vago complexo de superioridade cultural, não se cansam de demonstrar em cada santo dia a debilidade crónica decorrente da dependência energética e da impossibilidade de um programa de defesa comum. Parecem um cãozinho de porcelana a ladrinhar contra um pitbull.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esta Europa, felizmente, possui como virtudes intrínsecas o espírito aberto ao novo e o sistema democrático (e mesmo assim, às vezes, o pezinho lá resvala para pântanos perigosos, veja-se a Polónia, por exemplo, ou o berluscónico esplendor); não tem queda para o império. Grande parte desses 27 pedacinhos já conheceu as suas próprias eras imperiais, já sofreu a decadência e encontra-se, com mais ou menos feridas, em fase de convalescença. Não, felizmente a nossa velha Europa já não tem vocação imperial, ao contrário da grande Rússia. Tem até tentado prosseguir um projecto interresante: a construção de uma potência enriquecida pela pluralidade, assente em princípios e desígnios democráticos, respeitadores da dignidade humana, tendentes a obter níveis superiores de bem-estar e de cidadania. Um belo projecto, que cada vez mais parece enredar-se nas suas falhas, sobretudo a que advém da distância entre os que decidem e os próprios cidadãos.Esta Europa, infelizmente, ainda não passa de uma vaga convergência de interesses económicos (à mercê dos que ditam outros poderes mais altos no mercado), que seriam geo-estratégicos se houvesse uma estratégia comum e seriam também políticos se houvesse ideias genuínas para inovar e prosseguir critérios de justiça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assim, desta forma peguinhenta, com tiques de imponências já gastas, já passado, a Europa limita-se a fazer figuras tristes no chamado «xadrez mundial». Figuras de peão, que seriam dignas e decentes, como os briosos peões são quando o jogo é limpo e inteligente (o que não é o caso), se não se pusessem em bicos de pés com ares de superioridade perdida, eternos chernes-mordomos na fatal cimeira dos Açores, eternos Sarkozy usando saltos incrustados nos sapatos para proporcionar mais uns centímetros de arrogância pífia. &lt;br /&gt;Até me parece, neste xadrez exausto e viciado, que a obamania europeia tem menos origem na simpatia por um discurso efectivamente empenhado numa mudança que subverta a «ownership society» do que na esperança (quanto a mim vã) de que possamos voltar a ser o protectorado de uma América elegante e sensata, o contrário do desastre Bush. Mas isto sou eu a resmungar, eu, europeia de gema, súbdita de império algum.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8698208765181772620?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8698208765181772620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8698208765181772620&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8698208765181772620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8698208765181772620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/09/europa-tomou-uma-posio-de-fora-em-relao.html' title='impérios e peões'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3733512764975513539</id><published>2008-08-28T21:58:00.003+01:00</published><updated>2008-08-28T22:27:30.209+01:00</updated><title type='text'>e aqui é o tempo</title><content type='html'>«...e a luz que vem e muda e sempre voltará de novo, e tudo o que vai e vem e muda, na praça, e que, no entanto, voltará a ser igual de novo. E, aqui», pensou Grover, «aqui está a praça que nunca muda, que será sempre a mesma praça. Este é o mês de Abril de 1904. Aqui está o sino do tribunal e são três horas. E aqui está Grover com a sua sacola de papel. Aqui está o velho Grover, quase com doze anos - aqui está a praça que nunca muda, aqui está Grover, aqui é a loja do pai, e aqui é o tempo.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(«O Rapaz Perdido», Thomas Wolfe)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(As armas nunca estão em boas mãos. É preciso acabar com o terror que visam espalhar. Reacções judiciais imediatas e enérgicas? Claro. Medidas para evitar tanta fome de fogo e todo o tipo de traficâncias também.)&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3733512764975513539?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3733512764975513539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3733512764975513539&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3733512764975513539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3733512764975513539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/08/e-aqui-o-tempo.html' title='e aqui é o tempo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-6329869853127067517</id><published>2008-08-25T22:01:00.003+01:00</published><updated>2008-08-25T22:55:24.578+01:00</updated><title type='text'>EPC, um ano depois (para MM)</title><content type='html'>Faz hoje um ano dizíamos, tristíssimos e pequenos: deixa vazio o lugar, o tempo, o olhar que exige reflexão e capacidade para encontrarmos infinitos no mais ínfimo movimento. Dizíamos: era o mais novo de nós, porque é que havia de ir primeiro; dizíamos: único, insubstituível, ninguém que possa percorrer tantas escalas musicais como se todas fossem acabadas de inventar. E ainda não calculávamos a falta que nos ia fazer. Hoje confirmamos a saudade, espantamo-nos com a sua dimensão. Ao longo deste ano que livros (filmes, exposições, revistas, novidades)deixei de ler porque não mos mostrou? Que imagens, pulsações, traçados sismográficos me escaparam? Que diria ele, quase sempre benevolente, das errâncias socráticas, dos silêncios nunca tão ruidosos no PSD, dos ares vindos de Buliqueime? Como seria a sua crónica hoje, dia do início da Convenção de Denver?&lt;br /&gt;Para quem as saudades são estas e ainda mais uma e todas, um abraço e toda a ternura&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-6329869853127067517?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/6329869853127067517/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=6329869853127067517&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6329869853127067517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6329869853127067517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/08/epc-um-ano-depois.html' title='EPC, um ano depois (para MM)'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7951284348125752961</id><published>2008-08-19T22:34:00.003+01:00</published><updated>2008-08-19T23:26:51.901+01:00</updated><title type='text'>véspera</title><content type='html'>A guerra na Geórgia? Tema demasiado sério para uma noite de agosto a pedir agasalho e este piano todo por dentro da melancolia. Última aventura de W. antes de partir, não lhe bastava o escudo anti-mísseis na Polónia, com os europeus a tiracolo, e retorno ao gume dos conflitos entre potências, passa-se no país de Saakashvili uma afirmação da Rússia no Cáucaso, contraponto dos Balcãs, e no contexto da política internacional. Um dia perceber-se-á a razão que levou Tbilissi a iniciar hostilidades. Ah, este piano na pureza do silêncio em que escrevo. E o que serão nesse dia os EUA, sob a égide de Obama ou, seja o diabo cego surdo mudo, McCain, herói ao que proclama de outras guerras que foram derrotas do império.&lt;br /&gt;De derrotas sei. Mais do que quereria. Mas aprendo sempre que a ocasião se me põe a jeito. Não desperdicei as provas portuguesas em Pequim, com relevo para quanto ouvi à generalidade dos atletas. As horas do triunfo e da derrocada tornam transparente o que somos. Deve ser deste solo de flauta sobre uma escala de mágoas mas a verdade é que respeito quem se despenha do sonho e, observando as feridas os eczemas a matéria do que ainda não cicatrizou, diz Falhei, falhei porque não consegui e houve quem com mérito me superasse. Nas Olimpíadas, nas artes, na vida. &lt;br /&gt;Não sei se chove lá fora, pouco importa. De algum modo estou sentado num quarto da casa de Valdemosa, naquele em que Chopin deixa que a dor se faça água nos dedos enquanto toca para George Sand, tão na véspera do irremediável. Que faço aqui, as mãos sem barcos nem aragem, olhando o homem que esconjura a escuridão na margem de um rio que não existe?&lt;br /&gt;Sou o que lê por entre as notas. Che tempo farà domani? / Potrò alzarmi /entrare in tutta la presenza della luce?/ Ah, a transcendência deste piano como árvore crescendo no que me enternece. Aspetto che fioriscano le giovani cose / la presenza dell'aria / la mia vita, perchà sono fatto / di linfa e di voci. (Nicola Vitale)O que lê, o que redige na lousa quanto lhe apraz. Assim, até à nudez.&lt;br /&gt;jmm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7951284348125752961?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7951284348125752961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7951284348125752961&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7951284348125752961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7951284348125752961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/08/vspera.html' title='véspera'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4785601294870640567</id><published>2008-08-18T21:48:00.003+01:00</published><updated>2008-08-18T22:22:27.310+01:00</updated><title type='text'>vanessa</title><content type='html'>Comovem as imagens do povo, acordado às 6 da manhã em tempo de férias, para celebrar por fim a alma lusa na prata que Vanessa conquistou. Um êxito individual redime séculos e vidas inteiras de fracasso, sobretudo quando o hino soa em fundo. Todos, mesmo os que tentam manter o posto de observador distante e não se envergonharem com as caricatas atitudes de alguns derrotados, sentem que «aqui tá muita coisa», incluindo um pouco da esperança que lá muito no fundo guardamos em relação a «esta choldra». A Vanessa tem fibra, carácter, falta de peneiras, a confiança que se opõe à fé. Todos sentimos as nossas impossibilidades sossobrarem perante a força dela, as nossas insuficiências completarem-se no seu sucesso. Sonhamos com um país composto exclusivamente de Vanessas (desde que não sejamos os primeiros a lançar mãos à obra). Hoje não estamos do lado de António Variações, achamos perfeitamente natural chamar Vanessa à nossa menina.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4785601294870640567?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4785601294870640567/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4785601294870640567&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4785601294870640567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4785601294870640567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/08/vanessa.html' title='vanessa'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7331514765871002508</id><published>2008-08-10T23:10:00.003+01:00</published><updated>2008-08-10T23:48:35.430+01:00</updated><title type='text'>por favor joguem futebol</title><content type='html'>Bem sei que estou a simplificar, mas isto é só um desabafo: de novo desfilam as máquinas de guerra - tanques, quadrigas, autobalas, o nome não importa - e as fardas com homens dentro, intrépidos, aturdidos, aclamando césar ou a pátria, disputando uma coisa em forma de deus ou qualquer coisa (o que é que disputam na Ossétia do Sul, o território, o petróleo, o gás, a supremacia de Bush/Putin?), acenando às mulheres, deixando-as para trás, a chorar.&lt;br /&gt;As mulheres ficam ou fogem para preservar os filhos, a natureza e as lágrimas, ou seja, para reproduzir a espécie humana protegendo-a da sua própria violência, da sua própria ignorância. Também competem nos jogos olímpicos e abraçam-se no pódium, as mulheres, a que veio da Rússia e a que veio da Geórgia.&lt;br /&gt;Bravos guerreiros de todos os tempos, deste dia de Agosto, não vos peço que reneguem a vossa natureza, que traiam o heroísmo. Não peço quase nada, só que corram mais rápido, que saltem mais alto, que sejam mais fortes no perímetro do estádio olímpico ou que pontapeiem a bola com vigor, em vez de pontapear vidas iguais. Vá lá, coragem, vençam a Sampedória 2-0, o Feyenoord 1-0, a Lazio 2-1. Empolguem-se, gritem pelas vossas cores. Deixem-nos viver em paz.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7331514765871002508?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7331514765871002508/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7331514765871002508&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7331514765871002508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7331514765871002508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/08/por-favor-joguem-futebol.html' title='por favor joguem futebol'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-4845768019723752533</id><published>2008-08-08T22:51:00.006+01:00</published><updated>2008-08-10T23:54:11.324+01:00</updated><title type='text'>o outro</title><content type='html'>Eles são dois. Mais dois. Quarenta. Quatro milhões. Inúmeros. Outros. Iguais em quê? Cada um deles age, luta. Quando pensa na morte sobressalta-se um pouco, move os pés (às vezes só um pé) ligeiramente, hesita um segundo que pode ser fatal, ou pode ser a glória. Nós assistimos. O susto mantém-nos os dedos próximos dos olhos, como se fosse possível interromper o olhar. No dia seguinte continuamos a assistir, mesmo se nos sentarmos na areia, rente às ondas, e o cheiro do mar for a menos misteriosa das razões, a única, verdadeira e bastante.Continuaremos nós a assistir; eles são um, que vem e passa.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-4845768019723752533?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/4845768019723752533/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=4845768019723752533&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4845768019723752533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/4845768019723752533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/08/outro.html' title='o outro'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7424312679807807409</id><published>2008-08-03T21:46:00.005+01:00</published><updated>2008-08-08T23:32:09.360+01:00</updated><title type='text'>gastronomia, velocidade e sonhos</title><content type='html'>Estes miúdos viram-nos suar as estopinhas para nos livrarmos de milénios de culpa e aliviar o peso do desencanto, do amor divino por nós e do amor apaixonado ao próximo imposto pelas diversas escrituras. Pagaram o nosso aturdimento, os nossos psis e as autoajudas com as correrias da natação para o ténis e do ballet para o piano, e com iogurtes naturais. Ficaram fartos de sonhos e decepções, desataram a escrever a aventura dia a dia, cada segundo muito mais longo que a eternidade. Rejeitaram o nosso sacrifício; quem os pode acusar do pecado da velocidade, da incorrecção do individualismo, da impossibilidade de adiar a recompensa? De serem «gastrosexuais» (vocábulo que hoje aprendi), ou seja, de seduzir através de uma boa refeição confeccionada em casa e logo premiada? De ambicionarem ser estrelas da culinária, chefs com três estrelas Michelin, o novo reduto do domínio masculino, o glamour que substituiu as prateleiras da literatura internacional na FNAC-Chiado por livros de gastronomia? Serão mais felizes do que nós? Que importa, cada geração tem o direito de ser infeliz à sua maneira&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7424312679807807409?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7424312679807807409/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7424312679807807409&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7424312679807807409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7424312679807807409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/08/gastronomia-velocidade-e-sonhos.html' title='gastronomia, velocidade e sonhos'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1041513301796059442</id><published>2008-07-29T22:40:00.004+01:00</published><updated>2008-08-10T23:55:09.539+01:00</updated><title type='text'>Casa Llansol</title><content type='html'>A buganvília, os degraus, os papelinhos colados ao teclado, folhas, as contas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A. interpreta, eu vejo e amo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as cadeirinhas, a menina rosa no jardim sobre a parede branca, folhas, a janela que dá para a cozinha, o gesto interrompido (a linha) os desenhos quando as palavras -------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A. interpreta, eu vejo e amo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os cadernos, a mão prolongada, a imagem não paralela,não infinita&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1041513301796059442?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1041513301796059442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1041513301796059442&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1041513301796059442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1041513301796059442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/07/casa-llansol.html' title='Casa Llansol'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-9208753849957098559</id><published>2008-07-28T22:12:00.004+01:00</published><updated>2008-08-10T23:55:42.064+01:00</updated><title type='text'>operação vento fraco</title><content type='html'>Coitada da operação furacão, que por este andar não chega sequer ao grau dois de uma ventania passageira. Por este andar é como quem diz, por estas leis feitas à medida da elegância dos visados. Os alfaiates exclusivos possuem o segredo e a arte que passa de geração em geração e tanto servem para talhar o fato novo do imperador como para adaptar velhos cortes às sucessivas estações. As contas já estão feitas, não precisam de giz nem da fazenda escura nas costas dos clientes, aliás são estes que as concebem, dos cálculos preliminares à factura final. Muito bem. Ia perguntar como é que se chegou a esta situação em que os interesses da «economia nacional» coincidem ponto por ponto com os interesses obscuros de quem a domina e nos nanifica. Mas seria pergunta descabida, própria de uma ingenuidade anacrónica. Um bom princípio, esse, o do encurtamento do segredo de justiça, uma excelente opção para os processos vulgares, a maioria. Quando aplicado à grande criminalidade económico-financeira, um desastre. Nem será necessário explicar porquê, a tal ponto se dá o oiro ao bandido fornecendo a quem prevarica a exacta informação de que precisa para se eximir à acção da justiça. Uma catastrofezinha que facilmente se imputa a esta justiça transviada, desfigurada, em estado pré-comatoso; a bem dizer só sopro (ténue) e costas, largas costas para pendurar os andrajos e aguentar os golpes.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-9208753849957098559?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/9208753849957098559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=9208753849957098559&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/9208753849957098559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/9208753849957098559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/07/operao-vento-fraco.html' title='operação vento fraco'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1979525763574088593</id><published>2008-07-24T23:39:00.007+01:00</published><updated>2008-07-26T18:35:54.918+01:00</updated><title type='text'>a invenção do fósforo</title><content type='html'>o que se aprende num dia de Julho com o televisor ligado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - nenhuma criança está a salvo dos tresmalhados afectos dos adultos. Deviam, as crianças, desconfiar mais dos que soletram facilmente o seu «interesse superior» e lhes repetem o nome próprio em vão;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - a realidade é a coisa mais difícil de inventar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - a verdade demora séculos a construir e rui ao primeiro sopro; a mentira é instantânea e demora séculos a apagar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - com sabor a petróleo, a língua portuguesa lambe ainda mais caninamente as feridas da pátria;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - walls can be throwned down but the task is never easy;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - uma esperança improvável é capaz de mobilizar a multidão em torno de um homem e do seu apelo: let's remake the world. (Quem se desiludirá primeiro, o homem ou a multidão?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - a televisão hipnotiza, gagueja, destrói, põe e dispõe; parece um fósforo a explodir devagarinho. &lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1979525763574088593?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1979525763574088593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1979525763574088593&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1979525763574088593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1979525763574088593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/07/inveno-do-fsforo.html' title='a invenção do fósforo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-5834086492311755989</id><published>2008-06-28T22:39:00.003+01:00</published><updated>2008-06-29T18:25:39.301+01:00</updated><title type='text'>maria de lurdes pintasilgo</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.rtp.pt/gdesport/images/articles/594/Maria_de_Lurdes_Pintasilgo_bio_grande.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://www.rtp.pt/gdesport/images/articles/594/Maria_de_Lurdes_Pintasilgo_bio_grande.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(em dias de debates feministas, aconselho a consulta de www.arquivopintasilgo.pt)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-5834086492311755989?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/5834086492311755989/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=5834086492311755989&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5834086492311755989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5834086492311755989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/06/maria-de-lurdes-pintasilgo_28.html' title='maria de lurdes pintasilgo'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-6823356800344730677</id><published>2008-06-27T21:58:00.006+01:00</published><updated>2008-06-27T23:16:45.933+01:00</updated><title type='text'>Unity, finalmente</title><content type='html'>&lt;a href="http://msnbcmedia2.msn.com/j/msnbc/Components/Photo_StoryLevel/080215/080215-obama-clinton-vmed11a.widec.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://msnbcmedia2.msn.com/j/msnbc/Components/Photo_StoryLevel/080215/080215-obama-clinton-vmed11a.widec.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que a união destas duas audácias é a única esperança? Não sei, nem Atlas sustentaria agora este globo terrestre. Decepção em decepção, o desespero ganhou sombra de gigante nas paredes do mundo. Mas, por favor, não maltratem a palavra esperança; para tanta gente é o único vime - quatro sílabas de vime - que a segura à vida. &lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-6823356800344730677?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/6823356800344730677/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=6823356800344730677&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6823356800344730677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/6823356800344730677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/06/unity-finalmente.html' title='Unity, finalmente'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7887534289478128126</id><published>2008-06-23T18:24:00.005+01:00</published><updated>2008-06-23T21:53:22.260+01:00</updated><title type='text'>preto, branco e...também de outras cores</title><content type='html'>&lt;a href="http://i8.photobucket.com/albums/a12/choco_lemon/Bartoon-Recessao.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://i8.photobucket.com/albums/a12/choco_lemon/Bartoon-Recessao.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Alto e pára tudo! Estalou o jogo do smile, a caça ao sisudo, nem sei como lhe chamar, tão baralhadas vão as águas. Amuados com a canhotice das sondagens e animados pela ascensão ao poder do refinado humor de MFL, os agentes culturais da direita armaram-se em Presidentes da República Humorística ou, melhor, em juízes do Tribunal Constitucional do Bom Gosto e anunciaram a sisudez conservadora da esquerda. Aqui há uns dias foi VPV - esse agente diplomático do riso - a proclamar que a «esquerda lançou uma campanha contra o futebol» e que há «uma fúria da esquerda contra o futebol». No sábado foi, sob mão anónima, alguém do Actual a decretar, a propósito de um livro de crónicas de João Pereira Coutinho (por sinal umas quantas com moderada graça): «Porque é a direita mais divertida do que a esquerda? (...) Pereira Coutinho é um dos colunistas que mais irritam a esquerda, entre outras razões por ter um sentido de humor que a ela lhe falta»!&lt;br /&gt;Calma, meus senhores, as eleições são só para o ano. Até lá estou segura de que o circo montado pela tripla Presidente da República-Primeiro Ministro-Líder da Oposição, grandes especialistas em stand-down comedy, nos há-de matar de riso e explodir de alegria na festa do Bloco Central.&lt;br /&gt;Claro, é muito mais fácil obter um big smile de quem olha para o mundo com ar de enjoo e a entoar o velho mantra «que se lixe» do que de alguém que o olha com a deprimente pretensão de o mudar, mas não é que ainda existem atrevidos que o tentam, diariamente? E, quem diria (talvez o Prof. Marcelo, disfarçado de RAP), com sucesso! Se a coisa vai aos ouvidos do Bartoon temo o pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despropósito: Morreu ontem, aos 94 anos, em Paris, Albert Cossery, o escritor egípcio que tornou personagens os «esquecidos de Deus» - marginais da sua infância no Cairo, ladrões, prostitutas, saltimbancos de rua, engomadores, barbeiros, uma criança a chorar junto de um trevo. Um guarda:&lt;br /&gt;«O guarda Gohloch morava na viela Negra, mas exercia as suas funções de tirano no centro da cidade europeia. E era para ele uma espécie de morte. Definhava. Num meio assim, frequentado geralmente por europeus, a sua vigilância encontrava sérios obstáculos. Não podia expandir-se à vontade. E então Gohloche transferia o ódio para tudo o que o elemento indígena fornecia em matéria de escravos: vendedores ambulantes, mendigos, pequenos apanhadores de beatas, leprosos, cegos e toda a tribo de vagabundos que não conseguiam morrer porque se levava muito tempo a matá-los. Essa escória, vinda de toda a parte para dar à cidade europeia um ar de Oriente exótico, era numerosa. Um abençoado alimento para os olhos dos turistas. Mas o guarda Gohloche não era turista e não entendia nada de exotismos.» («Os Homens Esquecidos de Deus» - 1940)&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7887534289478128126?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7887534289478128126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7887534289478128126&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7887534289478128126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7887534289478128126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/06/preto-branco-etambm-de-outras-cores.html' title='preto, branco e...também de outras cores'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-7943467216198541186</id><published>2008-06-18T23:22:00.005+01:00</published><updated>2008-06-19T20:11:55.991+01:00</updated><title type='text'>ninguém é ilegal</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.art-for-a-change.com/blog/images/feb07/vallen_illegal.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://www.art-for-a-change.com/blog/images/feb07/vallen_illegal.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Contra a directiva do retorno dos imigrantes aprovada pelo PE:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de agora um imigrante sem-papéis surpreendido pela polícia é instado a sair do espaço europeu num período mínimo de 7 dias e máximo de 30.&lt;br /&gt;Caso resista, poderá ser detido  &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;por ordem administrativa, já não de um juiz, e passar 6 meses num centro de internamento, ou 18 se o processo se complicar, antes de ser expulso.&lt;br /&gt;Um estrangeiro com menos de 18 anos e não acompanhado poderá ser também repatriado.&lt;br /&gt;Não poderá regressar ao espaço europeu durante 5 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, senhores deputados europeus! Bravo! Assim se demonstra a supremacia dos valores da «civilização ocidental» sobre as «raças» vagabundas. Quando a Europa for «devolvida aos europeus», neles incluindo, claro está, os craques de futebol nacionalizados, estaremos prontos para enfrentar, pá de pedreiro em punho, os desafios do século globalizado. E para nos extinguirmos na glória da desprocriação e dos valores perdidos.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-7943467216198541186?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/7943467216198541186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=7943467216198541186&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7943467216198541186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/7943467216198541186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/06/ningum-ilegal.html' title='ninguém é ilegal'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8106740417998097319</id><published>2008-06-13T22:19:00.004+01:00</published><updated>2008-06-13T23:40:34.004+01:00</updated><title type='text'>futuros ilegíveis</title><content type='html'>Anteontem recebi mais um daqueles mails-forwards que prometem milagres se continuarmos a cadeia e maldições se a interrompermos. Ao contrário da excitação que os bilhetes-postais em cadeia da minha infância provocavam, estes só me causam irritação e o prazer especial de desafiar as superstições, no que, seguramente, sou pouco original, acredito mesmo que estarei acompanhada por meio mundo. Meio mundo, é isso mesmo: perante o que se passou nestes dois dias sou levada a concluir que o meio mundo supersticioso ou brincalhão, aquele que não quebrou a cadeia, treinado por Scolari, é constituído pelos adeptos portugueses e holandeses, mais os adeptos portistas, mais as empresas distribuidoras de combustíveis. E, last but not least, todos os que desejam uma construção europeia social e cidadã, cuja voz calada se fez voto na mão desses Dubliners que não cessam de nos aturdir com a música e o génio literário. O outro meio mundo, regido por M. Sarkozy, que viu a sua selecção de futebol e a sua congeminação europeia arrasadas no mesmo dia 13, deve ter apagado o mail-cadeia sem sequer o abrir. Eu, que apenas me refiro ao mail como pretexto para um efeito humorístico (fraquinho, muito fraquinho...) faço um balanço positivo da minha inércia: de certo modo torço pela selecção, de certo modo votei no referendo e, sobretudo, acordei com a notícia de que o Supremo Tribunal dos EUA declarou Guantánamo território de violação dos direitos humanos. Também me entretive a tentar decifrar o manuscrito inédito de Pessoa/Caeiro, enquanto imaginava o poeta ora melancólico ora divertido a prever estes esforçados exercícios e a refinar os enigmas da caligrafia. Como os manuscritos estão em vias de desaparecer já ninguém utiliza esta forma estimulante de ampliar a obra. Mesmo assim não acabam os projectos ilegíveis, não tanto na literatura mas nas construções, cada vez mais precárias, dos futuros. Que exercícios se farão daqui a cem anos sobre esta era tão vulnerável ao caos? Daqui a vinte? Para o ano que vem?&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8106740417998097319?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8106740417998097319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8106740417998097319&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8106740417998097319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8106740417998097319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/06/futuros-ilegveis.html' title='futuros ilegíveis'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8730881054804446992</id><published>2008-06-10T22:24:00.006+01:00</published><updated>2008-06-12T12:06:43.298+01:00</updated><title type='text'>soneto imperfeito - portugal</title><content type='html'>Um pouco mais de amor e eu fora incesto&lt;br /&gt;entre filho gentil e sua mãe,&lt;br /&gt;de moura praia permanecendo aquém&lt;br /&gt;seria vago chão, de Espanha o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se Henrique de paixões não fugisse&lt;br /&gt;como se paz viesse só do mar&lt;br /&gt;brasis e ninfas ficavam por achar,&lt;br /&gt;cantaria Camões o fado Alice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas encostas do Douro e com salero.&lt;br /&gt;Porém tive Joaninha e Ega; espero&lt;br /&gt;que Blimunda não veja a minha morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busque amor novas artes, engenheiros&lt;br /&gt;de Campos, não de egos financeiros.&lt;br /&gt;Herói do drible sou, escravo da sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8730881054804446992?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8730881054804446992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8730881054804446992&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8730881054804446992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8730881054804446992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/06/soneto-imperfeito-portugal.html' title='soneto imperfeito - portugal'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-3488727577318889260</id><published>2008-06-06T10:51:00.003+01:00</published><updated>2008-06-06T11:02:36.814+01:00</updated><title type='text'>parabéns Ana Luísa</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.livapolo.pt/cache/66721.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://www.livapolo.pt/cache/66721.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em linhas ou palavras a linguagem&lt;br /&gt;que temos é sempre outra. É também&lt;br /&gt;outra&lt;br /&gt;Sonhar uma diferente,&lt;br /&gt;a mesma que abrangesse outros sentidos&lt;br /&gt;e semelhantes corpos&lt;br /&gt;Entender-se por fim a utopia&lt;br /&gt;que alimenta esta ilha&lt;br /&gt;de perfeitos demais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Luísa Amaral, prémio APE de poesia 2007. Rara tão justa alegria,&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-3488727577318889260?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/3488727577318889260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=3488727577318889260&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3488727577318889260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/3488727577318889260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/06/parabns-ana-lusa.html' title='parabéns Ana Luísa'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2721750761554169986</id><published>2008-06-05T20:37:00.006+01:00</published><updated>2008-06-06T11:02:58.918+01:00</updated><title type='text'>Teresa e a cidade</title><content type='html'>A minha amiga Teresa anda perplexa com as peças do puzzle que constrói pacientemente já vai para três meses. Começou por espalhar aquela tralha toda em cima de uma mesa que foi resgatar à arrecadação. Ou melhor, começou por limpar o pó da mesa, restituindo provisoriamnte à luz uns rendilhados sem graça que continuavam a implorar para ser escondidos. Depois despejou as peças e iniciou a empreitada. A imagem a recosntituir não era um primor de imaginação: o mapa de uma cidade inventada por algum falso leitor de Calvino. Mas a Teresa tinha encontrado nessa imagem a graça que faltava aos rendilhados, parecia-lhe vislumbrar nela uma elegância modesta, intemporal, que só encontrava, raramente, em vestidos ou perfumes. Nos gatos, sempre. Por isso passou a sentar-se todos os serões, debruçada para a desordem, admirando cada peça na sua singular incompletude - metade de um beco, uma corrente de baloiço, meio toque de sirene, restos de buganvília misturados com fumo de escape - buscando-lhe um lugar. Mas notou que cada serão passava mais tempo no convívio com as peças, ao ponto de se tornar membro da família. E passou a acordar espavorida de madrugada, com saudades das irmãs. Todos os horários se foram baralhando à medida que a cidade alargava e se aprofundava o entendimento entre os dedos da minha amiga e as peças que os chamavam. A natureza da pele e a natureza dessas criaturas que ambicionavam vida começou a coincidir de forma estranha. E, ainda mais extraordinário, as peças começaram a multiplicar-se. Não precisa de as contar, a Teresa, para perceber este inaudito crescimento que, caso o puzzle chegue a ser completado, extravasará os limites da mesa, os limites da casa, os limites da cidade exacta e da cidade sonhada, quiçá limites totalmente insensatos. Anda perplexa e ensonada a minha amiga Teresa, boceja de exaustão enquanto desabafa comigo. Começou a atribuir às peças nomes próprios, mas isso fica para outra história.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2721750761554169986?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2721750761554169986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2721750761554169986&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2721750761554169986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2721750761554169986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/06/minha-amiga-teresa-anda-perplexa-com-as.html' title='Teresa e a cidade'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2496397550050130208</id><published>2008-05-31T23:12:00.003+01:00</published><updated>2008-05-31T23:37:55.079+01:00</updated><title type='text'>pilar e josé</title><content type='html'>&lt;a href="http://azinhaga.net/portal/images/rsgallery/original/DSCN1226_o.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://azinhaga.net/portal/images/rsgallery/original/DSCN1226_o.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A intercepção entre as duas ruas é o lugar do amor.&lt;br /&gt;Não se recorda o rio, na Azinhaga, de ser um nome assim.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2496397550050130208?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2496397550050130208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2496397550050130208&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2496397550050130208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2496397550050130208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/pilar-e-jos.html' title='pilar e josé'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-372966323722208448</id><published>2008-05-24T22:32:00.004+01:00</published><updated>2008-05-24T23:59:06.081+01:00</updated><title type='text'>contra os abu grahibs académicos</title><content type='html'>Desta vez a decisão de um tribunal vem surpreender-nos como um princípio e um sentido novo, identificando os rituais de humilhação das praxes académicas enquanto crimes contra a integridade física e contra a liberdade de autodeterminação individual. Estamos demasiado acostumados a ver assinaladas intervenções judiciárias pelo exemplo negativo da aplicação de normas, já em si tantas vezes desajustadas das grandes linhas enformadoras do ordenamento jurídico, plasmadas na Constituição. Aplicação frequentemente formalista, positivista, defensiva, ou seja conformada com um modo estreito de encarar o movimento do mundo na sua complexidade e no questionamento permanente que suscita. Por isso a «tradição» se constitui como um engulho tentador, na sua aparente simplicidade, tanto nas instâncias destinadas a reconstituir a ordem - os tribunais -  como até naquela onde seria suposto perturbá-la para a transformar - a Universidade. É difícil fazer novo e fazer bem, mas é imprescindível. E, neste contexto, acolho sem desassossego o agradável sentimento de pertença a um pequeno universo no interior do mais vasto universo judiciário que é capaz de abandonar o confortável respaldo da tradição para nomear e punir a violação de direitos fundamentais onde comodamente se assistia ao sorriso enlevado pelos «excessos juvenis». Esse mesmo, o tal sentimento de pertença que as práticas praxistas se destinariam a inculcar nos caloiros. Sou de um tempo em que a praxe estava banida da academia, por muito boas razões. Nem por isso se me torna só por si antipática a reintrodução de rituais de acolhimento, muito menos o sentido de pertença e de participação num colectivo académico, imprescindível se integrado num movimento associativo dinâmico, desejoso de participar, contrariar o óbvio, zelar pela reinvenção e por novas formas de intervir. Mas, precisamente na medida em que esse movimento é imprescindível, forçoso se torna não o trocar pelas práticas aberrantes de tortura institucionalizada em que se transformou a maioria das praxes. Que esta parvoíce tenha fim, que pare de se encarar os espaços universitários como Abu Grahibs em miniatura.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-372966323722208448?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/372966323722208448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=372966323722208448&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/372966323722208448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/372966323722208448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/contra-os-abu-grahibs-acadmicos.html' title='contra os abu grahibs académicos'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8760757613025273662</id><published>2008-05-23T20:45:00.002+01:00</published><updated>2008-05-23T21:56:30.745+01:00</updated><title type='text'>torture allowed</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.madcowprod.com/airline.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://www.madcowprod.com/airline.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8760757613025273662?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8760757613025273662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8760757613025273662&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8760757613025273662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8760757613025273662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/torture-free.html' title='torture allowed'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-5926978983535235779</id><published>2008-05-23T20:26:00.002+01:00</published><updated>2008-05-23T20:32:32.424+01:00</updated><title type='text'>zona de assaltos</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.caglecartoons.com/images/preview/%7BF48EB741-C084-4D7F-BF46-50047044012A%7D.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://www.caglecartoons.com/images/preview/%7BF48EB741-C084-4D7F-BF46-50047044012A%7D.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-5926978983535235779?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/5926978983535235779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=5926978983535235779&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5926978983535235779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5926978983535235779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/zona-de-assaltos.html' title='zona de assaltos'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-925223453615901460</id><published>2008-05-23T19:12:00.003+01:00</published><updated>2008-05-23T20:14:44.570+01:00</updated><title type='text'>os comedores de batatas</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/retrospijt01.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/retrospijt01.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-925223453615901460?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/925223453615901460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=925223453615901460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/925223453615901460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/925223453615901460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/os-comedores-de-batatas.html' title='os comedores de batatas'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-5341411826898303982</id><published>2008-05-19T16:27:00.003+01:00</published><updated>2008-05-19T16:58:43.141+01:00</updated><title type='text'>birmânia: quando os ventos matam</title><content type='html'>«Faz exactamente duas semanas que o povo da Birmânia foi fustigado por um violento ciclone que vitimou entre 30 mil e 100 mil seres humanos, afectando directamente dois milhões que, desde então, sentem o seu sofrimento desprezado, vendo-o por isso agravado. Até hoje já morreram milhares de pessoas que poderiam ter sobrevivido. Não foi o caso. A AMI, como tantas outras instituições da sociedade civil mundial, nada conseguiu fazer, esbarrando numa polida mas intransponível muralha de insensibilidade, indiferença e cinismo, erguida por uma ditadura militar facínora que, nem perante o atroz desespero de uma parte significativa do povo, entendeu não aceitar a ajuda que a comunidade humanitária mundial lhe oferecia, pondo apenas uma condição: que fosse ela a entregá-la directamente aos sobreviventes.&lt;br /&gt;Vivo desde então a maior frustração, revolta e angústia. Em 30 anos de intervenção humanitária nos quatro cantos do mundo, nunca tinha sido confrontado com um governo tão ignominioso. E no entanto, ao longo destes anos, conheci ditaduras sanguinárias de toda a ordem. Nunca me tinha sido completamente vedado o acesso, como médico humanitário, a populações martirizadas e indefesas, gritando por socorro, num desesperado e intolerável silêncio ensurdecedor para a minha consciência e para a nossa condição humana colectiva.&lt;br /&gt;Sei de fonte segura que é preciso muito mais ajuda e que grande parte da que vai chegando, sobretudo de países asiáticos que toleram ou apoiam a ditadura birmanesa, não tem como destino os sobreviventes e, quando o tem, é utilizada como mera arma demagógica política. Quanto à ajuda possível das agências das Nações Unidas e outras instituições, chegou só depois de muito mendigar...tendo sido quase sempre instrumentalizada! Infelizmente nem se pôde sequer invocar o Direito de Ingerência humanitária porque este conceito já foi esvaziado desde a sua indevida apropriação e utilização para fins político-militares, como no caso do Iraque...&lt;br /&gt;No entanto, nunca irei desistir.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fernando Nobre, Presidente da AMI, Público)&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-5341411826898303982?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/5341411826898303982/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=5341411826898303982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5341411826898303982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5341411826898303982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/birmnia-quando-os-ventos-matam.html' title='birmânia: quando os ventos matam'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-679931279461841019</id><published>2008-05-15T20:51:00.004+01:00</published><updated>2008-05-15T23:36:26.604+01:00</updated><title type='text'>feira dos livros</title><content type='html'>Há anos que passo diariamente pelo Marquês e há anos que me dou conta da aproximação dos bons feriados de junho ao reparar nas barraquinhas coloridas ao longo do Parque. A cada ano que passa as barraquinhas vão ficando mais tristes e eu mais constrangida com a tristeza delas. Consentiram a maquilhagem berrante para disfarçar a macilência e as rugas, elas que podiam permanecer imunes à idade se fossem feitas da matéria dos livros. Podiam? Ainda é a mesma a matéria dos livros? Esta trapalhada com a feira do livro deste ano, provocada pela introdução do fenómeno concentracionista (concentracionário?) no mercado editorial, coloca todas as questões evidentes e mais uma. Quanto às questões evidentes estamos conversados, escusamos de entoar requiems pela Obra, ou mesmo pelo objecto da nossa paixão de leitores: o livro é um produto, pronto, a natureza sagrada que lhe atribuíamos deslocou-se para o mercado, foi assim; carpimos e escandalizamo-nos justamente com o descaramento da coisa, os espaços comprados nas livrarias e nos meios de comunicação, o mercantilismo da «crítica literária» e dos prémios, a publicidade disfarçada e direccionada pelos grupos e contragrupos e subgrupos numa guerrilha lastimável. Mas não somos moralistas, muito menos masoquistas, preferimos ir desabafando em surdina e comprando aos preços mais em conta, aproveitando as grandes superfícies, na net ou fora dela; preferem, os que fazem ofício de escrever, não agitar ainda mais as águas sujas, tentando impedir que os molhe algum pingo que inadvertidamente sobre da enxurrada. A questão menos evidente, a tal mais uma, a que verdadeiramente me preocupa, é a de saber se ainda é a mesma a matéria dos livros que se escrevem. De que modo afectará o próprio processo criativo - nos tempos, na linguagem, nos temas, na imaginação - este constrangimento totalitário do mercado, mesmo que não nos demos conta disso? Que preço estão os autores dispostos a pagar para existir? Trabalhadores como todos os outros, já não esperam ser remunerados em função do mérito ou de simples critérios retributivos do investimento criativo/produtivo, já só almejam ser mantidos (condescendentemente) ao nível da subsistência. Mas como assegurá-la? Há ainda limites para ultrapassar?&lt;br /&gt;E, acabrunhadas com estas interrogações, as barraquinhas lá continuam, sem saber como reinventar-se perante o poder das grandes construções. A festa, que em tempos competia com as fogueiras e as primeiras praias, essa já está estragada. Os leitores ficarão em casa, na melhor das hipóteses com um livro à frente, no original ou em boas traduções de editoras resistentes. Os que gostam de ler de vez em quando talvez se enganem e passem ainda pelo parque, a olhar para o palácio. Pequeninas, as pessoas, menores entre objectos (produtos) menores, todos gerados pelo poder do lucro. Nada de especial, é isso que as pessoas são agora: postos de trabalho, ou de desemprego, gerados pelas empresas.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-679931279461841019?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/679931279461841019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=679931279461841019&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/679931279461841019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/679931279461841019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/feira-dos-livros.html' title='feira dos livros'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-8875075218825449743</id><published>2008-05-13T23:02:00.003+01:00</published><updated>2008-05-13T23:10:00.855+01:00</updated><title type='text'>a caneta. a mão</title><content type='html'>CANETA DE SUA MÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguro esta caneta, escrevendo&lt;br /&gt;por varanda de hospital. É bonita,&lt;br /&gt;a caneta, eu é que tenho estado&lt;br /&gt;um pouco mal. Derramei-me por&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sangue e tinta preta, reencontrei&lt;br /&gt;o sol, as borboletas roçaram-me&lt;br /&gt;o seu pólen de veneno, salvou-me&lt;br /&gt;um balão de horas e formol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspenso, o mal que tive foi um mal&lt;br /&gt;civil, não foi um mal de Império,&lt;br /&gt;felizmente. É bonita a caneta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com que escrevo daqui, desta varanda&lt;br /&gt;de hospital. E não é feia a minha&lt;br /&gt;mão. E é pequena. E sente~.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ana Luísa Amaral, «Entre dois rios e outras noites», Campo das Letras, 2007)&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-8875075218825449743?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/8875075218825449743/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=8875075218825449743&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8875075218825449743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/8875075218825449743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/caneta-mo.html' title='a caneta. a mão'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-46552408546112236</id><published>2008-05-10T21:43:00.002+01:00</published><updated>2008-05-10T23:03:31.856+01:00</updated><title type='text'>10 de Maio de 1958</title><content type='html'>Por essa altura começou a haver tumultos em Lisboa. As vozes puxavam-se umas às outras para um coro em surdina que, em vez de rezar ou de pedir perdão, zunia aos ouvidos do poder totalitário. Como se um milagre estivesse para acontecer com hora marcada e todos quisessem assistir cheios de terror e alegria. Ao princípio não era fácil acreditar no General porque os generais costumam iludir-se com a voz de comando que transportam e enredam-se no ouro dos galões. Costumam desabar antes de as casas desabarem, como aconteceu com o tio Celestino, embora fosse capitão. Aquilo, porém, era diferente. Treze anos depois, alguém entrava na sala do Liceu Camões com os dedos em «V» de vitória, como se a Guerra tivesse terminado no dia anterior. O General, Director-Geral da Aeronáutica Civil, voava cada vez mais alto em desassombro. E, claro, no dia 10 de Maio, à porta do Chave D’Ouro, obviamente iria demiti-lo. Pena o tio Celestino estar tão longe e tão fundo que não o pôde ouvir; se pudesse talvez mesmo ali à porta do café tivesse ocorrido o duelo e o senhor Presidente do Conselho tivesse, obviamente, antecipado por interpostas mãos sujas de pó, a cilada de Badajoz. «Debaixo da superfície lisa corriam águas vivas», disse Aquilino. E a multidão ouviu, corrreu a Santa Apolónia. A multidão sem medo aclamava o General que viera perturbar a ordem pública. Por isso os cavalos e as baionetas, baralhando os caminhos, desviando a força como quem tapa a boca da nascente. Crescia Maio, mês dos milagres.&lt;br /&gt;(«A Terceira Mãe»)&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-46552408546112236?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/46552408546112236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=46552408546112236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/46552408546112236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/46552408546112236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/10-de-maio.html' title='10 de Maio de 1958'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-5634117017498449723</id><published>2008-05-06T21:36:00.005+01:00</published><updated>2008-05-10T23:04:26.941+01:00</updated><title type='text'>cárceres</title><content type='html'>Lemos os relatos, alguns testemunhos do vivido, outros construções a partir dos cárceres que se inscreveram no escritor pelo grande desejo de perceber, o mais estranho e singular de todos os desejos. Lemos Kafka. Lemos Primo Levi. Lemos Camilo. Sufocámos dentro de casulos de todos os tempos e latitudes, alguns de pedra, outros de metal, outros de seda. Muitos de ossos e pele que nos desabrigam quase sem doer. Tornámo-nos especialistas em grades, tão múltiplas quanto poliformes, tão subtis às vezes que as oferecemos sem querer e sem maldade, que as aceitamos de boamente porque difícil é encontrarmo-nos no espaço ilimitado. Lemos a Notícia de um Sequestro. Lemos Os Sequestrados de Altona. Lemos Os Dias Felizes. Lemos Cette Aveuglante Absence de Lumière. Reconhecemos sem esforço a opressão, fere-nos a infimização da vítima, mas nunca é demasiado secreto o segredo dentro do segredo. E a natureza da antropofagia é o mistério que se pode dissecar, demonstrar, imaginar (O Meridiano de Sangue, As Benevolentes, o Ensaio sobre a Cegueira) mas nunca aprender, distinto assim dos outros erros, das outras falhas, dos outros crimes, porque nada nos surpreende tanto como essa distorção da imagem, como acontece com um espelho inesperado. Sofremos com Elisabeth, desviamos a cara de Joseph. Não aprendemos, vemos o mal e não aprendemos. Consentimos que o Estado/sistema de justiça o resguarde da vingança, não escaparia vivo da nossa fúria, da nossa incredulidade, do nosso medo. Mas a necessária serenidade da justiça também hesita na resposta. E nós não a ajudamos. Não aprendemos. Sabemos lá nós a resposta que queremos dar. Outro cárcere? Um cárcere para o carcereiro? E isso chega? E tem limite? Chega e tem limite, mesmo que não afaste o medo repõe uma precária ordem, alivia. &lt;br /&gt;Claro, existem distorções na ordem, e perversas desordens dentro dela: existem os sequestros judiciários e as torturas civilizadas. Lembro James Lee Woodard, 27 anos preso por um crime que não cometeu. Lembro Binyam Mohamed, transportado para Guantánamo a partir da Base das Lajes. Mas estes casos, também diferentes entre si, merecem outras atenções.&lt;br /&gt;Joseph Fritzl planeou durante seis anos como iria encarcerar a filha. Porque será que ainda nos espanta este acrescento noticioso? Infinita a possibilidade de acrescentar horror ao horror humano.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-5634117017498449723?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/5634117017498449723/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=5634117017498449723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5634117017498449723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/5634117017498449723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/crceres.html' title='cárceres'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1941904479521567800</id><published>2008-05-05T22:11:00.004+01:00</published><updated>2008-05-10T23:06:16.418+01:00</updated><title type='text'>sejamos realistas: exijamos o impossível</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.rhul.ac.uk/modern-languages/Research/Conferences/Canal93%20mai%2068-BAT-R.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://www.rhul.ac.uk/modern-languages/Research/Conferences/Canal93%20mai%2068-BAT-R.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1941904479521567800?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1941904479521567800/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1941904479521567800&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1941904479521567800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1941904479521567800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/sonhar-o-impossvel_05.html' title='sejamos realistas: exijamos o impossível'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-1482885894323920286</id><published>2008-05-01T21:40:00.004+01:00</published><updated>2008-05-01T23:59:27.268+01:00</updated><title type='text'>a velocidade da sombra</title><content type='html'>Esta última semana provou que a velocidade e o tempo são das invenções mais extraordinárias da espécie humana e que, juntas, são capazes de vencer quem as criou. De todos os sonhos dos homens nenhum se compara ao de viajar no tempo, talvez porque a curiosidade e a crença num sentido superem a persistência de outras características comuns. E enquanto os cientistas se concentram em experiências com aceleradores e construções de modelos matemáticos, os artistas tratam, desde que o mundo é mundo, de antecipar os impossíveis, criando e recriando universos alheios à sensatez. Só não contavam com uma terceira extraordinária invenção - a do mercado, globalizado e entronizado até à demência destrutiva. É que de repente, durante tantos dias quantos os gastos na criação do mundo, vemo-nos regredir um século (ou mais?). Não sei se encontrámos, sem dar por isso, algum buraco-de-verme, mas de facto estamos de volta à ameaça da grande fome por esse pobre mundo e a palavras arcaicas como racionamento. escassez, miséria, neste nosso mundo da abundância. Na Mauritânea vende-se a última cabra para garantir o pão de uma semana, nos EUA fazem-se filas para dois saquinhos de arroz, na Europa prometem-nos a batata como o alimento do futuro. Em Portugal ainda não há escassez nem racionamento, só não há dinheiro para nada, o último aumento dos combustíveis parece ter sido a gota de água que faltava para nos declararmos oficialmente indigentes. A somar a estes desesperos vemos a Itália e viramos a cara de vergonha e de horror, não conseguimos suportar Roma entregue aos cuidados de alguém que proclama com orgulho a ideologia fascista. Não será o despropositado anúncio do apocalipse, como Helena Matos, por certo mais sensibilizada pela resolução do emergente problema da obesidade na Mauritânea, chamou ao desespero dos pobres e às preocupações da ONU. Mas a cada dia se desmoronam múltiplos dias conquistados e sucessivas paredes de uma difícil construção. Será que o desmoronamento chegará aos alicerces?&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-1482885894323920286?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/1482885894323920286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=1482885894323920286&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1482885894323920286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/1482885894323920286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/05/velocidade-da-sombra.html' title='a velocidade da sombra'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-489552600047645734</id><published>2008-04-24T22:00:00.003+01:00</published><updated>2008-04-24T23:47:51.348+01:00</updated><title type='text'>O CENTRO DO RIO</title><content type='html'>1. Deitar-me-ei sem saber que já nasceu o dia maior, aquele que não cabe  nas horas que lhe deram e para sempre será o centro do rio, memória e futurível, água de um tu como nenhum outro de rua em rua. Alguém fará soar o telefone na madrugada. Saberei então que as palavras de um amigo se estarão cumprindo, as que eram pacto de sangue ao rumor da lua. E perguntar-me-ão enquanto se mantiver a angústia diante do inusitado Quem? Os Ultras?, com o coração aflito irei dizendo Não creio, a liberdade é o sentido de tudo, o amanhã é afinal agora e há imenso para fazer. &lt;br /&gt;Não quero escrever sobre o 25 de Abril no pretérito perfeito ou imperfeito. E, no entanto, nada esqueço ou abandono, estive onde estive, sou a dimensão da utopia e metamorfose desse lugar único a que pertenço. Mesmo que atravesse a sombra que cresce. E tudo fira enquanto passo, tudo fira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Hillary? Obama? Venham a Carolina do Norte e Indiana. Venham e escolham. Já, exaustos, estamos pelo que tiver que ser. Tão tranquilos como o Paulo Bento antes das derrotas. O diabo, quero dizes, estes dois Estados. Que escolha(m). Que diga(m) quem sobra do festim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. O navio chinês voltará aos portos de origem. Meteu o rabo entre as pernas e abandona, ao que se ouve, as plagas da África insolente. Com armas e ratos. Espera-se chegue a Pequim ao toque da alvorada e merecendo honras militares. Uma epopeia assim não acontece todos os abris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Havia na minha República uma parede em que escrevíamos os dislates proferidos, na ronda dos dias, pelos que nela viviam. Na sala das refeições, local de alarido e dieta pobre, folia e amenidade. Trago na lembrança ditos e frases que fariam as delícias de Catulo ou Marcial, este é um blog sério, não cabem nele vernaculismos  nem nostalgias cujo almagre se funde numa água pessoal antiquíssima. Mecanismo de aferição da reprovabilidade, quem imaginará os debates que precediam a decisão de levar à cal o erro ou impropério?, e instrumento sancionatório, era também um escrutínio precípuo que tendia ao privilégio da ética e da política ou à defesa da gramática elementar. Escrevo isto ao canto do serão. E penso no que tenho ouvido aos sucessivos candidatos à liderança (como me comove esta expressão, o seu chilreio, a&lt;br /&gt;sua austeridade líquida) de um PSD em crise de identidade. Se fizesse desta página uma parede? Talvez um dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. A Exposição sobre José Saramago inaugurada na Ajuda no meio de uma multidão. "A consistência dos sonhos", roteiro admirável realizado por Farnando Gomez Aguilera e pela mão sábia de Pilar del Rio. O novo Nobel do "maior escritor português" (José António Pinto Ribeiro), aquele que deu ao país um dos seus mais raros momentos (e só ele poderia ter dado, quero recordá-lo) já lá vão dez anos. Dez anos em que ficámos a dever ao ficcionista de "Ensaio Sobre a Cegueira" alguns dos romances de topo da literatura universal. O conjunto agora colocado à mercê do olhar de todos impressiona pela vastidão e diversidade, a luz que traz ao conhecimento da vida e obra do autor, a revelação de quanto integra uma oficina peculiaríssima e, sobretudo, o poder emocional que convoca. Brilho, conjunção de afectos, dignidade, rigor, História a acontecer. E devir. Como o senti ontem no breve tempo, tempo de um outro dia sem fim.&lt;br /&gt;jmm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-489552600047645734?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/489552600047645734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=489552600047645734&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/489552600047645734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/489552600047645734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/04/o-centro-do-rio.html' title='O CENTRO DO RIO'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1667355211654801463.post-2131618155679168403</id><published>2008-04-21T23:16:00.004+01:00</published><updated>2008-04-22T00:02:48.591+01:00</updated><title type='text'>O ENREDO - AS SETAS</title><content type='html'>O ENREDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que o seu horror seja perfeito, César, encurralado ao pé de uma estátua pelos impacientes punhais dos seus amigos, descobre entre as caras e os aços a cara de Marco Júnio Bruto, seu protegido, talvez seu filho. Deixa de se defender e exclama: &lt;em&gt;&lt;/em&gt;Também tu, meu filho! &lt;em&gt;&lt;/em&gt;Shakespeare e Quevedo recolhem o patético grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino gosta das repetições, das variantes, das simetrias. Dezanove séculos depois, no sul da província de Buenos Aires, um gaúcho é agredido por outros gaúchos, e, ao cair, reconhece um afilhado seu e, com lenta surpresa, dirige-lhe uma mansa recriminação (estas palavras são para ouvir, não para ler): &lt;em&gt;&lt;/em&gt;Pero che!&lt;em&gt;&lt;/em&gt;Matam-no e não sabe que morre para que se repita uma cena.&lt;br /&gt;(Jorge Luis Borges, em tradução de Ruy Belo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino gosta mesmo de variações sobre um tema. Vinte e um séculos depois, na west coast lusitana, um Menezes é atingido pelas setas negra e branca que ele banira do símbolo do partido. As setas trazem veneno fabricado pelas mãos tecedeiras dos seus correlegionários, um dos quais seu padrinho. Grita Basta! e falece, não sabe como olhar para trás, nem para a frente, nem para o céu. Perde a voz para que não se tenham por perdidas as palavras mortas.&lt;br /&gt;jm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1667355211654801463-2131618155679168403?l=artedosdias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://artedosdias.blogspot.com/feeds/2131618155679168403/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1667355211654801463&amp;postID=2131618155679168403&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2131618155679168403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1667355211654801463/posts/default/2131618155679168403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://artedosdias.blogspot.com/2008/04/o-enredo.html' title='O ENREDO - AS SETAS'/><author><name>julieta monginho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05315927013542044168</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
